14 novembro 2007

Almoço de confraternização do pessoal ligado à Casa de Saúde do Sindicato dos Empregados do Comércio de Moçâmedes







1ª foto: A Nova Casa de Saúde do Sindicato dos Empregados do Comércio de Moçâmedes, sita na rua perpendicular à Avenida da Praia do Bonfim que passa à frente do Palácio da Justiça e da Fonte das gazelas.

2ª e 3ª fotos: Almoço de confraternização dos Empregados da Casa de Saúde do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio de Moçâmedes, corpos directivos e convidados, onde se podem ver, em 1º plano, de fronte, e da esq. para a dt.: o casal Manuel João T. Carneiro (advogado), esposa Manuela e filhos, e o casal Chalupa e filhos. À esq., Américo (Sofrio) e esposa, Luís Gonzaga Bacharel e esposa, ?,?,?. Ao fundo, Manuel Bagarrão (Nelinho) e filho, ?,?, .

4º foto: Outra perspectiva do mesmo almoço onde se podem ver, de fronte, e da esq. para a dt.: ??, Eduarda Carvalho e marido, Zete Veiga e marido, Diogo Baptista; Dr. Pinhão de Freitas (médico), esposa e filho, Dr Vaz (médico) e esposa, Américo (Sofrio) e esposa. De costas: o casal Chalupa e filhos e o Dr. Carneiro e filho.
 
Fotos gentilmente cedidas por Marizete Veiga, então escriturária na Secretaria da Casa de Saúde deste Sindicato.


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Sem desprestígio para os demais, aproveito para fazer aqui uma referência a uma senhora, uma poetisa, que no decurso da sua  não muito demorada passagem estadia em Moçâmedes deixou a sua marca: Concha Pinhão 
 
Tinham passado 33 anos...  Num dos encontros anuais na mata de Caldas da Rainha voltei a ver Concha Pinhão. Estava ali a oferecer aos moçamedenses interessados na sua poesia alguns exemplares do livro de poemas «Sabor Amargo, Amargo Sabor». Tive o prazer de ser uma das contempladas. 
 
Recordo a figura de Concha Pinhão quando, na companhia do marido, Dr Pinhão de Freitas (médico) esteve em Moçâmedes. Recordo que em 1971, Concha fora contemplada com o 1º prémio dos Jogos Florais das «X Festas do Mar». Aliás, o Diploma e a medalha que lhe foram entregues na altura pela Câmara Municipal de Moçâmedes, ilustram a última página deste seu livro.

A Concha Pinhão que vi em Moçâmedes, era mulher de altura mediana, magra, têz clara e cabelo negro penteado ao alto, que fazia lembrar uma sevilhana. Concha emanava uma certa exuberância que dava nas vistas. Para quem não conhecesse a sua faceta intelectual e de poetisa, era o penteado que a distinguia das demais mulheres da minha terra.

Desconhecia o tom provocatório que imprimia nas quadras que fazia  dedicadas à "flor fina" de Moçâmedes, apanhando-lhes os geitos bons e maus. Fiquei maravilhada com a erudição, simplicidade e  ritmo dos seus escritos, grande parte dos quais nos remeteram para os meus 30 anos e despertaram em mim sensações de toda a saudade que Concha sentiu ao escrevê-los. A sua poesia de cariz social muito bem observada com apelos tocantes é por si só reveladora da sua fina sensibilidade.

Passarei transcrever alguns dos seus versos, respeitando tanto quanto possível as respectivas datas:


MAR DESFEITO

Na praia das Conchas, fito
O mar revolto, infinito,
Bater nas rochas, desfeito...
E olhamo-nos, tanto, tanto,
Que suas ondas são pranto,
Que vem bater no meu peito...

Angola, 1968
(Concha Pinhão)
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À Querida amiga Celeste Fonseca


Fala bem esta Senhora
Mais parece uma doutora
Tal o seu vocabulário
Que uma amiga despeitada
Diz que ela come em salada
Folhas de Dicionário

Moçâmedes, 1971
(Concha Pinhão)
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UM JUIZ AMIGO

Do doutor Juiz, eu sei
Que ao dissertar sobre a lei
Crê dizer coisas sagradas;
Mas a rir sinto vertigens
Porque sei que leis e virgens
Nascem pra ser violadas

Moçâmedes, 1971
(Concha Pinhão)
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NAMIBE

Por tê-lo assim tão de perto,
A areia deste deserto
Enamorou-se do mar.

E vive ardente, corada
Por sentir-se desejada
Desejada sem se dar.

Angola, 1968
(Concha Pinhão)

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BRUMA

Chora minha bandeira,
Chora
Que o teu corpo de quinas
Vai amanhã enrolar
Como trapo no mercado
Dos sem fé a governar.

Chora minha bandeira,
Chora
Pelo vermelho sangrento
Do gentio abandonado
De gente que deu suor
Foi escravo,
Foi senhor
E foi evangelizado.
Chora minha bandeira,
Chora
Por portugueses, corsários
Aventureiros,
Audazes
Negreiros
Homens rapaces
Homens que rasgaram mares
Descobriram continentes
Juntaram sangues diferentes
Inventaram essas gentes
Portugueses d'Além Mar

Os homens passam
Pequenos
tempo curto no viver
Ficarão no pó da estrada
Sem merecimento ter

Nossa bandeira irmanada
Há-de brilhar desfraldada
Nos mundos que viu nascer

Estoril, 1976
(Concha Pinhão)

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Boina Azul

Partirão de novo
Pela madrugada
Percorrendo trilhos
Em que ninguém crê
No corpo do povo
A boina azulada
Heróis andarilhos
Não sabem porquê!...

