24 fevereiro 2016

Concha Pinhão in "Sabor Amargo Amargo Sabor"



Concha Pinhão, a poetisa, junto do marido, o médico Dr Pinhão, Delegado de Saúde, na época



Moçâmedes, a minha terra e suas suas gentes, foram fonte inspiradora de poetas que por ali passaram, ou que ali nasceram, e nos legaram poemas dignos de serem dados a conhecer ao mundo. tocados pelo sentimento e pelas emoções sentidas e vividas pela acutilância da mensagem que procuraram passar .

É o caso de Concha Pinhão que no seu livro "Sabor Amargo Amargo Sabor" nos mostra  toda exuberância de artista numa Angola que a fascinou quer pela sua majestática beleza quer pelas suas gentes com quem partilhou anos mais dourados  de sua vida.

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Concha Pinhão ( a meio da foto, de óculos escuros) participando num almoço de confraternização do pessoal da Casa de Saúde do Sindicato dos Empregados do Comércio e Industria de Moçâmedes,  juntamente com o marido, Dr Pinhão, Delegado de Saúde 
Eis alguns dos seus poemas:


AQUELA ANGOLA


Aquela Angola Mulata!...
Aquela Angola Mestiça!...
Beleza que às vezes mata
E se não mata enfeitiça!...
"Sabor Amargo, Amargo Sabor"
de Concha Pinhão
Poesia Angolana


NAMIBE
Por tê-lo assim tão perto,
A areia deste deserto
Enamorou-se do mar.
E viver ardente, corada
Por sentir-se desejada
Desejada sem se dar.
Angola 1968


Concha Pinhão (Do livro de poemas «Sabor Amargo»)




EMBONDEIRO

Irei amar-te,
Embondeiro
Meu tronco seco no teu,
Braços que vão pocurar
Outros que buscam o céu,
que nesse monte cimeiro
onde vives desolado,
Vou cobrir teu peito nu.
Com o meu cabelo enrolado!


Na solidão... eu e tu.


Estendo tuas raízes
A dar seiva a quem passa,
Agente que passa a rir,
Fingindo que são felizes
Num mundo todo a ruir.


Ao menino deserdado,
mais pobrinho,
mais sozinho,
Que brinca lá na lagoa,
Dou teu fruto aveludado
Para fazer uma canoa.


Dou o teu ventre fibroso,
A mendigo desditoso,
Por abigo em noite fria;
E as feras mansas, tremendo,
No medo sem companhia.


Nós vamos rindo embondeiro
Desse teu monte cimeiro,
De quem ri da solidão.
De ti, que não vales nada,
Nem dás tábua para caixão


Como é bom ser esse nada!...
Não dar tábua serrada,
Não ser madeira forrada,
A transportar podridão!...

....

Concha Pinhão foi a vencedora do 1º prémio dos Jogos florais das «x Festas do Mar» 1971, com o poema «Embondeiro»
 Concha Pinhão (Do livro de poemas «Sabor Amargo»)


Nota: fotos dispensadas pelo grupo Moçâmedes/Namibe
 No entanto, devo lembrar que pelo facto de estarem disponíveis online não significa que possam ser usadas sem o respeito pelas condições em foram licenciadas. Essa licença CC significa que qualquer pessoa as pode usar desde que: 1) refira claramente quem é o autor da foto; 2) O uso da foto não seja comercial; 3) A obra resultante seja partilhada nos mesmos termos desta licença.



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