31 julho 2007

Meninos e meninas de Moçâmedes, em dia de «Comunhão solene»: finais da década de 50



Grupo de rapazes e raparigas, após terem recebido os sacramentos da Comunhão solene, em foto junto da Casa de Santa Filomena, onde a veneranda e piedosa D. Aline ministrava o catecismo. A Casa Santa Filomena ficava junto ao antigo Colégio das Irmãs Doroteias de Moçâmedesm ali para os lados do antigo campo de futebol e Estação dos Caminhos de Ferro. São elas e eles, da esq. para a dt, em cima: Arménio Minas, ?, Guida Frota, Hildeberto Madeira (Betuca), ?, Olimpia Moreira e Claudia Guedes. Embaixo: embora não siga uma ordem, os nomes que tenho em mente apontam para:  Rui Almeida Barbosa, Carlos Castro Alves,  Dadica, Neco Ventura, Luis Alves Costa, Figo Maduro, Geraldo, Marmelete... entre outros.


Preparados para a Comunhão Solene na Igreja paroquial de Moçâmedes, nos finais dos anos 1950, reconheço, entre outros : João Fonseca,  Laurentino Jardim, Agostinho (filho da cabeleireira Carlota), Walter Frota  ...


A nossa sociedade não sendo uma sociedade beata era respeitadora dos valores do catolicismo, sendo o elemento feminino o que mais frequentava a Igreja e as cerimónias religiosas e o que o mais acatava a religiosidade  para si e para a formação da sua prole. O dia da comunhão solene era um dia inesquecível, o culminar de uma por vezes longa preparação, através da catequese e da aprendizagem da doutrina, que envolvia não apenas as crianças como as suas famílias. As meninas iam vestidas como se de noivas se tratasse, umas com com vestidos compridos, véus e grinaldas, e outras até de anjinhos com asas nas costas e aura de flores na cabeça (vidé foto acima). Os rapazes iam vestidos de fato claro ou escuro, camisa e laçinho, parecendo já uns homenzinhos, embora a maioria se apresentasse com fatos compostos de casacos e calções, como era normal nas crianças e adolescentes em países de clima quente. Num dos braços ostentavam uma fita branca de seda e pontas caidas com dizeres alusivos à cerimónia estampados a dourado.  A seguir à cerimónia havia sempre um lanche composto de bolos e refrigerates, sandwiches, etc que no meu tempo era oferecido no interior de uma sala adstrita ao palácio do Governador, no rés-do chão, ali mesmo ao lado da Igreja matriz de Santo Adrião.

A 1ª Comunhão, ou Comunhão Solene é uma cerimónia religiosa da Igreja Católica Apostólica Romana, tal como o Baptismo, onde pela primeira vez a criança ( por volta dos 8/10 anos de idade) recebe a hóstia que simboliza o Corpo de Jesus Cristo. Alguns pais optavam por um almoço ou um jantar, em casa, reunindo a família e alguns convidados para tornar esta  data um marco religioso na vida da criança, em ambos os casos, havia sempre lembranças para elas que iam desde terços, "santinhos" ou estampas com dedicatórias e figuras de inocentes e bonitos anjinhos, pequenas Biblias, velas decoradas, etc

O que se passaria a seguir, diremos, é que a maior parte das crianças ao entrar na adolescência, sobretudo as do sexo masculino, adquirida a formação de base que lhes fora conferida pelos pais, paróquia, escola, comunidade, não voltavam a pisar os bancos da Igreja, senão quando mais tarde iam a casar ou para assistirem à comunhão de seus filhos, voltadas que passavam a estar para  actividades e interesses mais terrenos e mais de acordo com seus gostos e vontades. Mas ficava nelas aquele fundamento basilar para toda a vida. Segue um poema composto por uma moçamedense, Clementina de Castro Abreu que nos fala do set baptismo e da sua comunhão solene nesta mesma paróquia, a mesma onde casou e baptizou seus filhos:


Dedicado à minha terra

Moçâmedes onde nasci
E lá fiz o meu baptismo
Moçâmedes onde estudei
E aprendi o catecismo.

Ó minha terra natal
Onde aprendi oração
Na paróquia onde em criança
Fiz a minha comunhão.


Moçâmedes que me recordas
O dia do casamento,

Lá nasceram os meus filhos,
Não me sais do pensamento.

Moçâmedes tu serás sempre
Recordada com carinho
Desde o mar ao teu deserto
Percorri o teu caminho.

No deserto do Namibe,
Ó minha querida terra
Viemos nós para tão longe
Porque Angola estava em guerra.

A tua praia tão linda
Onde apetecia estar,
Em Março que bom que era
termos as Festas do Mar.

Não falando nos mariscos,
Que me estão a apetecer,
Pois desde que aqui cheguei
Não mais voltei a comer.

Ó terra da azeitona
Onde não havia igual
Também é terra das misses
Que vinham para Portugal.

Acho que por hoje já chega
Falar desse meu torrão
Por muitos anos que viva
Não me sais do coração.

Clementina de Castro Abreu
(ver AQUI)
MariaNJardim


1 comentário:

Anónimo disse...

Na 1ª. foto o Walter Frota é o último e está de lacinho. Na outra fila o 2º. é o João Fonseca.

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