15 agosto 2008

«Copo de água» no Palácio do Governador - Moçâmedes (finais da década de 60)



Esta foto  foi tirada, segundo a pessoa que me a disponibilizou, no decurso de um «copo de água» oferecido no Palácio do Governador por ocasião do casamento da filha do encarregado do Governo de Moçâmedes, Intendente Amoreira Martins, e nela podemos ver, entre outros, à dt. o moçamedense Artur Trindade, que na altura desempenhava o cargo de Secretário da Câmara Municipal de Moçâmedes.

Como não há nada mais a acrescentar sobre este "copo de água", parodiando «casamentos reais» e outras coisas mais passadas na nossa Moçâmedes, deixo aqui uma das suas muitas estórias  de Jota Carranca que vêm sendo publicadas in Sanzalando em Angola de um modo tão peculiar como é o seu:

"...Já fui ao santo sacrifício da saída da missa, ali ao lado Palácio do Governador, na Igreja de Santo Adrião. Me lembro uma vez que a cidade fechou porque era o casamento da filha do Sr. Governador (Salles de Brito). Parecia o casamento do Príncipe inglês. Cortejo a pé e o povão a atirar qualquer coisa que esqueci. A gente não foi na boda mas ficou feliz. Pobre fica mesmo feliz só de ver os outros feliz. Mas isso era outra coisa. Hoje é Domingo, está calor para caramba e o melhor mesmo é ir até na praia. Vesti os calções, os chinelos de plástico de enfiar no dedo, agarrei na toalha e zarpa que se faz tarde. Praia das Miragens aqui estou eu. Fico na direcção da porta do Club Náutico porque…Num posso nem pensar. Mas ela vai chegar e fica sempre ali. Chapéu de Sol alaranjado. Vem sempre de pai e mãe a tiracolo. O Bouca de Sapo já estacionou. Incho o peito, endireito as costa e dou nas vistas. Bom dia como estao? ‘Bem!’ figuei contente, me olhou. Dou uma corrida e um mergulho. Ai! também tinha que sai chapão? Num porte atlético, estilo Jogos Olímpicos, nado até à jangada. Mas sempre no meio das cordas não vá as caimbras me licharem. Ué, jangada está mais longe ou sou eu que tou fraco? Consegui. Me sento na borda para respirar e poder olhar o Chapeu de Sol Alaranjado. Que nada, não vem aqui. O pai, aloirado e cabelo penteado para trás dá um mergulho cheio de nota 10. Sai da água, não se despenteou, e vai na toalha apanhar sol. Que não se levanta. Trás Biquini azul, mas não se levanta. Mas aqueles cajos ali estão a jogar à bola e me tapam a visão. Sai daí, meus. Nas arcadas estão os mais velhos que já não têm pele para estes sois. E ela que não vem na água. Subo na prancha.Desconsigo de mergulhar. Só mesmo de pés. Não, tenho que tentar. Tomo balanço, fecho os olhos e já esta! pensei eu. Me enganei. Escorreguei e foi de costas mesmo. Grande estilo. Subi na jangada outra vez, me pus num canto e a chorar lá dentro com a dor nas costas. Tá melhor ir para terra. Tá tão longe. Boia e descança. Nada mais um bocado. Já tenho pé. Puxa, tudo por causa dela e ela não viu nada. Quando era mais monadengue, foi o sr. Bauleth que me ensinou a nadar. Que paciência ele tinha. Foram tantos que aprenderam a nadar com ele. Posso jogar à bola? ‘Que não! a bola atrapalha-te’. Fico na baliza?! ‘Já disse não, isto é para homens’, desconheço quem disse mas andava no liceu. Me fiquei pela toalha à espera de um olhar que não veio. Vou até à ponte. Dizem que um D. Luis qualquer desceu nela quando foi visitar a cidade. Está velhinha. Muitas tábuas já foram comidas pelo salite e os pilares têm reboco de mexihlão. Aqui não vejo o Chapéu de Sol alaranjado.

Felizmente só estamos em Novembro e faz calor

Sem comentários:

Enviar um comentário