19 agosto 2009

Alberto Gomes, figura «lendária» da Baía das Pipas...

O ALBERTO
(.


O pisteiro era um elemento fundamental na caça. Sem ele a caçada quase sempre se transformava num incómodo passeio de jeep...

Um homem especial. O caçador. Que pertence a uma classe à parte dentro da estrutura social em África. Não é qualquer um que é caçador. Quanto mais primitivo o homem mais em harmonia com a natureza ele consegue viver. Respeita e teme as suas forças que em grande parte deste continente ainda se impõem como uma espécie de religião. Mas em África como em qualquer outro lugar do planeta nenhum ser humano hesita em se sobrepor ao que hoje se chama de equilíbrio ecológico, ao ambiente. Basta que a população cresça, que os pastos do gado faltem, que lhe proporcionem qualquer negócio, para ele derrubar a mata, esgotar a terra, e se mudar para zonas mais intocadas. Assim se fez desde sempre, e fizeram-no brancos, amarelos, índios e africanos. Todos sabem que dependem desse equilíbrio, e enquanto as pressões não forem superiores à sua capacidade de resistir, a Mãe Natureza vai sendo mais respeitada. Fora disso...

Um homem "mucubal" no seu ambiente (foto do blog hunakulu)

Em todos os continentes os povos sempre se dividiram, e dividem ainda hoje, socialmente, sendo uns guerreiros, outros comerciantes, outros ainda agricultores, etc. mas pelo menos em África o caçador era talvez o mais especial. O caçador e o ferreiro. Depois de ser escolhido para essa função, quer por hereditariedade ou por mostrar para isso aptidões, é ensinado pelos mais velhos numa arte que além de muita ciência tem um quanto de esoterismo. Só quem viu pode ter alguma idéia do que se trata. A profunda comunhão entre o caçador africano e o ambiente é impressionante. Eram estes homens que serviam de pisteiros aos caçadores, colonos ou europeus. Perseguir um animal sem eles era quase impossível. Na savana, na mata, na floresta, no deserto, o pisteiro sabe onde se encontra a caça e que tipo de caça. Sabe há quanto tempo passou o animal, que animal, e até quantos. Pelo corte de um folha de capim destingue o antílope que a comeu e há quanto tempo cortou aquela folha. Outra folha de vegetação rasteira, pisada e que tende a retomar a sua posição indica também o tempo que passou. Um galho quebrado. A profundidade da marca no chão. Os excrementos, que são indícios precisos.

O bom pisteiro sente no ar a presença da caça.
 
A cerca de trinta quilómetros para norte da cidade de Moçâmedes, hoje Namibe, o nome do deserto, há uma praia, a Baía das Pipas. À sua volta nada mais do que praia, muita praia, quilometros e quilometros de praias intocadas, o mar a poente o deserto no nascente. Ali a corrente de Benguela, ainda muito fresca, o mar riquissimo em peixe, frutos do mar, águas azuis, transparentes. Poluição é palavra desconhecida. Um lugar maravilhoso. Paradisíaco.

Nessa baía se foram estabelecer no princípio deste século XX dois pescadores portugueses acabados de chegar a Angola. Nada, nada havia ao redor. Nem uma cubata, que eles tiveram que construir para morar. Foram pescar e viver disso. Precariamente, em termos econômicos, mas sem que nunca lhes faltasse comida.

Ambos se juntaram, talvez até tivessem casado de papel passado, com mulheres indígenas, uma delas irmã de um soba da região, de quem tanto um quanto o outro tiveram boa dose de filhos. Cinquenta anos depois só um dos casais estava vivo, velhote, uns quantos filhos, sobrinhos e netos à volta. Moravam nessa altura em cinco ou seis casas já de alvenaria. A cidade mais longínqua que tinham conhecido era exatamente Moçâmedes! Uma existência de faina e vida tranquilas.

