26 novembro 2010

Passeio às «Hortas» reune familias huilanas e moçamedenses num domingo. algures em 1942

Esta foto, mostra-nos um grupo de famílias de Sá da Bandeira ("chicoronhos") e Moçâmedes ("cabeças de peixe") a caminho das «Hortas»  de Moçâmedes para um piquenique domingueiro, algures numa manhã de Verão, em 1942. Consigo identificar, entre outros, da esq. para a dt: Beatriz Cruz, e filha Lúcia,  Angelina R. Freitas Ferreira, filha e mãe, Delfina R. Freitas e neto, Florinda R. Jardim e  filho Arménio, Irene Pita de Sousa e  filha Lurdes?, Vina de Castro e as filhas Isabel Castro e Júlia Castro, Maria Teixeira e filhas Aurora e Manuela e ainda Leonel de Sousa, marido de Irene Pita de Sousa. Embaixo: ?, Manuel Máximo Ferreira, (marido de Angelina), ?, Ernesto Freitas (filho de Delfina). 

O passeio às "Hortas" era um escape para as gentes de Moçâmedes (Namibe), nesse tempo em que o número de habitantes não chegava aos 10 mil. Era geralmente no Verão,  aos domingos, dia de descanso semanal,  e era  a  Horta do Torres a preferida, por ser uma das mais bonitas da terra, situada próximo das margens do rio Bero,  para além de outras também  interessantes de visitar, na mesma zona, como as  do Venâncio Guimarães (Benfica e Quipola), a de João Martins Pereira, etc, etc. 


Cultivado na segunda metade do século XIX como um hábito burguês europeu que se instalou no Portugal Metropolitano,  o "passeio às Hortas" foi transladado para as colónias de África através de "colonos" portugueses que iam chegando, e acabou por se estender a todos os grupos sociais, popularizando-se. Um "passeio às Hortas" era até finais da década de 1950 sempre motivo de grande prazer e  de muita alegria. Passeava-se, dançava-se, conversava-se, namorava-se, cantava-se, tocavam-se vários instrumentos (guitarra, bandolim, concertina, etc,  se houvesse no grupo alguém vocacionado para tal, jogava-se às cartas, descansava-se, e, até  havia quem aproveitasse para  dormir uma sesta (sobretudo os homens mais velhos, ou os mais esgotados, após a semana de trabalho). E tudo isto à sombra de frondosas àrvores que o solo do Namibe era pródigo em oferecer. 

A hora da refeição era o momento especial em que todos confraternizavam  em volta de uma longa mesa (no caso da Horta do Torres), acobertada do sol por frondosas árvores que proporcionavam ao visitante um ambiente fresco e acolhedor, onde toalhas eram estendidas e sobre a qual se colocavam os vários  «farnéis», preparados por cada grupo, de acordo com as respectivas bolsas, e que na melhor das hipóteses poderia incluir de tudo um pouco: croquetes, rissóis, bifes panados, pastéis de massa tenra, frangos corados, frutos diversos, sandwiches variadas, queijo, fiambre, paio, bolos, pudins, queques, refrigerantes, cervejas, vinhos, etc.

Famílias havia  que  levavam consigo um pequeno fogão (alimentado a petróleo) e os ingredientes necessários, para mesmo ali, a um cantinho, cozinharem o almoço para o grupo, cuja ementa poderia ser uma caldeirada do bom peixe de Moçâmedes,  ou uma caldeirada  de cabrito, encomendado de véspera no talho do Barbosa que fivava ali bem juntinho à sede dos Bombeiros, próximo da Praia das Miragens, ou outra qualquer ementa combinada para o efeito. Terminada a refeição, enquanto as mães e avós iam tratando da louça e preparando o regresso a casa, ao mesmo tempo que, tagarelando sem parar,  punham a conversa em dia, os jovens confraternizavam, namoravam e divertiam-se e os mais novos corriam, saltavam, trepavam às àrvores, colhiam frutos, investigavam todos os recantos das "Hortas,",com a curiosidade natural e própria de uma idade que nada deixa escapar. 

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No tanque, à frente: Fernando de Andrade (Caguincha) e Mavilde. Mais atrás: Mário Bagarrão, Calila e  Du Carvalho,  Caparula..., ao fundo, à dt. Àlvaro Sereiero e Orlando Salvador.  De pé, junto ao tanque e da esq. para a dt: Alice de Castro, Maria Fonseca, Carolina Mangericão, Fernanda Pólvora Dias, Celeste Barbosa,...

Um outro atractivo da Horta do Torres, para os jovens, era um grande tanque ali existente, uma espécie de depósito de água de onde escoava, a determinadas horas do dia, para um sistema de rega através de valas,  a água necessária para as plantações. Era alí que nesses fins de semana de passeio às "Hortas",  rapazes e as raparigas da terra, à falta de uma piscina em Moçâmedes, nadavam, disputavam "provas de natação", ou exibiam os seus acrobáticos mergulhos, em amena confraternização.
 