Comando ambição
Ordena lá vão
Cumprindo a lei
Lá fora sem fronteir
Perdida bandeira
Perdido seu rei.

Estoril 1987
(Concha Pinhão)
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TERRA TRISTE


Ai! Moços da terra triste
A vossa esfera armilar
Não tremula não existe
Nos campos por cultivar

Ai! Moços da terra triste
Andais mesmo sem saber
Onde encontrar lar ausente
Sem pai... sem mãe... sem mulher

Logro de mãe erudita
Embrulhada na desdita
De quem nasceu menos forte
Tenta saida de sorte
Pela porta que resiste

Os filhos no infantário
Lar comprado - imaginário

Ai! Moços da terra triste...

Estoril 1988
(Concha Pinhão)

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A LISONJA


É a lisonja nefasta
Quando a verdade se afasta
Da verdade que nós somos
Nosso ego croa sinhos
De bergantim sobre o mar.

Com o falar lisonjeiro
Tem cautela marinheiro
não te deixes afundar.

Estoril 2002
(Concha Pinhão)
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Poema dedicado ao marido, o Dr. Pinhão, (nas fotos, ao fundo, de óculos escuros).


Esse médico...que conheci



Corria na madrugada
Sempre que alguém gritava
Por um filho que nascia
Na mata verde parava
Cubata se iluminava
O milagre acontecia

Exausto mas deslumbrado
Sorvia cheiro a molhado
Do capim rasgando o chão

Só quem viu terra-parida
Conhece a força incontida
Nessa terra em convulsão


(Concha Pinhão)

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Concha Pinhão foi a vencedora do 1º prémio dos Jogos florais das «x Festas do Mar» 1971, com o poema «Embondeiro»:

EMBONDEIRO

Irei amar-te,
Embondeiro
Meu tronco seco no teu,
Braços que vão pocurar
Outros que buscam o céu,
que nesse monte cimeiro
onde vives desolado,
Vou cobrir teu peito nu.
Com o meu cabelo enrolado!

Na solidão... eu e tu.

Estendo tuas raízes
A dar seiva a quem passa,
Agente que passa a rir,
Fingindo que são felizes
Num mundo todo a ruir.

Ao menino deserdado,
mais pobrinho,
mais sozinho,
Que brinca lá na lagoa,
Dou teu fruto aveludado
Para fazer uma canoa.

Dou o teu ventre fibroso,
A mendigo desditoso,
Por abigo em noite fria;
E as feras mansas, tremendo,
No medo sem companhia.

Nós vamos rindo embondeiro
Desse teu monte cimeiro,
De quem ri da solidão.
De ti, que não vales nada,
Nem dás tábua para caixão

Como é bom ser esse nada!...
Não dar tábua serrada,
Não ser madeira forrada,
A transportar podridão!...


(Concha Pinhão)

Ficam mais estas recordações




MariaNJardim



Recordando ainda mais ...

Seguem alguns nomes de médicos, dentistas, analistas, enfermeiros e parteiras, que no decurso dos anos passaram pelas cidades de Moçâmedes e Porto Alexandre:
 
1. Médicos
Dr. Paixão, Dr. Damas Mora, Dr. Aguiar Branco, Dr. Moreira de Almeida, Dr. Raul Farrica,
Dr. Dr. Julio Monteiro, Baptista Coelho (dentista), Dr. Milheiro de Campos (dentista), Dr. Luis Serra de Matos, Dr. Mário Castelo Branco Biscaia, Dr. Augusto Herculano de Morais Alvim, Dr. Jaime Delgado (falecido em acidente de aviação na estrada para a Praia Azul), Dr. Julio Monteiro, Dr. Mário Miranda Garrido, Dr. Maia, Dr. Veloso (último médico de Porto Alexandre), Dr. Gata, Dr. Vaz, Dr. Pinhão de Freitas, Dr. Sotero, Dr José Manuel Marques de Carvalho (falecido juntamente com a esposa, Maria do Rosário, num acidente de avião nas dunas da Baía dos Tigres),

2. Analistas:
Dr. Julio Mac-Mahon Vitória Pereira...
 
3. Enfermeiros:
Coelho, Franco, Reinaldo Chibante, Egídio da Silva Jesus (Enfº do CFM), Milagre (Dispensário), Fernanda (Dispensário), Rodrigues (Hospital Moçâmedes), Cortês (enfº chefe do Hosp. Moçâmedes)

4. Parteiras: Maria Júlia Pinto Pereira Duarte de Almeida (neta do 1º residente bacharel em medicina), Fauna Souto, Olga, Aurea Marina Duarte Pereira de Lima, Ângelo, Isabel, Paula, Crescencio Lopes, Leal, Loureiro,

1 comentário:

vasco freitas disse...

Bem haja pelos seu comentários e pelos versos da minha mãe que escolheu.
Foi pena só ter descoberto esta sua página só agora já que a minha mãe, falecida em Setembro último iria concerteza adorar esta sua atenção.

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