A cerca de trinta quilómetros para norte da cidade de Moçâmedes, hoje Namibe, o nome do deserto, há uma praia, a Baía das Pipas. À sua volta nada mais do que praia, muita praia, quilómetros e quilómetros de praias intocadas, o mar a poente o deserto no nascente. Ali a corrente de Benguela, ainda muito fresca, o mar riquíssimo em peixe, frutos do mar, águas azuis, transparentes. Poluição é palavra desconhecida. Um lugar maravilhoso. Paradisíaco. Nessa baía se foram estabelecer no princípio deste século XX dois pescadores portugueses acabados de chegar a Angola. Nada, nada havia ao redor. Nem uma cubata, que eles tiveram que construir para morar. Foram pescar e viver disso. Precariamente, em termos económicos, mas sem que nunca lhes faltasse comida. Ambos se juntaram, talvez até tivessem casado de papel passado, com mulheres indígenas, uma delas irmã de um soba da região, de quem tanto um quanto o outro tiveram boa dose de filhos. Cinquenta anos depois só um dos casais estava vivo, velhote, uns quantos filhos, sobrinhos e netos à volta. Moravam nessa altura em cinco ou seis casas já de alvenaria. A cidade mais longínqua que tinham conhecido era exactamente Moçâmedes! Uma existência de faina e vida tranquilas.
Um dos filhos, o Alberto, Alberto Gomes, um mulato grande, robusto, coração maior do que ele todo, uma mão enorme forte como uma torquês, simples, muito simpático, sempre sorridente e alegre, sorriso transparente como as águas daquele mar, uma figura humana que não se consegue esquecer.

Podia quem quer que fosse chegar à Baía das Pipas, a qualquer hora do dia ou da noite, que toda a família logo saía de suas casas para ver o que estava acontecendo! Quem os fosse visitar levava normalmente vinho e cerveja, batata, arroz ou algo de mercearia que pudesse complementar o que a natureza e o seu trabalho lhes dava. O deserto, onde às vezes se passa um e dois anos sem chover, junto à orla marítima tem um nível freático muito alto, o que permite manter o ano inteiro uma horta produzindo óptimos e frescos legumes. E aquela gente tinha-a. E muito mais: tinha o mar. Geladeira não havia nem dela muito necessitavam, porque o mar fornecia a qualquer hora tudo o que quisessem. Era só chamar alguns garotos, os sobrinhos, que corriam para a água e passado pouco traziam uma imensa variedade de peixes, camarão, lagosta, mexilhão, e um monte de outros frutos do mar. Imagine-se como eram frescos!
Depois, acender o fogo, esperar um pouco e deliciar-se com tudo aquilo! Entretanto o Alberto pegava na sanfona tocava uns fa-ri-funs em ritmo misto da terrinha dos velhotes com influencia angolana e saía um bailarico, porque mesmo que os visitantes não fossem de ambos os sexos, o que era raro, tinham como par as filhas, sobrinhas, uma irmã e até os pais, velhotes e engelhados os dois, que sempre davam o seu pé de baile!

A vida naquele canto quase esquecido do mundo era de uma pureza impressionante, e ninguém conseguia dali sair sem lá deixar um pouco do seu coração!

A velhota, talvez com setenta, oitenta anos, ainda se enciumava ao ver o marido dar um pé de dança com alguma jovem visitante! Era uma cena engraçadissima, ternurenta.

A inocência, o carinho e a alegria dessas festas deu como resultado levar a fama do Alberto a expandir-se Angola fora, pelos amigos dos amigos. Todos queriam conhecer essa rara espécie de homem! Chegou um dia ao pessoal da marinha de guerra portuguesa, que patrulhava a costa.


Uma bela manhã com tremendo susto e espanto, aqueles simples moradores assistem cheios de pasmo a um imenso navio de guerra, uma fragata, fundear em frente à baía, coisa absolutamente inédita. Os maiores navios que ali tinham ido eram algumas traineiras de pesca, a pescar ou comprar o peixe ou o marisco que aquela gente apanhava e criava em viveiros. Um navio de guerra foi além dum espanto um temor: o que quereriam?


