09 fevereiro 2007

Bailes de Carnaval e passagem de ano na década de 50 e princípios da década de 60.












Estas fotos levam-nos até aos animados bailes de Carnaval que se realizavam nos amplos salões do Atlético Clube de Moçâmedes e do Clube Nautico (Casino), nos finais da década de 50, princípios da década de 60.

1ª foto: Num baile de Carnaval, podemos ver em primeiro plano Noelma Coelho (basquetebolista do Sporting Clube de Moçâmedes) e José Luís Pardal.

2ª foto: Nesta foto reconheço também o moçamedense José Luis Gomes Ferreira (mais conhecido por José Luis Pardal)

3ª foto: Entre outros/as, reconheço, da esq. para a dt.: Luisa Polvora Dias, ?, Diogo Baptista e ? , Isaura Aguilar e Polvora Dias, e atrás Rui coelho de Oliveira e Rosália Bento. Ao centro e atrás, Amélia Castro.

4ª foto ao centro, Raquel Nunes e Diogo (mascarado), ensaiando uns passos de dança que Raquel tão bem sabia acompanhar.

5ª foto, um baile e passagem de ano no Club Nautico, nos finais da década de 50. Ao centro, pode ver-se, o casal Fernando(de costas) e Orlanda Cabeça, um pouco à dt., o casal Orlando e Amélia Salvador. À dt.???..

O salão de festas do Atlético Clube de Moçâmedes era um amplo salão, com todas as condições para servir os desejos de diversão das gentes da cidade do Namibe. Contudo, era o salão do Club Nautico, ou Casino, situado numa zona previlegiada, junto à Praia das Miragens,
o mais elegante da cidade, sendo frequentes em ambos, as matinées dançantes alí realizadas aos domingos, e os bailes, aos sábados à noite, em épocas festivas, como na passagem de ano, (Reveillon), no Carnaval, etc. Muitos dos jovens frequentadores dos bailes do Clube Nautico, sobretudo no Carnaval, que em  Angola decorre em pleno Verão, tinham o hábito de acabar a festa na Praia das Miragens , mesmo ali em frente., onde ficavam até à hora do almoço.  E o mesmo nos Reveillons, em fins de ano, também já considerada uma época quente, tinham o hábito de acabar dormindo na areia da praia até começar ao sol a raiar e  gente a chegar. 


Na década de 1950 os bailes e matinées dançantes eram abrilhantados pelo famoso  e muito estimado conjunto musical «Os Diabos do Ritmo», com Albino (Bio) Aquino ao piano (ou ao acodeão),  Lito Baía ao acordeão, ( ou à guitarra)  Albertino Gomes, o baterista,  Marçal ao saxofone, Frederico Costa e Serieiro com as suas maracas. Mas os «Diabos do Ritmo» também tinha os seus vocalistas. Recordo-me por ex. da voz de Henrique Minas e de José Manuel Frota, que actuavam de quando em quando. Quantos bailes de Carnaval e «Reveillons» ficamos a dever a este grupo de talentosos amadores de música cheios de vivacidade e contagiante alegria! Era quase uma orquestra! 

Quando estes «arrumaram» os seus instrumentos e deixaram de tocar, surgiram as «bandas», com menor número de intervenientes, geralmente constavam de dois à guitarra (o baixo e o solista), o sintetizador (o teclas) e o baterista, além do vocalista. Recordo a banda de Laurentino Jardim (baixo), Antero (bateria), Vieira (solista) etc. Outra banda denominada «Os Selvagens» era composta por Carlos Cristão (baterista),  Fernando Vieira (viola solo), Beto Leitão (viola ritmo) Ginho  Chalupa (viola baixo), Reinaldo Bento e Rui Vieira (vocalistas).

No Clube Nautico também se organizavam concursos infantis de máscaras de Carnaval, além de passagens de modelos esporádicas. Durante a época balnear, o Club Nautico chamava a sí a organização de competições de natação, vela, remo, e durante todo o ano, no seu campo de jogos, decorriam treinos e disputas em modalidades, como o ténis, sendo ainda este campo, frequentemente emprestado para treinos a outros clubs, como o Ginásio Club da Torre do Tombo, que alí ia treinar a sua equipe de basquetebol feminino. Nos últimos anos da colonização portuguesa, a actividade do Club Nautico, excepto os bailes que foram espaçando, mantinha-se ténis e os jogos de mesa, ou seja jogos de cartas, poker com seus «habitués», vulgo «batota». 

Chegou a haver em determinada altura, nos finais dos anos 1960, um grupo de moçamedenses que  procurou pôr em prática um projecto que consistia em fundir o Casino com o Rádio Clube sob o nome «Rádio Clube Nautico de Moçâmedes». Este projecto que nunca foi levado à prática passava pela venda do edifício do RCM  para com o produto  da mesma se proceder à conclusão do 1º andar do clube onde ficaria instalada a emissora de rádio.

Já  nos últimos anos da permanência portuguesa Marilia Cavaco  passou a explorar na cave do Clube Nautico aquela que foi a primeira Discoteca da cidade, na cave do Clube, fazendo-se a entrada para a mesma através das traseiras.Foi a partir daí que teve início uma sociabilidade separada, porquanto os jovens, principalmente as raparigas iam aos bailles do Atlético e do Casino geralmente acompanhadas da familia e amigos, gente de diferentes idades que frequentava estes  salões, e a partir daí passaram a encontrar-se com jovens da sua idade.


MariaNJardim



Foto: Era uma vez Angola...