05 julho 2011

Familias de Moçâmedes: Soledade Bauleth Duarte



Na foto acima podemos ver Amadeu Pereira, o filho e Soledade Bauleth Duarte, a sogra. Gostei de ver esta foto pois através dela pude recordar Soledade, a mãe da Fátima, prima directa do meu pai, filha de uma irmã da minha avó. 

Soledade nasceu em Moçâmedes no início do século XX, cidade onde casou com José Duarte, irmão do comerciante e industrial da praça, João Duarte.

Era filha Maria do Carmo Ferreira e de José Bauleth.
Era também  irmã de António Bauleth (casou com Celmira),  de Albano Bauleth, de Maria do Carmo Bauleth (casou com Mário dos Anjos Almeida*) e Maria Alice Marta Bauleth. (casou com Armindo Bruno Almeida**).

*  **  Aliás, estas irmãs de Soledade,  a Alice e a Mª do Carmo filha, casaram com dois irmãos:  Armindo Bruno de Almeida e o Mário dos Anjos Almeida, respectivamente, que faziam parte de uma família estabelecida em Moçâmedes desde finais do século XIX, assim  constituida: MÃE:  Maria de Jesus Frota Martins (apelido Gaivota). PAI: António dos Santos Almeida, ambos naturais de Olhão, e tinham mais os seguintes irmãos: José de Almeida, Fernando de Almeida, Artur de Almeida,  Eduardo Almeida, Albano Almeida, João de Almeida, Isaura,... Era uma situação muito comum em terras pequenas como era Moçâmedes daquele tempo.


 
Na parte que me toca estou ligada a esta familia  porque Soledade Bauleth Duarte, Maria do Carmo Bauleth Almeida (Carminha), Alice Marta Bauleth Almeida e António Bauleth,  filhos de Maria do Carmo Ferreira Bauleth e de José Bauleth, e a sua mãe Maria do Carmo era irmã da minha avó paterna, Beatriz, ambas filhas de Agostinho Ferreira e Catharina Ferreira.  E porque  Armindo Bruno d'Almeida, que casou com Alice Marta Bauleth Almeida, era filho de Maria de Jesus (Frota Martins Gaivota), uma irmã da minha avó materna, e de António dos Santos Almeida, um irmão do meu avô paterno João Nunes de Almeida,  ambos filhos de Fernando dos Santos Almeida.
 
Por isso  se dizia que em Moçâmedes até 1950 todos eram primor e primas...




Desta descendência vamos encontrar Riquita Bauleth, miss Portugal 1971, (bisneta de Maria do Carmo e de José Bauleth, logo trineta de Catarina e Agostinho Ferreira).


http://memoriaseraizes.blogspot.com/2009/05/em-memoria-de-uma-amizade-incomum.html
             



Ficam estas recordações


MariaNJardim






Tentarei trazer para aqui alguns dados genealógicos de Soledade (ramo materno):

Soledade era filha de Maria do Carmo Ferreira (Bauleth) e de José Bauleth; era neta materna de Agostinho Ferreira e Catharina Ferreira; Era irmã das trigémeas Beatriz Ferreira, Baptista Ferreira e Lucinda Ferreira, e ainda de Júlia Ferreira, Álvaro Ferreira (o caçula), e Agostinho Ferreira (o primogénito). 

Sobre os irmãos de Maria do Carmo Ferreira (Bauleth), a mãe de Soledade:


1. Agostinho Ferreira, nunca casou.
2. Beatriz Ferreira (Almeida)  casou em Moçâmedes (Namibe) com João Nunes de Almeida. Desta união nasceram João Nunes de Almeida (casou com Eugénia ), Jesuina Almeida (casou com José Fernandes de Carvalho (Zeca), Virgilio Nunes de Almeida (casou com Olga de Sousa Almeida), Fernando Nunes de Almeida (casou com Isabel), Laura Almeida (casou com Manuel Barbosa), Arnaldo Nunes de Almeida (casou 1ª nupcias com Francelina, divorciou-se, e tornou a casar, em 2ªs. núpcias com Maria Etelvina Ferreira), Ângelo Nunes de Almeida (casou com Odete Maló), Eduardo (Aníbal) Nunes de Almeida (casou com Júlia Rosa), Beatriz Almeida (casou com Álvaro dos Santos Frota).
3. Baptista Ferreira  casou em Moçâmedes (Namibe) com ? Nunes, em 1ªs. núpcias, e por falecimento deste, tornou a casar com João Nunes de Almeida, cunhado, em 2ªs. núpcias. Este casamento aconteceu após o falecimento da irmã gémea, Beatriz, no decurso do trabalho de parto de gémeos por falta de assistência. Da 1ª união nasceu Jaime Nunes que casou com Reis.
4 Lucinda Ferreira (Trindade) casou em Moçâmedes (Namibe) com João Rodrigues Trindade. Desta união nasceram Leovegilda (casou com Serafim Frota), Zenóbia (casou com Raul de Abreu), João (casou com ? da Silva) e Lumelino Trindade (casou com Helena Águas e por divórcio, tornou a casar com Laurinda...).
5. Júlia Ferreira (Gomes) casou em Moçâmedes (Namibe) com Francisco Gomes do Armazém. Desta união nasceram Virgilio Gomes (casou com Gertrudes Ferreira); Júlia Celeste Gomes (casou com António Guedes da Silva); Libânia Gomes (casou com Arlindo Cunha); Maria Ilda Gomes (casou com José Maria de Freitas), Maria Alice Gomes (casou com Rogério Ilha).
6. Álvaro Ferreira casou com Idalinda Lopes Ferreira. Desta união nasceram Maria Etelvina Ferreira (casou com Arnaldo Nunes de Almeida) e Maria Lizette Ferreira (casou com Alberto Miranda/div)