Do navio sai um bote com dois marinheiros e um sargento, que ao desembarcarem são rodeados por toda a população local, que não devia ultrapassar umas vinte pessoas, entre adultos e crianças.
- Quem é o senhor Alberto?
Alberto, desconfiado, apresentou-se.
- O senhor comandante Navarro manda convidar o senhor para almoçar a bordo.
- A mim??!!!!
O humilde e grande Alberto convidado por um comandante dum navio de guerra para almoçar a bordo, era o máximo que ele nunca tinha esperado que a vida lhe proporcionasse! Correu a casa vestiu uma roupa melhorzinha e seguiu no bote. À chegada ao navio, a cerimonial guarda de honra, apitos, continências e apresentações, que todos queriam conhecê-lo, e o Alberto, grande e humilde, espantado e confuso, sem compreender bem o que lhe estava acontecendo, sempre com o mesmo sorriso aberto, franco.
O comandante, amigo de amigos, quis também conhecê-lo e achou que face à fama do Alberto esta seria a melhor maneira de lhe retribuir a simpatia que ele difundia.
Visita ao navio, surpresa e espanto atrás de espanto e surpresa, que finaliza com o almoço na sala dos oficiais. O Alberto não cabia em si de felicidade. Durante o almoço contou inúmeras peripécias da sua vida simples. Todos se divertiram e saborearam aquela alma.
No fim, o convidado, comovido com tanta honra que pareciam lhe prestar, e prestavam, abre os braços e só consegue exclamar:
- Eu, e os meus oficiais!
Foi a apoteose.
Se ele um dia pudesse ler esta singela homenagem que com muita saudade e respeito também para ele aqui fica...
Mas, lá na Baía das Pipas, se fosse madrugada ou já de tarde aproveitava-se para dar uma volta pelo deserto, que generoso também, sempre fornecia alguma peça de caça para complemento daqueles manjares divinos.
Numa das vezes saíram num Fusca dois dos visitantes e o Alberto que conhecia aqueles trilhos todos como as suas próprias mãos, apesar destas serem enormes! Nesse dia a caça parecia teimar em não aparecer. Uns cinquenta quilometros adentro do deserto encontraram um caçador mucubal, da tribo Cuvale habitante aquela região, que seguia tranquilo o seu caminho, aparentemente sem destino, porque parece que o deserto nunca leva a lugar algum! O deserto parece não ter fim.
Alberto mandou parar o carro e foi consultar aquele homem. Saber se ele tinha visto alguma caça ou se sabia onde encontrá-la. O homem, figura de legenda, pele escura como a noite, rosto sereno de máscara, sempre em silêncio, afastou-se uns vinte metros do carro, esteve quase imóvel por algum tempo, virou ligeiramente a cabeça para um lado, depois para o outro e quando se aproximou de novo, levantou um braço, apontou numa direção e disse secamente, na sua língua:
- Ngongo. As zebras estão ali.
As zebras ninguém iria matar, mas ver valia sempre muito a pena. Meteu-se o carro a caminho, andando com facilidade já que o terreno plano permitia correr a sessenta ou mais por hora. Andados uns quinze minutos, dez ou quinze quilometros, lá estava uma manada de zebras. Uns trinta animais. Exatamente na direção que o caçador mucubal indicara! Como ele o soube? Só ele sabe!
Valia muito a pena ir à caça só para ver o pisteiro conduzir os caçadores. Sempre em silêncio, passo ligeiro, nenhum detalhe por muito ínfimo que fosse escapava à sua atenção.
Muitos homens se ofereciam para acompanhar os caçadores, mas se não fossem pisteiros, a caçada não rendia, e até se chegavam a perder no mato!
Uma classe de gente muito especial.


Aahh! Baía das Pipas! Onde o Alberto guardava religiosamente num pequeno barraco coberto a chapa de zinco um velho Ford A, bem enferrujado com o ar do mar e com mais de 30 anos (isto em 1962 ou 3!). Era o orgulho dele: “o melhor carro para andar no deserto!” Devia ser mesmo. E prosseguia: “é só pôr um pouco de gasolina no depósito que ele pega logo”. Dizem-lhe os amigos visitantes: “Trabalha assim bem? Então vamos tirar do nosso carro que tem bastante”.
Comentário final do Alberto: “Só tem um problema. Falta-lhe a bateria”. Há quanto tempo?
“Bem, a última vez que o pus a trabalhar foi há uns nove anos”!
Grande Alberto!
  In "Contos Peregrinos a Preto e Branco" de Francisco G. de Amorim, 1998

Texto integral in
f.g.amorim









Alberto Gomes

Sobre este resistente patriarca da Baía das Pipas, homem de grande sociabilidade, amigo de todos e com a porta aberta para toda a gente e que do qual se dizia que herdara a força e a valentia de seu bisavô, Domingos Gomes do Armazém, (figura carismática, de longas barbas brancas, que mais fazia lembrar um profeta), transcrevo algumas passagens de um texto que encontrei no blog «Memórias e Raízes», de Cláudio Frota:

«... A África e a Europa estão contidas no seu sangue e na sua forma de conviver. Com os trabalhadores da pescaria fundada por seu bisavô, aprendeu o dialecto umbundo do povo munano da região do Huambo e Caconda do centro de Angola, o dialecto dos cuanhamas, (povo que habita a região sul fronteira à Namíbia), o quimbundo de Luanda, e com os familiares e amigos africanos da Baía das Pipas, o dialecto do povo mucubal, do Giraúl de Cima, o chamamento da sua mãe África, na voz de sua mãe D. Virgínia, irmã do soba, a autoridade tradicional.