Gostaria de deixar aqui registado o quanto a população de Moçâmedes era grata à família Torres, os proprietários das Hortas  aqui referidas, pela amabilidade com que as disponibilizavam, e de tal modo, que tinham sempre as suas portas totalmente abertas aos visitantes, e a tal ponto que nem havia necessidade de se pedir autorização para lá entrar. E mais, no regresso a casa, geralmente levávamos connosco sacos cheios de fruta que nos era oferecida, e enquanto ali, assistiamos muitas vezes a grupos de crianças trepando às árvores de onde retiravam quanta fruta  lhes apetecesse, sem quaisquer problemas. E como era saborosa!
 


A Horta do Torres possuia, entre outros atractivos,  um bonito "chalé", um pequeno zoo com alguns animais capturados no Deserto do Namibe, tais como gazelas, olongos, bambis, guelengues, impalas,  para além de macacos, viveiros carregados de passarinhos, para além de inúmeras àrvores das mais variadas espécies carregadas de deliciosos frutos, como mangas, de goiabas, tengerinas, laranjas, mamões, papaias, etc, etc.

O trajecto para as "Hortas", até ao início dos anos 1950, era por vezes problemático. A estrada não era asfaltada, e muito pó se "comia" pelo caminho, sobretudo aqueles que viajavam na parte de trás das carrinhas e camionetas de caixa aberta, que eram em grande número, como se pode ver pela foto. 


Mais problemática aonda era a travessiado rio Bero, antes da construção da ponte, em tempo de "cheias", quer para quem pretendesse aceder  às Hortas que ficavam do lado de lá do rio, ou desejasse prosseguir mais adiante, rumo às terras altas da Huila, uma vez que a estrada e a linha de comboio atravessavam o leito do rio, e devido às enxurradas vindas do planalto ficava completamente submerso. Quanto ao comboio, nessas ocasiões, este tinha que ficar no Saco do Giraúl, e as pessoas e mercadorias tinham que ser transportadas através de barcaças ou batelões dalí para Moçâmedes e vice-versa. Salvava a situação, o facto de não chover em Moçâmedes durante os 8 meses do ano, e o rio só possuir água no Verão, quando chovia. Ainda até bem dentro da década de 1950, o transporte diário de legumes e frutas que abasteciam as  "quitandas" da cidade,  era efectuado em carroças puxadas por bois, cujas rodas facilmente enterravam na lama. O leito do rio Bero não estava regulado, como veio a acontecer mais tarde quando da construção da primeira ponte.

Com o passar do tempo, esta tradição da ida às Hortas que foi forte até meados da década de 1950, e que reunia gente de todas as idades e de todos os parentescos, avós, pais, filhos, netos, bisnetos, tios, primos, sobrinhos e até amigos, que se juntavam amiúde para confraternizar, foi-se tornando cada vez mais esporádica, até que, praticamente, se extinguiu. Contribuiu para tal, o novo modelo de familia restrita, na maior parte dos casos reduzida ao casal e  dois filhos, que veio gradualmente substituir a  família alargada do tempo dos nossos avós,  e que levou, consequentemente, a uma maior privacidade, e a um tipo de vivência diferente daquela que anteriormente se cultivava, e deixara de ter lugar. 
Também com o fim da II Grande Guerra (1939-1945), por toda a parte aconteceram mudanças aos nível dos costumes que acabaram por chegar até nós. As pessoas tornaram-se mais soltas, os locais de diversão diversificaram-se,  o Cinema impôs-se como o entretenimento de eleição, os filhos tornaram-se mais cedo independentes, surgiram novas modalidades desportivas e outras tantas actividades voltadas para o lazer, que acabaram por canalizar o  habitantes do pequeno e pacato burgo.  A partir dos anos 1960, com a nova política de povoamento, Moçâmedes perdeu a feição que socialmente a caracterizava como uma cidade, onde  entre a população branca se dizia, todos se conheciam, e todos eram primos e primas. Muito gente nova foi chegando à cidade,  fruto da nova política de povoamento do Estado Novo,  enquanto por outro lado muitos jovens ali nascidos, descendentes dos chamados "velhos colonos", filhos e netos de gerações enraizadas à terra, partiram para o serviço militar obrigatório, arranjaram emprego noutras paragens, por lá casaram, e por lá ficaram.  E do "Passeio às Hortas", a esses deliciosos oásis  com a sua viçosa arborização cuidadosamente cultivada, de refrescantes sombras,  odoríferas de flores e saborosos frutos que fizeram o encanto dos nossos pais e avós, e que nós ainda chegámos de certo modo a partilhar, nada mais restou que  gratas recordações em antigos albúns de familias.
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Voltando ao tempo em que eram efectuados com maior persistência estes passeio às "Hortas", um tempo que remonta talvez aos promórdios da colonização luso-brasileira e algarvia e perdurou forte até meados dos anos 1950, direi que a vida não foi fácil para quem ali vivia, e que confundir colonos, simples emigrantes, com colonialistas, será extrapolar para a generalidade da população de origem europeia uma situação que, quando muito, era de meia dúzia. Na verdade o colonialismo criou o sistema e para ele arrastou colonos a maioria dos quais gente trabalhadora, que tudo o que queria era vir a ter uma vida digna e melhor que aquela que tinha na pátria-mãe, sendo que a grande percentagem acabaram as suas vidas sem fortuna, como simples trabalhadores pot conta de outrem, pouco mais ganhando para o dia a dia com alguma dignidade.

