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15 março 2012

Lugares e gentes da nossa terra: junto das gazelas na Avenida da República ou da Praia do Bonfim , Moçâmedes, Namibe



Foto de Carla Baptista

Emidio Sena

João da Silva Jardim

As duas elegantes gazelas em bronze, que ainda hoje podemos ver e apreciar, uma de cada lado, ladeando o espelho de água  neste  privilegiado  local, em Moçâmedes, Angola,  situado no topo da  Avenida da República , eram um atrativo para quem pretendesse através da fotografia, registar e guardar recordações para o futuro.

Nesta foto, tirada em 1967, uma menina de  então, a Carla Baptista, posa para a posteridade "montada" numa das duas elegantes gazelas. Obrigada Carla por ter facultado aos conterrâneos esta bela foto!



Foto gentilmente cedida por Mélita e Finita Parreira da Cruz

Por volta da mesma época outras duas meninas, as gentis manas Parreira da Cruz, Finita e Mélita, podem ser aqui vistas ao lado de uma das "famosas" gazelas  do  jardim da Avenida de Moçâmedes..

  
Octávia de Matos, filha de Octávio de Matos, o actor que perdeu a mão no Deserto do Namibe, onde o facto é lembrado ao visitante com uma espécie de pequeno poste terminando numa mão metálica aberta,  erigido no local em sua homenagem
Luisa Pólvora Dias, Eduarda Carvalho, Octávia de Matos  e Marizete Veiga.


E como não há duas sem três e mais, fomos descobrir outras quantas conterrâneas, Luisa Pólvora Dias, Eduarda Carvalho, Octávia de Matos (1) e Marizete Veiga posando para a posteridade neste belo local junto de uma das gazelas.  Estas  gentis senhorinhas, naquele tempo,  trabalhavam e estagiavam nos escritórios do Sindicato dos Empregados do Comércio  de Moçâmedes, na Rua Felner, e no intervalo para o almoço, aproveitaram para dar um passeio e tirar umas fotos..Nesta foto servindo de fundo, à dt., o imponente edifício do Tribunal, situado como não podia deixar de ser, no quadro das boas regras de urbanismo,  em local privilegiado, no topo  da mais importante Avenida da cidade, dominando todo o resto.
Luisa Pólvora Dias, Eduarda Carvalho, Octávia de Matos (1) e Marizete Veiga
Fotos cedidas por Marizete Veiga Baptista 
 
Chamo a atenção para o traçado das ruas da cidade de Moçâmedes  em forma de quadrícula, obra da sensibilidade do 5º governador distrital,  o jovem e talentoso empreendedor  Fernando da Costa Leal.   E também para a vista para esta Avenida que se podia fruir a partir do Palácio do Governador até finais dia anos 1940, um autêntico miradouro, como a foto a  nos mostra. 
 
Era esta a vista que até ao inicio dos anos 1950 os Governadores desfrutavam a partir das janelas laterais do palácio. A da extensa Avenida que terminava no antigo campo de futebol de terra batida, onde em tempos mais atrás se estreou o grande futebolista que foi Fernando Peyroteu, figura mítica do futebol português.Note-se que nesta altura ainda não haviam sido plantadas as palmeiras, a Avenida que de início as havia tido, agora exibia arvores de copa, incluindo oliveiras, tipo de árvore amplamente favorecida pelo clima da terra..
Namibe/ex-Moçâmedes
Nas fotos a seguir grupos de jovens de Moçâmedes, que à época frequentavam a Escola Comercial e Industrial Infante D. Henrique em Moçamedes . Estava-se então em meados dos anos 1960, também elas não resistiram à tentação de se deixarem fotografar juntos da famosas gazelas.