 Virginia Isabel e Joaquim Gomes


Os familiares e amigos de origem europeia visitavam-no regularmemte no seu "retiro" na Baía das Pipas, onde os esperava uma saborosa caldeirada de peixe à moda do pescador algarvio ou uma moqueca de mexilhão, confeccionados pelo próprio Alberto Gomes, iguarias que não dispensavam, terminando com serões musicais. Na música, a concertina de outros tempos e o acordeon de tempos mais próximos onde abrilhantou festas particulares ou em colectividades, tornando-o popular em todo o distrito. Conhecedor de caminhos, era o guia e o caçador atento nas caçadas e nos passeios pelo deserto.

Possuidor de uma força física fora do vulgar, comparada à de Fernando Faquinha, este cerca de trinta anos mais velho e conhecido como "o Hércules de Moçâmedes", seu amigo e mestre de palhabote, mereceu o apelido de Lucanga, "o Duro e Invencível", quando numa pescaria de sardinha em Porto Alexandre, enfrentou e derrubou um grupo de cuanhamas, em defesa do mestre e proprietário do barco, o seu familiar Manuel de Carvalho.

(Fernando Faquinha "o Hércules de Moçâmedes" é descendente de João da Faquinha (*)referido mais adiante no texto. De um tio contam-se histórias de valentia nas viagens pelos portos do Mediterrâneo e um dos seus primos de nome João, sensivelmente da sua idade e morador em Olhão, "o algarvio mais forte do seu tempo", este, permaneceu somente um ano em África).

Outro acontecimento em que fez valer a sua invulgar força física, foi quando da preparação do casamento de uma sua serviçal chamada Vitória, noiva de um individuo de Malange chamado Cassessa. O boi que o noivo ofereceu para a boda investiu contra os presentes, cabendo a Alberto Gomes dominá-lo, segurando-o pelos chifres, derrubando-o de seguida. Alberto Gomes possuía a força e a valentia do seu bisavô olhanense Domingos Gomes do Armazém. Figura extraordinária de barbas compridas e temido pelos mais valentes.
O seu prestígio fê-lo regedor, a autoridade portuguesa naquela praia.

Aos sete anos já seguia os trabalhadores da pescaria nos seus afazeres. Fez-se aos remos das baleeiras da pesca à linha, remando trinta kilómetros por dia atrás da taínha até à foz do rio Giraúl, (On Gila Ul, significa "o caminho acabou" nome posto pelos mucubais quando ali chegaram), quinze kilómetros da ída e mais quinze da vinda, uma empreitada quotidiana dura, executada metro a metro. (Na foto, casas de moradia. Alberto Gomes morou na que fica atrás da mulemba, árvore plantada pelo seu tio Domingos Gomes há cerca de 77 anos, uma espécie de figueira.)

Apesar do trabalho braçal rude e violento aos remos das baleeiras e nos descarregar de cargas pesadíssimas que se impunha executar, (os barris de cimento chegavam a pesar 180 Kgs., confiando a si próprio a tarefa de os descarregar sozinho para que não caíssem e danificassem o casco de madeira das baleeiras), Alberto Gomes era conhecido essencialmente pela arte de bem receber, pela simpatia que irradiava, pelas histórias que contava, em suma, por uma personalidade cativante e encantadora. Não perdeu esta forma de estar na vida e as qualidades que o tornaram popular e famoso em todo o distrito de Moçâmedes e na cidade vizinha de Sá da Bandeira, hoje Lubango.
...»

Após a independencia, Alberto Gomes viveu na Baía das Pipas até ao ano de 1980, o ano em que, por razões de saúde da sua filha Sara, o destino o trouxe a Portugal. A dificuldade em obter o visto que o levaria de regresso à Baía das Pipas, numa altura em que a guerra civil atravessava Angola. impôs-lhe a fixação definitiva em Quarteira quando contava 59 anos de idade, na companhia de sua companheira de sempre a D. Carolina Teixeira, sua esposa, de origem madeirense, e mãe dos seus cinco filhos nascidos em África e avó de 28 netos.

Recentemente, já com 80 e muitos anos de idade, tivemos o prazer de o tornar a ver e cumprimentar no último encontro dos moçamedenses nas Caldas da Rainha, onde se apresentou rijo e afável como sempre.Alberto, um dia, como todos nós vai desaparecer, mas o seu nome ficará para sempre ligado à Baía das Pipas!



