05 fevereiro 2010

Regata de traineiras em Porto Alexandre (actual Tombwa) por ocasião da visita do Governador de Angola, Santos e Castro ao distrito de Moçâmedes, em 1972






 1ª. Espectacular  foto   retirada da Revista   «Notícias»/Angola/1972, representando uma regata de traineiras ocorrida na baía de Porto Alexandre (actual Tombwa), por ocasião da visita do Governador de Angola, Santos e Castro. 

2ª. O momento da chegada a terra, após as regatas na foto anterior.

Longe ia o tempo em que se chegara a duvidar da possibilidade da existência de Porto Alexandre , a «Angra das Aldeias» como fora primeiramente baptizada por mareantes portugueses que ali desembarcaram no ano de 1485, pois não fazia sentido construir algo que fosse, numa terra fustigada constantemente por ventos fortes que soparavam do deserto para o mar, e sobre uma areia que o deserto constantemente revolvia e ameaçava cobrir as habitações. 

Foi a partir da plantação em série de casuarinas (tipo de pinheiro bravo ligeiramente diferente do existente em Portugal), destinada a travar o movimento das dunas, que Porto Alexandre começou a ser possível. Uma odisseia que ficou a dever-se à teimosia heroica de um punhado de olhanenses que alí se fixaram com carácter permanente e alí desenvolveram a indústria de pesca e derivados de peixe. Em seguida criaram-se as hortas nas margens do rio Curoca, (zona do Pinda), e os alexandrenses passaram a colher saborosos melões, figos e até uvas, que passaram a constituir a boa mesa, para além do bom peixe e das saborosas ameijoas...

Porto Alexandre no início da década de 70 era já uma uma cidadezinha próspera exibindo algumas rasgadas avenidas, com elegantes vivendas e jardins, e chegou a ser nos anos 60 o maior centro piscatório da África, com dezenas de fábricas de farinhas e óleos de peixe e um grande centro conserveiro.

Com a modernização das instalações fabris, até as moscas que durante muito tempo  enxamearam as eiras de secagem ao sol da farinha de peixe e invadiam as habitações, acabaram por desaparecer. Sem dúvida, se Porto Alexandre foi possível, tudo é possível, desde que o homem queira e a natureza ajude!