Camila, Luísa F. (?), Georgete Serra DuarteFátima Guedes,  Luisa F, Elizabeth Cruz, Líta Dias,  Isabel Baptista e Graciete Ilha Bagarrão.
Fotode Eduarda Figueiredo
Cidália Calão, Edite , Aurélia Faustino, Eusébio Grade, Palmira, Cila Calão, Gida Faustino, Ivone Henriques, Georgete Duarte, Zezinha, Eduarda Figueiredo, Fátima Duarte, Isabel Baptista,  Lucia Morais e Elizabete Jardim Cruz
  Foto de Eduarda Figueiredo
Lita Dias, Elizabete Jardim Crus, Graciete Ilha Bagarrão, Camila, Luísa F. (?) Fátima Guedes, Líbela? D, Isabel Baptista ,

 Foto de Eduarda Figueiredo
Eduarda Figueiredo,  Isabel Teixeira, Anisabel Mendonça e Adriana
Namibe/ex-Moçâmedes




A Avenida da República teve o privilégio de nos anos 1950 se embelezar grandemente com a construção do edifício do Palácio da Justiça, e com o mais bela vivenda da cidade de Moçâmedes. a grande vivenda cor-de-rosa de Raul Radich Jr., que ficou a dever-se ao gosto arquitectónico de Artur Homem da Trindade, e que na foto acima podemos ver, à direita. Para além da construção do novo edifício-sede do Grémio dos Industrias da Pesca e seus Derivados do Distrito de Moçâmedes, de linhas modernas, e de mais um  edifício, de esquina, também de Raúl Radich Jr. para habitação e escritórios, para além, é claro, do espelho de água e das gazelas,  da reorganização dos jardins (bancos, tanques de água, repuxos, canteiros, pérgulas, caramanchões, etc.), e da reabilitação das muralhas da Fortaleza de S. Fernando. Em contrapartida foi desmantelado e retirado do epicentro da Avenida o  velho e gracioso Coreto , ali colocado desde o último quartel do século XIX e que chegara incólome aos nossos dias. O Coreto onde aos domingos bandas de música iam tocar, e que fora ao longo de décadas  testemunho silencioso de toda uma série de eventos, desfiles recepções oficiais, encontro e reencontros que nesta Avenida, o nosso "Passeio Público" tiveram lugar... 


Do Caderno das Festas do Mar 1969



Através deste Mapa da baixa da cidade de Moçâmedes retirado de um caderno das Festas do Mar de 1969, e da foto com uma vista aérea da parte central da cidade na mesma década de 1950, podemos imaginar o projecto ordenadamente planeado que esteve por detrás e que teve na sua origem a orientação de Fernando da Costa Leal. A partir de uma rua de traçado rectilíneo paralela ao mar, a rua principal, a cidade foi ganhando terreno ao deserto através da abertura de novas ruas paralelas e perpendiculares, formando uma quadrícula quase simétrica de blocos rectangulares de casas (ou quarteirões), com frentes voltadas para as ruas, e traseiras interiores interligadas entre si. onde ficavam pequenos quintais que representavam os espaços verdes da baixa, para além, é claro, dos Jardins da Avenida da República ou da Praia do Bonfim.
 
Para dar um aspecto agradável às cidades, os urbanistas da época preocupavam-se com a abertura de espaço verdes de lazer e manifestações públicas e escolhiam para tal locais centrais e de acesso rápido a habitantes e forasteiros. E foi assim que, alí bem pertinho do mar, paralelamente à rua principal, nasceu esse belo, vasto e longitudinal jardim que se estende por dez quarteirões de casas, a perder de vista -o jardim da Avenida da Praia do Bonfim- preenchido com caramaxões de buganvílias, canteiros com as mais lindas flores, bancos de jardim, fontes água, repuxos, o tradicional coreto (lamentavelmente retirado décadas mais tarde), etc., etc.. É possível ver-se através de fotos muito antigas este espaço já reservado para o efeito, numa altura em que do jardim da Avenida apenas existia um esboço.


Também não foi por acaso que para o Palácio do Governador foi escolhida a Avenida Felner, alí bem perto da Avenida da Praia do Bonfim, porém suficientemente afastada do centro, e um dos pontos privilegiados da cidade, sobranceiro ao mar, para serem erigidos os mais importantes edifícios públicos, ou seja, numa 1ª fase, o Palácio/Residência do Governador, a Igreja Paroquial, o primitivo Hospital do Estado, (mais tarde demolido), e numa 2º fase, os edifícios das Finanças, o Palácio do Governo do Distrito e a Associação Comercial.