(*) Nas décadas de vinte e trinta, já o box era praticado na cidade de Moçâmedes, ainda que empiricamente, pondo em polvorosa os muitos adeptos fervorosos. Os pugilistas que mais entusiasmaram o público foram OCHOA e FAQUINHAS, na modalidade de pesos super pesados, correspondente a mais de 91 quilos. Era técnica com força... As respectivas sessões eram realizadas no palco do vetusto mas lindo Teatro Garrett, que na altura já albergava mais de quinhentos espectadores, entre plateia, camarotes e frisas. Ochoa, experiente lutador, e Faquinhas, homem corpulento e impetuoso, eram adversários temíveis. Este último demonstrava a sua brutalidade colocando um barril com vinho (100 litros) sobre o balcão da tasca que habitualmente frequentava. O primeiro prélio estava anunciado, e poucos eram os que acreditavam numa derrota de Faquinhas. Era visível o receio de Ochoa, mas confiante e concentrado entrou no ringue, sob as cordas. O gongo tocou! Punhos fechados, olhos nos olhos, os primeiros toques eram de ensaio. O truculento Faquinhas quase derrubara o adversário na primeira tentativa a sério. Ochoa protegeu-se, fitando-o. o que se repetiu nas seguintes investidas de Faquinhas. O público aplaudia freneticamente. A casa estava lotada. Terminara o primeiro assalto, o segundo, e no terceiro Faquinhas já evidenciava sinais de cansaço. Foi quando Ochoa desferiu o golpe de misericórdia. Faquinhas tombou! KO impressionante. Foi um delírio!

A desforra foi aceite por Ochoa e no novo combate realizado algum tempo depois, antes que se repetisse a sua consideração de vítima, Faquinhas derrubou o antagonista de forma visivelmente irregular. Imperou a truculência! Terminou tacitamente a luta!
In «Memórias Desportivas do Distrito de Moçâmedes- Angola Autor: Mário António Gomes Guedes da Silva
(data provável das fotos: 1955-60)







Curiosidades: "... Lembra-se o senhor Alberto Gomes da Baía das Pipas, hoje com 92 anos de idade, terem existido a residir na Baía das Pipas antes dos anos 1960, dois membros da família Sousa Ganho, o senhor Sobriano Ganho e o senhor Ângelo Ganho. Sobriano Ganho dedicava-se à pesca da mariquita (espécie de sargo), com gaiolas. Veio definitivamente para Portugal quando começou a falhar o peixe e uma grave crise de pescado se instalou e se prolongou por mais de um ano, e Ângelo Ganho que foi para Porto Alexandre para sócio da empresa J. Patrício Correia. Havia nessa empresa um sobrinho deste chamado Fernando Ganho, filho de Sobriano que exercía a profissão de soldador na fábrica de conservas. Em Moçâmedes trabalhava como guarda-livros (contabilista) Gilberto Ganho. No desporto moçamedense evidenciava-se outro elemento desta família, o conhecido hoquista do Atlético Clube de Moçâmedes Tolentino Ganho. J. Patrício Correia não resistiu à grave crise de pescado que se abateu sobre aqueles mares e acabou por falir como faliram algumas outras empresas dedicadas à transformação do pescado. Pensa-se, hoje, ter sido o ainda desconhecido El-Ninho o causador da falta de peixe no Atlântico com o aquecimento das águas e a consequente emigração das espécies ou o seu mergulho para águas mais profundas, fenómeno que se repetiu posteriormente noutros oceanos e que foi devidamente identificado com o El-Ninho." In Memórias e Raízes de Claudio Frota



1 comentário:

Sen disse...

Alberto Gomes (meu Exmo Bis-avô) , Já me havia antes contado essas historias todas, e tenho a dizer-lhe que recordei momentos dele próprio a contar , para ireal a sua imaginavel força , tal como seu bis-neto erdei o sei sorriso mesmo na pior das circunstancias, Alberto Gomes foi para mim um Avô , um amigo , e um pai, e continua a ser.
Alberto Gomes Não só ficará com a baia das pipas , mas como no mundo todo , pois se todos seguissemos o idolo dele , que é o meu , teriamos todos bondade e coração para abraçar o mundo .
Alberto Gomes avô querido,
Pai e amigo,
Um abraço do fundo do coração,
Daquele que guiaste na efemera escuridão.
gostei do blog , Parabens .

Karim Patatas

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