25 março 2016

Poema "Encontro", de Angelino da Silva Jardim


Foto: O Clube Nautico (Casino) de Moçâmedes (Namibe), em dia de "calema", num tempo em que a "Praia das Miragens" ainda não possuia as suas arcadas...





ENCONTRO


Velho Mar,
Aqui me tens, de novo e por inteiro,
No gosto de rimar
E de me embriagar
De sal... de sol... de sul... e nevoeiro!
Funda saudade foi a que me trouxe,
Presa dentro de mim
Como o eco sem fim
Da tua voz salgadamente doce!
Nos recessos ocultos da minha alma
Sopra o leste da antiga inspiração,
Que encrespa a onda calma
Da tua sempiterna agitação!
E vislumbrando, ao longe o assomo da calema
Que faz ranger os mastros no convés,
Dou forma, vida e cor ao meu poema,
-Marinhos versos que te são fiéis!
E sinto na extensão das minhas veias
Onde, em contínuo anseio, o sangue estua e salta,
O pronúncio das grandes marés-cheias
Que hão-de trazer à praia a rima que me falta!
De novo, pois, fraternalmente unidos,
inundo-me de paz e imensidade,
Sentindo refluir nos meus sentidos
A onda...a espuma... os longes...e a saudade!


(Angelino da Silva Jardim)
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Poema seleccionado para o CATÁLOGO do 1º Salão de fotografia do Mar, realizado na cidade de Moçâmedes pelo Grémio dos Industriais da Pesca do Distrito, tendo como finalidade promover a cultura da fotografia relacionada com a natureza maritima e suas actividades, aproveitando a celebração do 123ª aniversário da chegada à baía de Moçâmedes da 2ª. Colónia de Pescadores Portugueses oriunda do Brasil.
O Salão esteve patente ao público na sala de exposições da Associação Comercial, Industrial e Agrícola, em Moçâmedes das 17 às 20 horas de 26 a 30 de Novembro 1973.

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