Foi também explorando o efeito de perspectiva que vimos surgir no topo dos jardins da Avenida da República o edifício do Palácio da Justiça (Tribunal), um edifício singular, de grande porte, tendo como enquadramento a fonte luminosa com elevados repuxos de água, ladeada por duas elegantes gazelas, um dos mais belos ex-libris da cidade. Como cidade litoranea fundada no período colonial português ( 4 de Agosto de 1849), Moçâmedes não poderia deixar de ter a sua Fortaleza, a Fortaleza de S. Fernando, para cuja construção foi naturalmente aproveitada a elevação de terreno sobranceira ao mar mais tarde envolvida por uma muralha perfeitamente adaptada à morfologia do terreno, por se tratar de um local facilmente defensável onde tem inicio à falésia, que separa a parte baixa da parte alta.

30 anos após a independência de Angola, a cidade de Moçâmedes (actual Namibe) apresenta um grande desgaste, não obstante ter sido poupada à longa guerra fraticida que desde então se estabeleceu, e não obstante o esforço que se vem verificando por parte das autoridades na sua recuperação.

A zona central da cidade de Moçâmedes, é sem dúvida um património urbanistico e cultural a preservar, com as suas ruas esquadrilhadas, o baixo casario ao estilo Algarvio, a vasta Avenida, a Praça Leal, e os edificios do antigo Grémio da Pesca e do antigo Hotel Central, da Câmara Municipal, da Capitania do Porto, da Alfândega, dos Caminhos de Ferro, do Tribunal, do Palácio do Governador, a Igreja Paroquial, o belo prédio da Desvia (ao lado da Câmara Municipal e actualmente em ruínas), etc., etc...

A preservação do património urbanistico e cultural constitui uma tarefa a que um Estado moderno não se deve furtar, sob pena de se perder para sempre no tempo referências que não podem ser esquecidas e omitidas do registo Historico. Assim as actuais autoridades de Angola saibam compreender isso mesmo e dar o verdadeiro valor às construções do tempo colonial preservando-as quanto possível intactas como verdadeiras relíquias que são, testemunhas silenciosas de um tempo que não volta mais, documentos historicos que a Historia não deve apagar. Para além, é claro do valor futuro em roteiros turísticos.

Recordemos, para não ir mais longe, o que a esse respeito escreveu o nacionalista angolano, Mário Pinto de Andrade 1:  «a cultura compreende tudo o que é socialmente herdado ou transmitido, o seu domínio engloba uma série de factos dos mais diferentes: crenças, conhecimentos, literatura (muitas vezes tão rica, então sob a forma oral, entre os povos sem escrita) são elementos culturais do mesmo modo que a linguagem ou qualquer outro sistema de símbolos (emblemas religiosos, por exemplo) que é o seu veículo, regras de parentesco, sistemas de educação, formas de governo e todos os outros modos segundo os quais se ordenam as relações sociais são igualmente culturais; gestos, atitudes do corpo, até mesmo as expressões do rosto, provêm da cultura, sendo em larga escala coisas socialmente adquiridas, por via da educação ou da imitação; tipos de habitação ou de vestuário, instrumentos de trabalho, objectos de trabalho, objectos fabricados e objectos de arte, sempre tradicionais, pelo menos em algum grau - representam, entre outros elementos, a cultura sob o seu objecto material. (1. in Mário Pinto de Andrade Do Preconceito Racial e da Miscigenação [inédito].

Ficam mais estas recordações
MariaNJardim

08 fevereiro 2011

Gente de Moçâmedes (actual Namibe) em agradável convívio: 1964

 


Muitas caras conhecidas neste grupo de moçamedenses, que se divertem, confraternizando. Da esq. para a dt, de pé: Eugénio Paulo (de costas)e Helena Felix Paulo, José Adriano Borges, Rui Frota, , Teresa Banha Duarte,  Ângela Frota, Manuela Campos Frota (só se vê parte da cara), ?????,  a mãe e a esposa de A.Militão (do Banco de Angola) no canto dt..
Da esq. para a dt. de pé: José Guedes Duarte, Sallete Leitão


 
Da esq. para a dt: o saudoso José Adriano Borges, Ruth Gomes Borges e a filha Manuela, Mário Rogério e Afra Leitão, ??????, A. Militão (do Banco de Angola),  esposa, mãe e filhos, e no canto dt. Aurélio Saavedra de Oliveira e Gina Saavedra, a esposa. De Aurélio Saavedra de Oliveira, o inesquecível Chefe de Repartição da Câmara Municipal de Moçâmedes (sector obras públicas), tenho a imagem de uma pessoa excepcionalmente bem disposta e brincalhona, junto da qual ninguém poderia estar infeliz. Fotos gentilmente cedidas por Telmo Ascenso. Ficam mais estas recordações.

