16 fevereiro 2011

Alguns dados genealógicos de familias antigas de Moçâmedes: a família de Francisco José Serra

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Quem viveu em Moçâmedes decerto conheceu José Serra, o moçamedense que fo um conceituadoi funcionário do Sindicato de Pesca de Moçâmedes, e mais tarde  do Grémio dos Industriais de Pesca e seus Derivados do Distrito de Moçâmedes, após extinção do referido Sindicato. Na foto,  enquanto guarda-redes do Ginásio Clube da Torre do Tombo, o clube do dragão flamejante (como se pode ver impresso na camisola), inaugurado em 1919, que foi pioneiro em Moçâmedes com as modalidades desportivas de futebol, natação, remo e vela. 


 José Serra,  na Praia das Miragens em Moçâmedes quando era ainda jovem

José Serra era casado com Ivone de Sousa, uma das filhas de José de Sousa (1), mais conhecido por José de Deus (1). Era  irmã de José de Sousa (conhecido pela alcunha de José Malcriado, casado com Ângela Martins Nunes pais da Graça e  da Ângela),  e de Henrique de Sousa (casado com Guilhermina (não deixaram descendência) , e ainda  de Leonilde de Sousa (casada com o professor Marques, da Escola Portugal). 


 

Francisco José Serra, pai de José Serra



José Serra era filho de Francisco José Serra, natural de Olhão,  um dos muitos olhanenses que emigraram para Mossâmedes /Moçâmedes, Angola, hoje cidade do Namibe, no último quartel do século XIX,   numa época em que, após a Conferência de Berlim, decorriam na Metrópole  campanhas de sensibilização para angariamento de "colonos", efectuadas através da imprensa e de editais, que  de norte a sul de Portugal eram colocados  nos adros das igrejas,  incentivando os portugueses a partir  para as terras longínquas de África, onde lhes prometiam uma vida melhor.  Portugal  de acordo com os ditames  saidos daquela Conferância (1884-5), era  obrigado pelas potências europeias industrializadas de então,, a  povoar e a explorar as  muitas e diversificadas riquezas das suas  colónias,  sob a pena de as ter que ceder  a quem tivesse melhores condições para o fazer.
 
Do casamento de José Serra com Ivone de Sousa nasceram Ivone Serra e Alexandre Serra. Mais tarde, viúvo, José Serra voltou a casar com Arménia,  de cujo casamento nasceu mais uma filha  que faleceu novinha  ainda em Moçâmedes.

Os pais de José Serra,  Francisco José Serra e Inês de Jesus Serra, tiveram mais três filhas:  Florinda Serra, Clarisse Serra  e Georgete Serra, todos nascidos em Moçâmedes.  Florinda foi casada em primeiras núpcias  com Raúl de Pinho Gomes e mais tarde com Matos Mendes. Clarisse  casou em Moçâmedes com Dinis, mas cedo partiu da cidade indo viver para a Metrópole.. Georgete casou com  José Duarte, conceituado comerciante da terra até 1975 (Mercearia e Modas, ao fundo da Rua da Hortas, e Pescaria na Baia dos Tigres em sociedade com Olimpio Aquino)
  A família Francisco José Serra, possuia, na época, uma das muitas pescarias que circundavam a baía de Moçâmedes, situada  junto da Fábrica de Conservas que nos anos 1950 era propriedade da Sociedade Oceânica do Sul (SOS). O patriarca Francisco José Serra faleceu ainda novo, em plena laboração, quando saltava de um barco para a ponte,  este virou e bateu-lhe no peito.

                                                                
Os estaleiros da Torre do Tombo, em Moçâmedes, hoje Namibe


Foto tirada nos estaleiros da Torre do Tombo, que ficavam onde é hoje a marginal, em zona próxima da Igreja Paroquial de Santo Adrião. Em cima e da esq para a dt: Florinda Serra Matos Mendes, Getinha Serra Duarte, José António Serra Duarte e José (Zeca) Embaixo: Olimpia Aquino, Georgete Serra Duarte, Florindo Matos Mendes e Leonélio Matos Mendes


Do  primeiro casamento de Florinda Serra com Raúl de Pinho Gomes nasceram Artur Pinho Gomes,  Carlos Pinho Gomes, e ? Pinho Gomes. Do 2ºcasamento, com Matos Mendes nasceram Leonélio (de alcunha Cuanhama) Florindo e José, 


Georgete Serra Duarte e José Duarte, eram  pais.  de Georgete (Getinha) e de José  António (faleceu de acidente automóvel,  quando ia de viagem de férias, de Luanda para Moçâmedes,  enquando prestava  serviço militar). Ambos encontram-se na foto, em cima e ao centro.

(1) Segundo Carlos Cristão,  in Memórias de Angra do Negro - Moçâmedes- Namibe (Angola):

"... A convicção e a vontade de vencer contaminou  outros conterrâneos. Prestaram-lhes as informações precisas das madeiras necessárias para as estruturas a construir (esqueletos, braços, quilhas, etc.) que ali teriam em abundância e que a mulemba (Ficus psilopoga) lhes poderia fornecer a contento. Somente teriam de trazer tábuas de pinho, das medidas que achassem indicadas, para barcos de 10 a 15 toneladas. Como complemento teriam de trazer estopa, breu, cavilhame, sebo, tintas e em suma, tudo quanto achassem de trazer, sem esquecer lonas para as velas, fios de cozer, agulhas para palomar, cabos para guarnecer as mesmas e para as adriças, ostagas, amuras, cabeleiras para as prôas, etc. etc.


E foi ssim que, cheios de entusiasmo, esperança e fé, se trasferiram, do Algarve para Mossãmedes, os conterrâneos construtores navais, por sinal de grande prestígio. De distinguir o primeiro - Manuel Simão Gomes - a quem os petizes chamavam de avô Leandro e que instalou um estaleiro junto da praia, perto de uma escola primária, pertencente D. Maria Peiroteu, dentro da baía, a uns escassos passos da Fortaleza S. Fernando. O segundo, José de Sousa - conhecido por José de Deus -  que,  acompanhado pelo calafate João de Pêra, se estabeleceu  numa das praias junto do morro da Torre do Tombo. (...)»




Fica mais esta recordação.
MariaNJardim


Fotos gentilmente cedidas por Leonélio Matos Mendes e Olímpia Aquino Arvela

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