10 agosto 2008

O Observatório Metereológico de Moçâmedes e a Estação de Serviço Texaco



O Observatório Metereológico de Moçâmedes


Vista da cidade de Moçâmedes  onde podemos ver o enquadramento do Observatório no conjunto da cidade. Ficava num local privilegiado, um pouco atrás do edifício dos CTT e do antigo Horto Municipal na direcção da praia. Na zona do Horto,  o denso arvoredo, à dt, mais tarde passou a estar a "Bomba de Gasolina" de que Artur Paulo de Carvalho (Turra) era concessionário. O Horto, a mancha densa de árvores formando um rectangulo quase perfeito era o local onde se plantavam e cultivavam as árvores que eram depois transplantadas para os jardins da cidade, bem como arbustos e flores de várias espécies e de diversificadas cores destinadas aos canteiros da Avenida e também para serem vendidas por ocasião do dia de Todos os Santos e Finados, para serem colocados campas, jazigos e mausoléus do Cemitério da cidade.


"Bomba de Gasolina" de que Artur Paulo de Carvalho (Turra)
era concessionário

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Outra perspectiva da Avenida da República e da Rua da Praia do Bonfim, que passa em frente ao Cine Teatro de Moçâmedes. Podemos ver aqui a Rua Alves Bastos, em homenagem ao homem mais rico de Moçâmedes nos primórdios da colonização, ou seja a que passa entre a Avenida e o Edifício dos CTT.


O Observatório Metereológico de Moçâmedes era um bonito edifício, que jamais deveria ser demolido; ele tinha algo que fazia lembrar a Torre de Belém, com as devidas distâncias é claro, mas um dia chegou em que um qualquer cérebro luminoso, daqueles que de quando arribavam na nossa terra durante uns anos para em seguida levantar vôo não se sabe para onde, resolveu que não estava alí a fazer nada. Segundo a sua óptica, a Praia das Miragens necessitava do espaço entre o Observatório e a Fortaleza, do que resultou que, pura e simplesmente o Observatório acabou banido do património cultural e arquitectónico da cidade. E foi, sem que a população fosse auscultada como era, aliás, próprio das ditaduras! Quanto aos serviços meteorológicos, estes mudaram-se lá para os lados do novo edifício do Rádio Clube de Moçâmedes, para um edifício vulgar que passava despercebido de toda a gente. Do Observatório que nos fornecia informações sobre o tempo e o clima permanentemente (chuva, velocidade do vento, humidade do ar, temperatura, entre outras) já só restam algumas fotos ou até memo apenas esta!

Um outro edifício que também existia ao lado do edifício do Observatório metereológico (2ª foto, canto inf. esq.) era o do Matadouro Municipal. Ambos já existiam antes da construção da Estação dos Caminhos de Ferro,  conforme fotos antigas mostram. Aliás, o Observatório tem na fachada a data da sua inauguração: 1883. Nesse mesmo alinhamento, a olhar para a Avenida e de costas para a praia, ficava o "Talho do Barbosa", em sociedade com Cecílio Moreira.
Repare-se na mancha densa de arvoredo que percorre a Avenida e que inclui os caramanchões. A respeito desta Avenida há algo que me baralha completamente. Embora não tenha dúvidas que a Avenida em outros tempos se chamou-se Avenida D. Luis, e teria passado para Avenida da República com a queda da monarquia em 1910, o certo é que para a maioria das pessoas era conhecida como a Avenida da Praia do Bonfim, confundindo talvez o nome da Avenida com a Rua da Praia do Bonfim que passa junto ao Cine Teatro Moçâmedes. Problemático é que até há postais que assim a denominam.

Esta Avenida nos anos 1960 passou a ostentar uma coluna com um busto de Bernardino Freire de Abreu e Castro, o chefe da 1ª colonia vinda do Brasil, em 1849, para dar início ao povoamento brando de Moçâmedes. Esse busto foi retirado em 1975, quando da independência de Angola, e encontra-se presentemente no Museu Etnográfico da cidade do Namibe, onde se encontram expostos alguns os fragmentos do Império. Trata-se do antigo prédio que foi residência da Família Mendonça Torres , e foi mais tarde convertido em Hotel Central, situado no gaveto da Rua dos Pescadores com a Rua 4 de Agosto. Há notícas de que o pilar que suportava o busto de Bernardino voltou a aparecer na vasta Avenida, mas agora ostentando o busto de Joaquim Alves da Costa, o Chefe da 2ª colonia chegada a Moçâmedes ida de Pernambuco (Brasil) em 1850.  Porquê a troca? Talvez por uma questão de antipatia ou de ideologia, dado que Bernardino foi um miguelista, e por tal, talvez conotado com o  absolutismo monárquico. Será?Sabe-se no entanto, também que Bernardino trocou correspondência com o Visconde de Sá da Bandeira apoiando a sua causa da abolição da escravatura nos territórios africanos. Por outro lado sabe-se que o chefe da 2ª colónia era uma homem pobre, que partira para o Brasil em busca de uma vida melhor,  e que seu filho Nestor era considerado um "colono bom" pelos africanos que trabalhavam na sua propriedade. Será por isso? De qualquer modo é de louvar  que o busto de José Joaquim da Costa, ocupe um lugar de honra na Avenida principal do Namibe. É atitude reveladora de grande maturidade.

Em contrapartida deixo aqui um reparo à Câmara Municipal de Moçâmedes que destinou a Bernardino Freire de Figueiredo  a  rua perpendicular ao mar, que, nascendo na Rua da Praia do Bonfim, atravessa as ruas dos Pescadores , das Hortas, Governador Calheiros e termina na Rua da Fábrica.


Ficam mais estas recordaçoes


MariaNJardim

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