09 outubro 2007

Paroquianos de Moçâmedes e Porto Alexandre


 


1ª foto: Igreja de Porto Alexandre
2ª foto: Grupo de paroquianos em confraternização com o padre Pinto Lobo. Entre outros, encontram-se na foto, da esq. para a dt: Mélita Parreira da Cruz, Parreira da Cruz e esposa, professora Albertina (irmã do Dr Rui Coelho), Januário Tendinha, Lurdes Ilha Tendinha. Odete Maló de Almeida e filho, e mais à dt. Ângelo Nunes de Almeida (marido)
, o casal, Mª Luísa Arrobas e marido, o Secretário da Administração de Porto Alexandre, (pais de João A. marido de Olívia Pisoeiro, Fernando, Mª Emília A.Carneiro e Mª Fernanda A.da Silva, (que casou com o Prof. Neves).

06 outubro 2007

Familias de Moçâmedes no Caraculo: 1960

Reconheço nesta foto, de pé e da esq. para a dt.: Edith Torres, Rui Torres, Maria Amélia Parreira da Cruz, Eduardo de Mendonça Torres ( o proprietário das Hortas) e Parreira da Cruz.
À esq., sentadas na escada: Paula Chalupa e Rui Torres filho (em cima),
Finita Parreira da Cruz e Vitoca Torres ( sentados no 2º degrau), Estela (irmã da Maria Amélia Parreira da Cruz ) e Mélita Parreira da Cruz (em baixo).

SONHO

Num preclaro dia, sorria e sonhava;
num silêncio de fogos ao longe,
belo Pássaro azul, despertava,
me dizia: "Voemos, para Maconge!"

Assim sobre nuvens fomos, voámos,
nos extremos asas se tocando,
pelas celestes águas deslizámos,
o Sabedor a rota conduzindo.

Atlântico mar Diogo navegou
em lúcidas marés e brisa forte;
lá nos tempos de antanho desbravou
terra e céus, com a estrela da sorte.

Vão pelo aéreo sonho acicatados,
estes novos nautas, agora alados;
pelo vapor em leveza descendo,
do Cherungo, a enseada avistando.

Tendo a costa e praias sobrevoado,
rumo ao sol, no horizonte alçado;
meu companheiro tudo explicando,
pelo curso do Giraúl nos guiando.

Do Namibe quentes brisas vinham,
asas de outras formas e cores vieram;
pelo riso das águas se alegrando,
da providencial pedra bebendo.

Nas cores do alvor, um sunguiandondo;
lá do norte, bem do
Caraculo
um pica-pau vem, aqui bangula.
Alto, o astro-rei, belo e redondo.

Cruzando agora o rio, que é Munhino,
buscando o fluxo do seu afluente,
com o bando cantando, contente,
rápido seguíamos p´ro destino.

Aquando já das margens íamos saindo,
logo me disse meu Amigo de viagem:
"este é bico que vem de passagem:
tal um beija-flor", o mariapindo.

Da Bibala um kinkanga chegou
(tal como alguém disse, é um cuco)
havíamos de escutar o que nos informou:
"Um pouco mais abaixo, fica o Bruco!"

Voando ao lado um sumbo - maçarico
e atrás um xinquengue - periquito;
e já Capangombe avistávamos,
à esplêndida Leba chegávamos!

Terminada a viagem, inda era dia,
duas aves, um sonho e um coração,
cantam agora idêntica canção:

publicado por zé kahango in:
http://poemangola.blogs.sapo.pt/2006/03/

28 agosto 2007

Gente de Moçâmedes: a familia Tito de Gouveia

                                                                    
 


Nesta foto podemos ver uma família reunida, a família Gouveia: Tito de Beires Lopes Freire de Gouveia (pai) de pé, Cecília (mãe) e os três filhos, Abílio, Maria (à esq.) e Maria Augusta (à dt.).Abilio (à janela), era um excelente guia do deserto, filho de um outro guia, Tito, que trabalhava para a DTA, as antigas linhas aéreas de Angola.

Tito de Gouveia, pai, um dos pioneiros da aviação em Angola, foi quem pilotou a avionete que trouxe a imagem de Nossa Senhora de Fátima até nós, em 1948, no decurso da peregrinação por terras de Africa.



