18 outubro 2012

O cão da Baia dos Tigres, em Angola


  
Pequeno Historial da Raça
Rhodesian Ridgeback
( Leão da Rodésia)


Os Holandeses fizeram-se acompanhar dos seus cães (Terriers, galgos, Mastins, etc.) aquando da colonização do Cabo (actual Africa do Sul). Bem cedo se aperceberam da total inadaptação desses cães ao clima, densidade florestal, doenças, etc., por outro lado, repararam que o cão que acompanhava os Khoikhoi ou Hottentotes, para além de robusto e aguerrido era extremamente ágil e rápido, resistindo a quase tudo, inclusive à sede. Havia ainda uma outra particularidade curiosa, esses cães ostentavam uma risca em forma de ponta de lança apontada para a cauda formada de pêlo inserido no sentido inverso ao da restante pelagem.
     Na expectativa de criarem um cão mais resistente e adaptado, mas ao mesmo tempo com maior envergadura, já que os cães dos Khoikhoi eram pequenos, os Boers começaram a cruzar os seus cães com exemplares desse cão nativo. Conseguiram os seus objectivos, no entanto, deram origem a uma enorme diversidade de cães em tamanho, peso, cor, pelagem e até cabeça, tendo quase todos no entanto um factor comum, a citada risca em forma de ponta de lança (geneticamente factor dominante).
     Em 1870 o reverendo missionário Charles Helm saiu do Cabo para estabelecer uma missão muito mais a norte (actual Zimbabwé Ex.Rodésia), com ele levou dois desses cães, o “ Power “ e a “ Lorna “. A missão foi construída e por lá passavam caçadores e viajantes com o fito de saber noticías, descansar, e até de recuperar de doenças ou ferimentos. Um desses caçadores era Cornelis Van Rooyen que apercebendo-se do potencial desses cães para caça maior, logo resolveu adquirir alguns, treinando-os para posterior utilização na sua caça preferida, o leão.
     Van Rooyen foi considerado no seu tempo o maior caçador de leões do Mundo, a sua fama e feitos ultrapassaram fronteiras e continentes, bem assim como a fama dos seus destemidos cães, de tal forma, que em finais do século XIX todas as grandes quintas da Rodésia e quase a totalidade dos caçadores dessa área possuíam pelo menos um “ galgo Van Rooyen “ ou “ cão leão Van Rooyen “ como eram conhecidos.
     Em 1915, Francis Richard Barnes adquiriu “ Dingo “ descendente de um “ Cão Leão Van Rooyen “, ficou de tal forma fascinado pelas suas excepcionais qualidades que, quando saiu de Salisbury para Figtree onde construiu a Quinta Eskdal, fundou também um canil com o mesmo nome para criação desses famosos cães (Eskdal kennel, o canil pioneiro e um dos mais famosos).
     Em 1922, Mr. Barnes convocou uma reunião de proprietários de “ Ridgeback “ com o firme propósito de fundarem um clube dessa raça (The Parent Club), e definirem entre eles um standard para posterior reconhecimento da raça. Decidiu-se tomar como base o standard do “ cão da Dalmácia “ com as necessárias e devidas adaptações. A raça foi reconhecida em 1925 sendo que o standard ainda hoje se mantém com ligeiras alterações, sendo as mais salientes, a circunscrição da cor branca às patas e peito e a erradicação da cor raiada.
     Muito importante foi ainda o contributo do major Vernon Brisley e dos seus “ Viking dogs “ , para muitos o Major Brisley foi o maior motor para a consolidação desta raça, aliás, se recuarmos nos pedigrees de 80% dos “ Rhodesian Ridgeback “ encontramos de certeza um cão do canil “ Viking “. Nos últimos 30 anos pontificaram dois excelentes canis de onde saíram os melhores exemplares , trata-se dos canis com os afixos “ Mushana “ e “ Glenaholm “.
     Existem cães com ridge no dorso em cinco outros lugares do planeta, na ilha de Phu Quoc (Golfo do Sião - actual Vietname), no Cambodja, no sul da Tailândia onde são chamados “ Mha Kon Klab “, em Timor onde lhe chamam “ riscas “, e na Baia dos Tigres, sul de Angola.
