27 abril 2009

Escola Nr. 55 de Fernando Leal (Escola Portugal), e Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes, Angola, anos 1940.

A Escola N. 55 de Moçâmedes ou ESCOLA PORTUGAL



Esta é Escola Nr. 55 de Fernando Leal, ou Escola Portugal, ainda em fase de construção. Era a melhor escola primária de Moçâmedes que nasceu já com instalações próprias, em 20 de Maio de 1925, quando as escolas masculina e feminina da cidade se juntaram num único estabelecimento, portanto antes do golpe militar de 28 de Maio de 1826 que levou à queda a 1ª República e à instauração do Estado Novo.


Foi construida num local onde até então ficava a "Praça Sá da Bandeira" uma enorme praça que ocupava todo um quarteirão entre a Rua Calheiros e a Rua da Fábrica, contornada por um gradeamento e que tinha no centro o Obelisco, à memória de Sá da Bandeira, (Bernardo de Sá Nogueira de Figueiredo, 1.º barão, 1.º visconde e 1.º marquês de) que em 1836 tomou importantes medidas legislativas sobre a abolição do tráfico de escravos do Marquês de Sá da Bandeira Este obelisco foi erigido em 1869, no centro dessa Praça e quando foi construida a Escola Portugal foi transferido para a Avenida da República, e colocado numa zona próxima do edifício da Alfândega (lado norte), onde ficavam os primitivos Correios Telégrafos e Telefones, tendo como vizinho um pequeno quiosque de ferro que existia na Avenida antes da construção do quiosque definitivo. E ali permaneceu até que em meados dos anos 1940 foi de novo transferido para o local onde ainda hoje se encontra, numa Praceta perto do Bairro da Facada, a Nascente da cidade, entre as ruas Calheiros, Hortas e Mendes Leal.


A lei de 10 de Dezembro de 1836 proibiu a exportação de escravos em todos os domínios ultramarinos, e punia os transgressores com severas penas que incluiam o degredo, multas, a incapacidade de servir em empregos nacionais e trabalhos públicos, mas continuava a permitir a importação terrestre, o que tornou possível, numa primeira fase, o fornecimento de mão-de-obra à colónia.




A Escola Portugal era a Escola das nossas aflições na altura dos exames nacionais. Era ali que os alunos de todas as escolas prestavam as provas de exame de admissão para o secundário; foi por ali que passaram sucessivas gerações de crianças e jovens moçamedenses, quer frequentando-a, quer indo ali prestar provas não apenas do primário, por vezes também do secundário. Ali decorriam aulas e exames, segundo o modelo e o calendário metropolitano. Isto quer dizer que não só os programas eram os mesmos, como os períodos das férias escolares de três meses coincidiam com os da Metrópole. Neste caso, as férias na Metrópole decorriam no Verão, e as férias em Angola e demais colonias, decorriam em pleno Inverno, uma vez que as aulas terminavam para todos em Junho. Éramos os eternos sacrificados do sistema! Numa terra de clima quente, em vez de estarmos na praia, estávamos encerrados no interior das salas de aulas, enquanto na mesma altura as crianças metropolitanas se divertiam e colhiam os benefícios do sol e da praia. O regime tinha destas coisas!





Esta foto mostra-nos a professora Berta e os seus alunos e alunas nas escadarias da Escola Nº 55 de Fernando Leal, Escola Portugal, por volta de 1940. Alguém me sabe dizer quem são estas meninas e estes meninos? Consigo reconhecer, sentadas, a Dina Ascenso e a Cecilia Vitor (a 2ª e a 3ª sentadas, embaixo, a contar da esq. para a st.); de pé, à esq. na 2ª fila,  junto de um cão, parece-me a Calila Rodrigues. Na 3ª fila à dt, por detrás de uma jovem com laço, a Helena Freitas (Barata); na 4ª fila, à dt. Eduarda (Malaguerra), e na 5ª e última fila, à dt., a Aninhas Gouveia.



 Clicar sobre esta fantástica foto (para aumentar), que reune toda uma geração feminina moçamedense da época.




Em foto tirada por volta de 1942 nas escadarias da Escola Portugal, alunas de várias classes não apenas da Escola Portugal (primário), mas também da Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes (secundário), uma vez que era nesta Escola que à época se prestavam as provas dos alunos e das alunas das escolas de Moçâmedes.