Em Angola, distrito de Moçâmedes, Tito Gouveia era fiscal de caça
 

Maria e Maria Augusta (as irmãs Tito, como eram conhecidas nos meios desportivos da cidade) foram pioneiras do basquetebol feminino na cidade de Moçâmedes tendo alinhado nos finais da década de 40, pelo Sport Lisboa e Benfica e mantido uma longa actividade desportiva, primeiro como jogadoras deste clube, e posteriormente integrando no Atlético Clube de Moçâmedes, onde viriam a terminar a sua carreira desportiva, já na 2ª metade da década de 50.
Pioneiras de basquetebol feminino em Moçâmedes
Maria Gouveia e MariaAugusta Gouveia (as irmãs Tito), por volta de finais da década de 1940   integraram a equipe pioneira de basquetebol feminino em Moçâmedes, o Sport Moçâmedes e Benfica. Como o Benfica na época não possuia nesta modalidade clubes competidores em Moçâmedes o clube teve que criar duas equipes femininas que se disputavam entre sí, uma vestida com camisolas brancas, outra com camisolas vermelhas. Esta foto representa uma dessas equipes, a das camisolas vermelhas e dela faziam parte: Em cima: Luciana Maia, Hélia Paulo. Maria Gouveia, Esmeralda Figueiredo e Maria Guerra Em baixo: Maria Augusta Gouveia, Olga Coquenão (Lola) e Ana Liberato.
Após o surgimento das equipes femininas pioneiras de basquetebol do Sport Lisboa e Benfica em 1944, deu-se um interregno, e só muitos anos mais tarde, no princípio da década de 50, surgiram com força e determinação as novas equipes femininas de basquetebol do Atlético Clube de Moçâmedes, do Sporting Clube de Moçâmedes e do Independente Clube de Porto Alexandre. O Atlético viria a beneficiar com a entrada de Maria e Maria Augusta na nova equipa.
 
O casal Abilio e Manuela Sena Costa

photo

Manuela Sena Costa nos seus tempos de solteira também chegou a integrar uma das equipas de Basquetebol feminino do Sport Moçâmedes e Benfica. Ei-la aqui integrada  neste conjunto, envergando a camisola n.9 . São, da esq. para a dt. Em cima: Isaura Aguilar, Alice Teixeira, Manuela Costa e Carla Frota. Em baixo. Ivone Bernardino, Carolina Frota 
Em Porto Alexandre,  Manuela Sena Costa ladeada pelas amigas Eduarda Carvalho e América Pisoeiro
Abilio e as filhas do casal, Isa e Neide

[casa+Titos+1.jpg]
                                                                         
Nesta foto, tirada no decurso de uma festa de aniversário em casa da família Gouveia, reconheço, entre outras/os, no canto à esq., Maria Augusta Gouveia com o pai, o Tito Gouveia por detrás, a mãe Cecília (ao centro), ladeada pelas duas netas, Isa e Neide, e logo atrás, Maria Gouveia
Aniversário de Neide (a menina que está a apagar o bolo), filha de Manuela Costa e de Abílio Tito de Gouveia, tendo a seu lado o irmão mais novo. Ao fundo, à dt de Maria Augusta Gouveia, sentado, de óculos encontra-se António José de Carvalho Minas (Tó Zé), rodeado das filhas Milu e ?  De pé, à dt, Isabel (Isa), então com 11 anos, tendo, na foto, à sua dt. a tia Isabel Maria Sena Costa (Belita) que confeccionou o bolo, e sentada a seu lado mãe Lurdes Minas (enfermeira).  Na foto encontram-se também Tozé, Leninha, e Riquito. Em frente a Maria Augusta  de pé, Cláudia (prima) e à esquerda Felipe e Vasco Sousa Coutinho, e os vizinhos e amigos de brincadeiras Ani Abreu, Manelzinho, o irmão Paulinho e o mais velho Julinho.

Pela data escrita podemos ver que se estava a passos largos a caminhar para o 11 de Novembro de 1975, dia da independência de Angola, o mesmo é dizer para a grande fuga de portugueses, angolanos brancos, mestiços e até negros, ainda que em menor número do território, onde já nesta altura os movimentos de libertação se degladiavam entre si na luta pelo poder, perante a passividade do exército português que, pelo menos até  ao arrear da bandeira lusa, deveria estar alí para assegurar, em paz, o momento da transmissão do poder, que se pressupunha, segundo os Acordos de Alvôr, vir a ser antecipado de eleições.