     Nos três primeiros casos, as opiniões dividem-se quanto à proveniência desses cães, uns opinam de que foram mercadores Árabes que os trouxeram, outros, que foram os Holandeses ( companhia das Índias, cujos navios debandavam o Cabo e Malaca), outros ainda e mais credível, que foram os Portugueses, patriotismo aparte, não podemos esquecer que as naus Portuguesas antes de atravessarem o Índico faziam a última aguada em Moçâmedes ( actual Namibe ), terra de Macubaios, Ganguelas e Kamussekeles todos tribos Khoikhoi ou Hottentots, não podemos esquecer também que muito antes dos Holandeses já os Portugueses demandavam o Golfo e Reino do Sião e Malaca, devemos de ter em conta ainda, que os Portugueses tiveram um tratamento preferencial, inclusive deixaram estabelecê-los em Ayuntya antiga capital do Sião, pelo que não será de estranhar a existência desses cães exactamente onde os Portugueses antes de todos os outros fizeram a sua comercialização de bens, principalmente armamento, sendo que a ilha de Phu Quoc , hoje Vietname , pertencia ao tempo ao Reino do Sião e era um lugar quase de certeza, isto pela sua localização, ideal para fazer aguadas e incursões a terra para venda do seu material , tanto ao reino do Sião como ao do Cambodja, por outro lado, é sabido que nas naus Portuguesas eram utilizados cães para defender as provisões dos ratos, sendo esses cães pequenos de tamanho para poderem entrar no cavername, não sendo portanto de estranhar que fossem cães dos Guenguelas pela sua resistência.
     Quanto ao “ riscas “ é mais que certo que foram os Portugueses que fizeram a sua introdução em Timor, tanto mais que a sua maior concentração é nas montanhas que distam muito pouco de Dili.
     No que respeita ao “ cão da Baia dos Tigres “ a situação é totalmente clara. No principio do século XX ocorreu um surto de raiva na zona de Moçâmedes, o governador provincial decretou imediatamente que fossem abatidos todos os cães, no entanto, alguns donos condoídos e revoltados com o decreto de extermínio resolveram embarcar na calada da noite algumas dezenas de cães numa embarcação e rumaram ao sul, quiçá, com o intento de posteriormente os recuperarem, desembarcaram-nos numa zona inóspita e deserta chamada “ Baia dos Tigres “,outrora uma península, mas transformada pela natureza em ilha desde 1940 aproximadamente, o governador apercebendo-se da habilidade, manteve o decreto por perto de cinco anos, inviabilizando assim a recuperação dos canídeos.

     Na “ Baia dos Tigres “ imperou a lei da selva e dos mais fortes e audazes, podemos até imaginar cenas de autêntico terror e canibalismo, só os mais fortes e capazes sobreviveram, entre eles estavam alguns cães Khoikhoi e alguns com eles cruzados, tal como acontecera no Cabo também os Portugueses cruzaram os seus cães com os dos Khoikhoi. Por via do factor geneticamente dominante, hoje existem matilhas de cães selvagens que na sua maioria ostentam na sua pelagem uma ponta de lança no dorso voltada para a cauda, estes cães alimentam-se de peixe, focas e albatrozes, são excepcionais nadadores, tendo-se adaptado ás condições mais duras e adversas de Angola e talvez do Mundo, são de uma ferocidade e auto defesa incríveis, inclusive, para se dessedentarem, e em virtude da água potável ser inexistente, bebem as pequenas partículas de água doce que existem no topo das ondas aquando da rebentação.  ORIGEM

1 comentário:

Manuel Guerra disse...

Procuro informações sobre os cães da Baia dos tigres.
Imagens ou contacto de que os tenha conhecido.

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