Um tanto escondida no meio das alunas podemos ver a carismática professora primária D. Aline de Campos (ao centro, no 3º degrau a partir de cima, vestida de preto), bem como a professora D. Berta, (no 2º degrau, vestida de preto, e ainda outra professora (em cima, tb de preto, Felismina?) . Reconheço, de cima para baixo, e da esq. para a dt:, no 1º degrau: Manuela Madeira (prima da Mimélia e da Maria do Carmo Abreu), Odete Lisboa Braz, Bernarda Cochat, Octávia de Matos, Etelvina Ferreira, Maria do Carmo Abreu, Maria Amélia (Mimélia) e Lucília Falcão. No 2º degrau: Cremilde Victor, Né Figueiredo, Maria Luisa Ferreirim, Maria Adelaide Abreu, Edvige, Professora Berta, Maria Emilia (enteada do Coelho enfermeiro), Isilda Tomás, Elizette Gouveia, ? Coquenão, Alice Freitas, Bico (neta do velhote Bonvalot), Orlanda Teixeira (Cabeça), Salomé Inácio,Olimpia Aquino, ?, e Jaqueline Simão. No 3º degrau: Maria Isabel Ferreirim, Aninhas Gouveia, ? Godinho (tranças), ?,?,??. Entre as 8 mais à dt. desta fila: Emilia Coelho? de tranças, Eduarda Malaguerra, ?, um pouco mais abaixo, Madalena Freitas (Barata) , irmã da Aidinha, um pouco mais abaixo, Lili Trabulo, um pouco mais acima , Alice de Castro, Professora Benvinda (de preto), Maria do Carmo Bauleth de Almeida, Ernestina e ?. No 4ª degrau: junto ao vão da escada, Maria Simão, Ludovina, Iolanda Freitas, Maria Helena Ramos, professora Felismina mais ao centro a caeismatica professora D. Aline, ????? e mais ´dt., Luz Gavino (com a mão na escada e laço na cabeça). No 5º degrau: Leta Abreu (com o braço no vão da escada), ?,?,?,?, Amélia Mangericão, ? Pereira (filha do mestre Alfredo, ?????????? Noémia Bagarrã (do Baba), Lili Trabulo. No 6º degrau: ??????????????? . No 7º degrau: Prof. na Escola de Pesca, filha de um capitão da Fortaleza, ? , Maria Simão (encostada ao pilar), ?. Manuela Bajouca, ?, ?, ?,?,?,?;Estrela, ??? ??????? Maria Emilia Ramos (junto ao pilar à dt.), Lida Pires Correia, ?,?,. No 8º degrau: ?,?,?, . No 9º degrau: ?, ?,?,?,?,?,?, Orbela Guedes (de laço na cabeça, ao centro), a filha do Prof Freire, e um pouco à frente, Lúcia Reis, ?,?, Henriqueta Barbosa-Miqueta, com laço na cabeça, Lizete Ferreira, ??, Ilda Silva, ???. No último degrau: Isabel Valente (risco ao meio e laços),?, ?,Edith Pinho Gomes (tranças)?,?, Herondina Mangericão (a 5ª, de caracois), Fátima Cunha, Maria Augusta Esteves, Elizete Costa (Sintética), ?, Noémia Bagarrão Martins Pereira?,?,Néné Trindade (tranças),?. Foto e nomes gentilmente cedidos por Maria Etelvina Ferreira de Almeida.


Pouco mais posso adiantar sobre a Escola Portugal, por dificuldades de pesquisa.



   
Nas escadarias da Escola Portugal. Clicar sobre esta espectacular foto para aumentar. Foto cedida por uma conterrânea

Reconheço de entre estes alunos e alunas da Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes, que posam para a posteridade nas escadarias da Escola Portugal,  em 1947  (de cima para baixo, e da esq. para a dt) : 1º degrau. Beto de Sousa, Mário Guedes, ?,?, José Carlos Guedes Lisboa (Lolita),?,?,?,?,? Manuela Bajouca, Fátima Duarte, ?,?,?,?,?,?,?,3º degrau: 5. ?,?,?, Salete Bráz, Isabel Ferreirim,?,?, 4º degrau: .?,?,? Aninhas Gouveia, Luzete de Sousa,?, ?, 5º degrau: 3. ?,?,?,?, ?, ?,?, 6º degrau: 2. Fernanda Pólvora Dias, ?,?,?,?,?, Maria Emilia Ramos, ? 7º degrau: Maria Helena Ramos, ?, ?, Raquel Martins Nunes, ?, Maria Orbela Gomes Guedes da Silva, Maria Augusta Esteves Isidoro, ?,?, Maximina Teixeira, Salette Leitão, ?, Elizete Costa ...