A 12 de agosto desse ano a familia Gouveia desembarcaria no Rio e nunca mais voltaria a  pisar terras de Angola. E assim Moçâmedes, hoje Namibe, ainda antes da data marcada para a independência, se despojou de mais de 90 da sua população de origem europeia. Os que persistiram, acabariam por debandar nos meses que se seguiram ao 11 de Novembro de 1976.

No blog do moçamedense Roberto Correia, ANGOLABRASIL, na parte que respeita a militares portugueses que esriveram envolvidos em campanhas em Angola  e que no do século XX optaram por não regressar à Metrópole, consta o nome do 1º Cabo de Infantaria Tito Lopes Freire Gouveia (Moçâmedes).

Clicar aqui: «album de fotos de desporto na cidade de Moçâmedes»
e aqui: equipe pioneira de basquetebol feminino do Sport Moçâmedes e Benfica.
E ainda, no UTUBE, este slideshow
Créditos de imagem: http://groups.msn.com/ComunidadeVirtualdeNamibe

Ver aqui :
O BLOG DA NEIDE

Gente de Moçâmedes



1ª foto
Da esq. para a dt.
? Nunes e Reis

2ª foto:
Da esq. para a dt.
Nesta visita a um navio de passagem por Moçâmedes no tempo qm que ainda não existia a marginal nem o cais comercial, reconheço, entre outras: Josefa do Ó. Faustino e Maria Monteiro.


2ª foto:
D
a esq. para a dt.
Em cima: Adriana Varandas(2),,,,, Soledade (10),,,,,, Artur Tarira(16)
Em baixo: no canto esq., os filhos de Adriana, Edna, Cidália e Adelino Teixeira, ....,,,,
NAMIBE

Chamavam terras desertas
Ou terras do fim do mundo,
Tinham pessoas abertas,
Amizades boas, certas,
Que calavam cá bem fundo.

Ainda tenho saudades.
mas de lá, quem as não não tem,
Espaços de liberdade.
E de muitas amizades,
Traídas não sei por quem.

Por isso choro em tristeza,
Às vezes com emoção,
Por ver tamanha vileza.
Sem um resto de nobreza,
Existente na nação.

Terras nobres, boa gentes,
E por Deus abençoadas,
Não vais ficar indiferentes,
Vão olhar tudo de frente,
Apesar de mal tratadas.

E assim encontrarão
Quem acabe aquela guerra,
Vai nascer uma nação,
Já com alma e coração
Voltará a nossa terra.

João Gonçalves Costa
01.01.2002

31 julho 2007

Meninos e meninas de Moçâmedes, em dia de «Comunhão solene»: finais da década de 50


Grupo de rapazes e raparigas, após terem recebido os sacramentos da Comunhão solene, em foto junto da Casa de Santa Filomena, onde a veneranda e piedosa D. Aline ministrava o catecismo. A Casa Santa Filomena ficava junto ao antigo Colégio das Irmãs Doroteias de Moçâmedesm ali para os lados do antigo campo de futebol e Estação dos Caminhos de Ferro. São elas e eles, da esq. para a dt, em cima: Arménio Minas, ?, Guida Frota, Hildeberto Madeira (Betuca), ?, Olimpia Moreira e Claudia Guedes. Embaixo: embora não siga uma ordem, os nomes que tenho em mente apontam para:  Rui Almeida Barbosa, Carlos Castro Alves,  Dadica, Neco Ventura, Luis Alves Costa, Figo 
Maduro, Geraldo, Marmelete... entre outros.

No mesmo dia com a professora Lucilia Campos Rocha

Bispo com crianças de Moçâmedes no dia da 1ªComunhão
Bispo com crianças de Moçâmedes no dia da 1ªComunhão



Preparados para a Comunhão Solene na Igreja paroquial de Moçâmedes, nos finais dos anos 1950, reconheço, entre outros : João Fonseca,  Laurentino Jardim, Agostinho (filho da cabeleireira Carlota), Walter Frota  ...




 Faustino com garotos de Porto Alexandre em dia de comunhão solene

Padre Simões e com grupos de jovens de Moçâmedes em dia de comunhão solene. 