Nesse tempo (refiro-me à Angola de meados dos anos 1950), apesar dos muito propalados "500 anos da presença portuguesa em terras de África",  excepto  as ruas da baixa da cidades, as estradas estavam por asfaltar, e, buraco aqui, buraco alí, entre nós todo o percurso para as "Hortas" era efectuado aos saltos, e com a areia levantada do chão a fustigar o rostos.  Em consequência da guerra, desde 1939 a 1945, tudo era racionado, senhas eram distribuidas às populações para racionamento de bens, e porque as fábricas nos países europeus industrializados de onde vinha o material para obras de fomento, etc, estavam ao serviço do armamento, havia restrições de toda a ordem que se faziam sentir nas colónias  onde tudo tinha que ser importado.    Por via de tais restrições,  o progresso de Angola e das colónias, já de si restringido e atrasado, esteve paralizado, e os parcos meios de transporte  existentes foram-se degradando. Era difícil a aquisição de viaturas, incluindo viaturas próprias, que naquele tempo era considerado um luxo raro, e toda e qualquer reparação ficava inviabilizada por falta de material. As viagens entre Moçâmedes e Lubango lá se iam fazendo, nos poucos veículos que existiam, através da perigosa Chela, ou no  velho e ronçeiro comboio  (o Camacouve) que demorava o dia inteiro para completar o percurso de 250 Km, obrigando as pessoas a munirem-se de farnéis para a viagem. Inclusive, o projecto  promulgado pelo Marechal Óscar Carmona, na 1ª viagem Presidencial, a Moçâmedes, em 1938, que previa para os Caminhos de Ferro alguns melhoramentos (substituição do material fixo, alargamento da bitola, rectificação do traçado, e o prolongamento até ao Tchivinguiro), acabou por ser travado, dada a impossibilidade de aquisição de apetrechamento, máquinas, etc. 