Edificio onde a funcionou a Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes, mais tarde, Escola Comercial de Moçâmedes, algum tempo depois, Escola Industrial e Comercial de Moçâmedes, e finalmente, em edifício próprio, Escola Industrial e Comercial Infante D. Henrique

 

Alunos e alunas da Escola Prática de Pesca e Comércio do Distrito de Moçâmedes, em 1948. Este era o quintal interior para onde desembocava, as salas de aula da dita Escola, já em péssimas condições de conservação como se pode ver. Clicar sobre a foto para aumentar. É grande.

Esta interessantíssima foto, gentilmente cedida por Antonieta Bagarrão Lisboa, permite-nos ver o conjunto de alunos/as que frequentavam esta escola do 1º ao 5º ano, nesse ano lectivo de 1948/49. Actualmente já na casa dos 70 anos e mais , felizmente a maioria ainda vivos e cheios de vitalidade, talvez reflexo da boa alimentação que tiveram na infância em Moçâmedes /Angola), terra do bom peixe rico em omega3 etc etc. Vêem-se alguns dos professores que na altura leccionavam nesta Escola, a única escola secundária do distrito. Reconheço, entre outros, de baixo para cima, e da esq. para a dt: 1. Albino Aquino (Bio), Carlos Pinho Gomes, ?, Manuel Dias Monteiro (Neca), ?, Amilcar de Sousa Almeida, José Patrício, Arnaldo Van der Keller (Nado)?, Carlos Manuel Guedes Lisboa (Lolita, Nito Abreu, Bajouca, José Duarte (Zézinho), Manuel Rodrigues Araújo, António José de Carvalho Minas (Tó Zé) e Norberto Edgar Neves de Almeida (Nor). 2. Carlos Vieira Calão, ??????, Fernando Morais (7º de camisa escura), ???, Licas Freitas (de pé, ao centro), Dito Abano, Jaime Custódio, Zezo Freitas de Sousa, Carequeja,?, Elisio Soares, ???, Beto de Sousa, ??, Albertino Gomes, e?. 3. Antonieta Almeida Bagarrão (Dédé), Mimi Carvalho (5ª) Maximina Teixeira (8º),???. 4. Fátima Abrantes, ?, Nélinha Costa Santos, Salete Leitão, Fátima Duarte, Melanie Sacramento, Carolina Mangericão,?, Lucia Brazão Reis, ???, Raquel Martins Nunes, Mª Orbela Gomes Guedes da Silva, ???, Fernanda Vieira,... 5. Francelina da Costa Gomes, ???, Augusto Martins (func. da Escola), ??, Padre Guilhermino Galhano, Dr Domingos Borges (Director da Escola), ??, Professor Carrilho (Dact/Caligraf/Estenograf.), Luzete Sousa, e mais à dt, Bernatdete Diogo, ?, e Fernandina Peyroteu.











 Estas são algumas das fotos mais antigas sobre escolas e estudantes de Moçâmedes que consegui até agora reunir. Referem-se aos anos 1940 e 1950. Presume-se que no tempo das nossas mães (anos 1920/30) não estivesse muito divulgada entre nós a arte de fotografar que o fotógrafo Antunes Salvador veio revolucionar, reunindo um estraordinário espólio, pois estava presente em todos os eventos sociais, a todos os actos públicos, levados a cabo da pacata Moçâmedes de então, quer por iniciativa própria (para fotografar e ganhar algum...), quer por solicitação dos habitantes.



Trata-se da visita do Secretário Provincial de Educação de Angola José Pinheiro da Silva à Escola Portugal, Escola nº 55, de Fernando Leal. Em cima, à direita, de batas brancas, as Professoras Cesária Santos e Maria Dilva Castelo-Branco.Reconheço o Governador do Distrito Sales de Brito, o Comandante Alves da PSP, o Prof. Marques, Diretor da Escola, o Reitor do Liceu António Sousa e o sr. Moura. Em baixo, à esquerda, o professor Amaral. Cedida por Maria do Céu Castelo Branco.