 Victoria Rosa.  1952?

Bispo com crianças de Moçâmedes no dia da 1ªComunhão


 Bispo com meninas do Colégio de Moçâmedes em dia de  1ª Comunhão 

                    Bispo com meninas do Colégio de Moçâmedes em dia de  1ª Comunhão 

                       Bispo com meninas do Colégio de Moçâmedes em dia de  1ª Comunhão 












 






A nossa sociedade não sendo uma sociedade beata era respeitadora dos valores do catolicismo, sendo o elemento feminino o que mais frequentava a Igreja e as cerimónias religiosas e o que o mais acatava a religiosidade  para si e para a formação da sua prole. O dia da comunhão solene era um dia inesquecível, o culminar de uma por vezes longa preparação, através da catequese e da aprendizagem da doutrina, que envolvia não apenas as crianças como as suas famílias. As meninas iam vestidas como se de noivas se tratasse, umas com com vestidos compridos, véus e grinaldas, e outras até de anjinhos com asas nas costas e aura de flores na cabeça (vidé foto acima). Os rapazes iam vestidos de fato claro ou escuro, camisa e laçinho, parecendo já uns homenzinhos, embora a maioria se apresentasse com fatos compostos de casacos e calções, como era normal nas crianças e adolescentes em países de clima quente. Num dos braços ostentavam uma fita branca de seda e pontas caidas com dizeres alusivos à cerimónia estampados a dourado.  A seguir à cerimónia havia sempre um lanche composto de bolos e refrigerates, sandwiches, etc que no meu tempo era oferecido no interior de uma sala adstrita ao palácio do Governador, no rés-do chão, ali mesmo ao lado da Igreja matriz de Santo Adrião.

A 1ª Comunhão, ou Comunhão Solene é uma cerimónia religiosa da Igreja Católica Apostólica Romana, tal como o Baptismo, onde pela primeira vez a criança ( por volta dos 8/10 anos de idade) recebe a hóstia que simboliza o Corpo de Jesus Cristo. Alguns pais optavam por um almoço ou um jantar, em casa, reunindo a família e alguns convidados para tornar esta  data um marco religioso na vida da criança, em ambos os casos, havia sempre lembranças para elas que iam desde terços, "santinhos" ou estampas com dedicatórias e figuras de inocentes e bonitos anjinhos, pequenas Biblias, velas decoradas, etc

O que se passaria a seguir, diremos, é que a maior parte das crianças ao entrar na adolescência, sobretudo as do sexo masculino, adquirida a formação de base que lhes fora conferida pelos pais, paróquia, escola, comunidade, não voltavam a pisar os bancos da Igreja, senão quando mais tarde iam a casar ou para assistirem à comunhão de seus filhos, voltadas que passavam a estar para  actividades e interesses mais terrenos e mais de acordo com seus gostos e vontades. Mas ficava nelas aquele fundamento basilar para toda a vida. Segue um poema composto por uma moçamedense, Clementina de Castro Abreu que nos fala do set baptismo e da sua comunhão solene nesta mesma paróquia, a mesma onde casou e baptizou seus filhos:


Dedicado à minha terra

Moçâmedes onde nasci
E lá fiz o meu baptismo
Moçâmedes onde estudei
E aprendi o catecismo.

Ó minha terra natal
Onde aprendi oração
Na paróquia onde em criança
Fiz a minha comunhão.


Moçâmedes que me recordas

O dia do casamento,

Lá nasceram os meus filhos,
Não me sais do pensamento.

Moçâmedes tu serás sempre
Recordada com carinho
Desde o mar ao teu deserto
Percorri o teu caminho.

No deserto do Namibe,
Ó minha querida terra
Viemos nós para tão longe
Porque Angola estava em guerra.

A tua praia tão linda
Onde apetecia estar,
Em Março que bom que era
termos as Festas do Mar.

Não falando nos mariscos,
Que me estão a apetecer,
Pois desde que aqui cheguei
Não mais voltei a comer.

Ó terra da azeitona
Onde não havia igual
Também é terra das misses
Que vinham para Portugal.

Acho que por hoje já chega
Falar desse meu torrão
Por muitos anos que viva
Não me sais do coração.

Clementina de Castro Abreu
(ver AQUI)
MariaNJardim