Os primeiros elementos desta família que emigraram para Moçâmedes foram, em finais do século XIX, Agostinho Ferreira (pai) e Agostinho Ferreira (filho). Agostinho Ferreira resolveu emigrar para o sul de Angola, fazendo-se acompanhar na sua aventura pelo filho mais velho, deixando em Lisboa na residência do bairro de Santa Catarina (Bairro Alto),  Catharina Ferreira, sua mulher,  e as cinco filhas, Maria do Carmo (que viria a ser mãe de Soledade), Júlia, e as trigémeas Beatriz,  Baptista e Lucinda Ferreira.  Por essa altura o 7º e último  filho do casal, Álvaro ainda não tinha nascido e viria a nascer já em Moçâmedes, Angola. De início Agostinho Ferreira, pai e filho fixaram-se em Porto Alexandre, mais tarde  familia  resolveu mudar-se para Moçâmedes, onde foi morar no Bairro da Torre do Tombo.

Na foto que segue, tirada em Moçâmedes (Torre do Tombo) por volta de finais  da década de 1920, encontram-se  alguns elementos desta família:

À dt,  vê-se Alice Marta Bauleth de Almeida com a filha mais velha Maria do Carmo(?), e ao fundo, ainda mais à dt., o marido, Armindo Bruno d' Almeida que há época já andava doente (problemas psicológicos). Ao centro, Idalinda Lopes Ferreira*** e Albano Bauleth(?) com a pequenita Maria Etelvina  Ferreira. À esq, amigos e familiares:  à esq. Mário dos Santos Frota e ?.  À porta da casa, uma filha da então muito conhecida enfermeira na cidade, Júlia. 

***Idalinda Ferreira (foto) era casada com Álvaro Ferreira, e do casal nasceram 2 filhas,  a Maria Etelvina (foto), e a Maria Lizete. Álvaro Ferreira (marido de Idalinda) era irmão de Maria do Carmo e tio de Soledade. 

Sem dúvida, Moçâmedes era até 1950, no que diz respeito à comunidade branca  ali estabelecida desde meados do século XIX,  uma grande família. Uma terra  onde todos se conheciam, e onde era comum dizer-se, "todos eram primos e primas"... , situação favorecida pelo isolamento em que viviam as pessoas, pela fraca mobilidade que perdurou  devido à  escassez de transportes e vias de comunicação, e à contenção da emigração, que deu origem a um crescimento demográfico bastante lento. Para se ter uma ideia do tipo de colonização que Portugal praticou em relação às colónias de África,  e no caso particular de Angola, importa referir que ainda no início da década de 1950 eram exigidas "cartas de chamada"  aos portugueses que quisessem ali fixar-se, dando-se preferência a famílias constituídas. Também até aos anos 1950,  a população  africana  que vivia  no interior das cidades em Angola era reduzida, se tivermos em conta os  dias de hoje, e  em relação a Moçâmedes  e  ao Lubango, era mesmo minoritária ,se comparada à comunidade branca.



Nesta foto tirada na PRAIA DAS MIRAGENS, em Moçâmedes, em 1950, ao centro, sentada de chapéu de abas largas na cabeça podemos ver Fátima Duarte, filha de Soledade Duarte e de José Duarte, nesta altura ainda solteira, junto a um grupo de jovens casadoiras da época. Ao fundo, a baía e a falésia da Torre do Tombo que termina na Ponta do Pau do Sul ou ponta do Noronha. Da esq. para a dt: em cima (de pé): Carlos Pinho Gomes e Calila Rodrigres. Mais abaixo (de joelhos): Adelaide Ernesto, Maria Ilda Silva, Claudino Peleira e Carlos Oliveira (Carlitos). À frente (sentados): Orlando Salvador, José Luís Gonçalves, Humberto Pinho Gomes, Fátima Duarte, Isalda Uria e Melanie Sacramento. Ainda mais à frente, (deitados): Albano Costa Santos (Carriço), Mavilde e Mário Bagarrão. Foto de Salvador.

Ficam estas recordações.
MariaNJardim


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