Para melhor se fazer uma ideia da penúria de meios, importa referir que o atraso já vinha detrás, e  que se alguma coisa começou a ser feita pelos transportes e vias de comunicação nesta zona do sul de Angola, começou por sê-lo por força de interesses de estratégia militare.  Basta referir que  o início da construção dos Caminhos de Ferro de Moçâmedes se deu em 1905,  numa altura em que decorriam, no sul de Angola, as campanhas do Cuamato (1905,1906,1907),  embora a autorização do Governo remontasse a 1890. Em 1907, ficaram concluidos os primeiros 67 Km. O projecto previa que a linha chegasse a Sá da Bandeira (Lubango), mas em 1910 as obras pararam e só retomaram em 1917, ficando concluídas em 1923.  Na Revista GAZETA, nº 296, de 16.12.1946,  encontramos um artigo, assinado pelo engº Machado Faria e Maia, espécie de resumo de um livro do Coronel Lopes Galvão, onde vêm mencionados os estudos efectuados para a construção daqueles Caminhos de Ferro, desde Joaquim José Machado aos Engenheiros Torres e Costa Serrão, que incluiam a construção de uma cremalheira de Vila Arriaga ao planalto que não chegara a ser construida, sendo em 1930,  mais uma vez por força de operações militares, que o Governo se vira obrigado a avançar. Refere ainda o mesmo artigo, que foi o engº Pinto Teixeira quem finalmente logrou levar a cabo os Caminhos de Ferro até ao Lubango, de acordo com o projecto do Engº Torres, e quem na época tinha avançado com a ideia da ligação ferroviaria de Porto Alexandre à Baia dos Tigres e ao planalto, ideia que foi travada porque tiraria a importância ao porto de Moçâmedes. Não obstante, entre avanços e recuos, decisões e indecisões, interesses e desinteresses, sempre houveram aqueles que deram as suas vidas por Angola e contribuiram para esse algo que ia sendo feito. Há no mesmo artigo um elogio ao trabalho de dezenas de engenheiros (52) que estiveram envolvidos e faleceram no decurso das suas missões em prol da abertura de vias de comunicação em Angola, entre 1877 a 1918, para além daqueles que à época se encontravam envolvidos e ainda se mantinham vivos. Nesse tempo, Andrade Corvo é citado como o primeiro Ministro do Ultramar a precupar-se seriamente com o desenvolvimento das colónias de África, até então caidas na indiferença do Reino. E asim é comum ouvirmos com um refrain que, excepto no curto período em que governaram homens como Norton de Matos (1912/1914 e 1920/1923) , que olharam com novos olhos para Angola, e para as suas gentes, a colonização até finais dos anos 1940 tinha sido um desastre. Até 1836, Angola estivera reduzida a entreposto de tráfico de escravos para enriquecimento do Brasil e Américas. O tráfico teve a abolição definitiva já no último quartel do século e as famlias portuguesas praticamente só começaram a chegar nos anos 1920. Moçâmedes tinha  sido a excepção, a oportunidade que Portugal não deixou perder, quando luso-brasileiros perseguidos resolveram ali fixar-se (1849-50), e quando de sua conta e risco algarvios ali se fixaram (desde 1861). Houve ainda outra experiencia com familias madeirenses no sul, e potco mais no que tica a familias inteiras, Com a queda da l República em 1926,  veio a ditadura militar. Em seguida  surgiu Salazar e a ditadura civil. Utilizando o Acto Colonial  Salazar (1933)  reformulou a divisão administrativa do território e liquidou a pouca autonomia conquistada no periodo inicial da I Republica, com Norton de Matos como Alto Comissário, regime  que foi para as colónias motivo de esperança para portugueses e angolanos, mas que foi extinto e substituido pelo pelo sistema de Governadores Gerais  em consonância com o Concelho de Ministros presidido por Salazar. O aparelho repressivo do Estado instalou-se e foi  reforçado com a criação da Polícia Política (Pide), enquanto os partidos políticos foram substituidos pela União Nacional. A crise económica agravou ainda mais a situação, para além do manancial de leis abstrusas que vieram travar, social e economicamente o desenvolvimento de Angola. A II Grande Guerra Mundial (1939-1945), veio acompanhada novos condicionalismos, ainda que na década de 1950 se tivesse verificado alguma recuperação ao nível económico e social, mas Angola não  era  mais que um reservatório de matérias-primas e de produtos primários, um mercado dos produtos semi-transformados da economia metropolitana, praticamente sem indústria, com os investimentos desencorajados e a penetração dos capitais estrangeiros severamente regulamentada. O muito que foi feito por Angola foi, infelizmente, num tempo além do tempo, ou seja, un tempo extra já após 1960. Nos 13 anos finais da presença portuguesa na colónia, quando Salazar, sob a pressão dos massacres perpertados pela UPA, no norte de Angola,  lançou o grito  de alarme "para Angola, rapidamente e em força", e , ao mesmo tempo que acabou com toda uma panóplia de leis absoletas e  probições  que impediam o desenvolvimento económico  do território e a elevação social  das suas gentes, deu  início a uma guerra sem fim à vista contra os movimentos de libertação.

Foi como que uma corrida contra o tempo, que teve como resultado profundas transformações  no aparelho produtivo que beneficiaram uma boa parte do próprio conjunto social angolano. Em 1975, Portugal deixou um país  com mais de 3.000 km de linhas férreas, milhares de quilômetros de estradas de primeira qualidade, portos de mar devidamente apetrechados, e uma capital como Luanda, uma das mais bonitas, importantes e dinâmicas das cidades de toda a África ao sul do Sahara, a que ostentava o maior número de cidades, se exceptuarmos a África do Sul, e o povo angolano, inda assim, acabou por receber um grande país, com fronteiras definitivamente demarcadas, uma língua unificadora, e uma nação próspera e praticamente autosuficiente em tudo: indústria, agricultura, pescas, minérios, petróleo, diamantes, ferro, manganês, etc, para além de alimentos como milho, açúcar, café, de que chegou a ser o terceiro produtor mundial, carnes, peixe e marisco, e da farinha de peixe, considerada a melhor do mundo. Porém nos campos político e social podemos considerar que Portugal falhou redondamente. A   esmagadora maioria dos angolanos espalhados pelo interior do território, apesar do esforço efectuado, continuava a viver no limiar da subsistência, mantinha-se esmagadoramente analfabeta, e sem falar português. E os 13 anos de guerra, não obstante depressa reduzida a zonas fronteiriças do norte e leste do território, vieram comprometer decisivamente toda a boa convivência e todo o pacífico labor exercido pelos portugueses dignos em Angola! A História de Angola ainda está por se fazer!
MariaNJardim

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