Alguns elementos do corpo docente da Escola Nr. 55 que consigo reconhecer: De branco professora Maria Dilva Castelo-Branco tendo ao seu lado, à direita, a professora. Maria Simões, e entre ambas. por detrás a professora Alice Trigo. Ao centro a professora  Madalena (Néné) Trindade , tendo por detrás a professora Lucília Campos Rocha. Um pouco mais à direita a professora Salomé Mendonça. pouco  à direita o Director da Escola, professor Marques.
 


Por curiosidade, e já que estamos em maré de falar de Escolas públicas em Moçâmedes, importa referir que um ano após ter surgido a Escola Portugal, ou Escola nr 55 de Fernando Leal, em 22 de Abril de 1926, foi criada uma Escola na Torre do Tombo, a Escola n. 56 de Pinheiro Furtado, em edifício de madeira em estilo colonial construído sobre pilares de cimento,  no coração daquele bairro, que mais tarde passou para instalações próprias, também na parte alta da cidade. Pinheiro Furtado, seu patrono, fez o  reconhecimento das terras de Benguela até à Angra do Negro, à qual denominou de "Baía de Mossâmedes", em homenagem ao Barão de Mossâmedes, e foi quem  primeiro registou as inscrições que se achavam gravadas na rocha  branda da parte sul da baía, no morro da Torre do Tombo.  

Havia também a Escola Nr. 49, que de início ficava mesmo ao lado da Escola Portugal, na Rua Calheiros, perto da Cadeia, e que  posteriormente passou para novo edifício, erguido para o efeito lá para os lados do Bairro da Facada.

Foi em 16 de Abril de 1927, por  diploma legislativo do Alto-Comissariado da República Portuguesa em Angola, António Vicente Ferreira, que foram atribuídos às escolas primárias nomes de figuras mais ou menos destacadas da História de Portugal e da História de Angola, e fundiram-se também os sectores masculinos e femininas das escolas da Torre do Tombo e de Porto Alexandre. Esta última teve como patrono Maria da Cruz Rolão, à época o único elemento do sexo feminino a emprestar o nome a uma Escola.

Em 21 de Março de 1928, com a queda República  e a implantação do Estado Novo, foram extintas várias escolas em Portugal e também em Angola, muitas das quais ligadas à maçonaria. 


Em 21 de Outubro de 1929, é criada a classe  preparatória em Moçâmedes e estabeleceram-se cursos nocturnos do ensino primário geral, que por certo deveriam ser destinados à alfabetização dos adultos.

O Ensino Primário em Angola, começou no século XIX, nesse século da queda do absolutismo e triunfo do liberalismo, em que a instrução pública de nível primário foi considerada o alicerce e a base da civilização. Assim vem designado em Portaria de 10 de Outubro de 1864, assinada pelo ministro da Marinha e Ultramar, José da Silva Mendes Leal. Contudo, torna-se extremamente difícil o estudo da acção desenvolvida pelas escolas no século XIX em Angola, porquanto eram as escolas municipais que levavam por diante a instrução primária, e uma vez que nem sempre havia o cuidado de registar o seu funcionamento. Sequer é fácil descobrir quando foram criadas, suspensas, extintas ou transformadas em escolas estatais.  Isso só poderia conseguir-se, e mesmo assim com dificuldade, analisando pormenorizadamente os arquivos municipais, se é que ainda existem! Como recordação desse tempo segue um postal onde se pode ver alguns alunos e professores da Escola que funcionou algures, numa data que desconheço, na Câmara Municipal de Moçâmedes. Tenho conhecimento que crianças da Torre do Tombo antes de disporem da primitiva Escola n. 56,  no ano de 1926, frequentavam uma escola que funcionava no edifício  do Palácio do Governador.

Na altura e até bem meados do século XX, os métodos utilizados eram o os de Castilho e de João de Deus,  dois pedagogos homenageados pela forma como colaboraram na difusão de métodos intuitivos de alfabetização.

Ficam mais estas recordações .
Sobre o ensino secundário em Moçâmedes, ver   AQUI
Mais sobre Escolas e estudantes em Moçâmedes  (Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes)AQUI  AQUI 


 http://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/17873/2/tesemestluisamarroni000078481.pdf

http://www.adelinotorres.com/teses/Filipe%20ZAU_Educa%E7ao%20em%20Angola.pdf







Sem comentários:

Enviar um comentário