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09 abril 2008

Gente de Porto Alexandre em Angola (actual Tombwa)



Fotos gentilmente cedidas pelos amigos Álvaro e Beta Faustino.
Segue um belo poema assinado por Adamário Lindo:

Alexandrenses da Tombua

com asas sempre fomos.
crescemos de vela em vela
ao sabor das ondas

e na maré o tempo
furámos brumas caducas
rasgámos dos céus negrumes,

vencemos garroas e calemas
bebemos águas insalubres
soubemos da chuva o improvável,

mas a vida brotou perene
das areias, nas águas, da porfia
no anzol em gancho.

por uma vez
com ribombos do trovão
nos aterraram

e aqui somos
fora do tempo e do espaço,

sabendo o que fomos
e ao que vamos.

admário costa lindo
in “Makamba” (inédito)

06 outubro 2007

Gente de Porto Alexandre





























1ª foto: grupo de jovens alexandrenses em noite de festa.

2ª foto: Grupo de alexandrenses posam para a foto junto da Casa de Modas Ferreira e Faustino, Lda., em Porto Alexandre (actualmente Tombwa). Reconheço, entre outros, à dt. Navarro, e a penúltima, à esq. Zázá Faustino.

3ª foto:Nesta foto, tirada numa das ruas de Porto Alexandre, junto a vivendas pintadas de branco, reconheço Àlvaro Faustino, Manuel Silva e Abel Lopes.

Jovens de Porto Alexandre em dia de festa no Independente Club



























Princípios da década de 60, em Porto Alexandre
1º foto: De pé e da esq. para a dt: Chiquinho, Eduardo Faustino, M. Silva e Àlvaro Faustino
Sentadas à frente e da esq. para a dt.: ?, Claudete e irmãs, ?. Atrás: ?, Marinália e Belarmina
2ª foto:

Porto Alexandre: Revista «A prata da Casa»




Revista «A Prata da Casa». Finais dos anos 50. Ensaiador: Dr. Rui Coelho
1ª foto:

11 julho 2007

Gente de Porto Alexandre (anos 60)































1ª e 2ª fotos
3ª foto: ........Na festa da Senhora da Conceição, padroeira da terra, era tradição as traineiras e canoas engalanadas, tal como em algumas povoações piscatórias de Portugal, encostarem as proas à praia, onde um estrado improvisado de madeira servia de púlpito em cima do qual, perante quase toda a população a assistir, o padre rezava a missa e em seguida pedia a benção da Santa protectora para os barcos, para o mar que não é só dos pescadores mas de todos os que ganham a vida nele e dos que nele. Ao acabar a missa campal, os barcos faziam soar as suas sirenes e entre a população estalejavam foguetes.

4ª foto: nesta foto, tirada entre a Pescaria de Coimbra e Silva e as dunas de Porto Alexandre que se podem ver ao fundo, encontram-se, entre outros, Fernanda Barata (eª a partir da esq.), os pais e o irmão Miguelito, José Gouveia (mecânico), José Boucinha, ?, e Júlio Gordo, figura muito conhecida da terra.

5ª foto: Aqui está representada a família Baptista, família alargada, muito conhecida em Porto Alexandre, entre os quais se reconhece. José, Júlio, Óscar,... Arménio,
Chico (com o copo na boca), Isilda, Lizete, Walter, Profícua (de pé). Era assim a vivência entre as pessoas naquele tempo em que as famílias viviam praticamente nas mesmas cidades e vilas e as pessoas tinham o privilégio de estarem sempre juntas. Com o rodar dos anos este modelo de família se esboroou. A vida das pessoas complicou-se sobretudo nas grandes cidades, as famílias tornaram-se mais pequenas, os seus membros dispersaram-se por várias cidades e este tipo de convívio, naquele tempo tão frequente, passou a pertencer ao passado, ou no melhor dos casos, a dias especiais de festa como os Natais e pouco mais.
Fotos gentilmente cedidas por Fernanda Barata.



O Curoca agora vai seco.
Não admira, é Setembro...

Um pouco mais a Sul
há ventos de areia
cercando a cidade
de cabeleiras protectoras,

por todo o lado
corre um cheiro intenso a peixe.
Esta é a terra dos cabeças-de-pungo!

Entre cacimbo que passa e vento que sopra
o tempo espreguiça-se sobre dunas.
Há peixe seco e cheiro intenso de peixe
secando escalado ao sol e ao sal do deserto.

Sobre as eiras longas estendidas solarengas
secam farinhas de peixe e guano.
O tempo em Tombua, mangonheiro sem igual,
corre, assim, ao sabor,
ao odor de peixe-mar-vida.

E sobre as eiras vazias mangonheiras
- estendidas nos frios do entardecer -
um vento cruel atira às pernas nuas dos miúdos
pequenos grãos de tempo-nada que magoam.


Namibiano Ferreira
Curoca - Rio da província do Namibe, só leva agua no período das chuvas.
Cabeças-de-pungo - o mesmo que cabeças-de-peixe, nome que se da aos naturais da cidade de Tombua (Porto Alexandre) mas também aos da cidade do Namibe (Moçâmedes).
Mangonheiro - Preguiçoso.

Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=45048

26 abril 2007

Porto Alexandre (actual Tombwa): 1. Grupo feminino de acção católica 2: Espectáculo no Club Recreativo (1961)



Esta foto foi tirada durante um espectáculo realizado no ano de 1961, no Cinema do Clube Recreativo de Porto Alexandre, pode ver-se, entre outros, o casal Eteldina Carvalho Frota (Tedina) e José Manuel de Frota (Chefe de Produção do Rádio Club de Moçâmedes e grande comunicador) em primeiro plano, o Dr. Moreira de Almeida, (médico e figura muito estimada no distrito de Moçâmedes), e mais atrás, Alexandre Francisco Trocado (conhecido por Xanduca), Marrão (da Cimar), Eduardo Faustino (gémeo) e Parente. O Clube Recreativo de Porto Alexandre, implantado num velho edifício no centro da Vila, era nessa época o grande animador da cidade. Foi alí que os alexandrenses começaram a assistir às primeiras sessões regulares de cinema, foi alí que se desenrolaram as várias manifestações sócio-culturais que animaram a vila com frequentes bailaricos e reuniões várias, onde não faltavam os jogos de cartas, jogos de "batota" e outros, quer a dinheiro quer a maços de cigarros, um dos grandes entretenimentos dos alexandrenses do sexo masculino após o dia de trabalho e até à hora de jantar.
Fotos: «Recordar Angola»



CLUBE RECREATIVO ALEXANDRENSE
 
Este Club, fundado em 1920, um ano após a formação do Independente Clube de Porto Alexandre, no tempo colonial encontrava-se sediado num velho edifício no centro da Vila, e era  alí o local onde se realizavam todas as manifestações sócio-culturais: bailaricos, reuniões de todo o género, havendo também salas de jogos onde os homens da terra jogavam  à "batota" quer a dinheiro, quer a maços de cigarros a que não faltavam clientes, especialmente entre as cinco horas da tarde e a hora de jantar, e foi no Recreativo o ponto de encontro que pela primeira vez pod alexandrenses puderam assistir  a sessões regulares de cinema. Possuía uma Guiga para regatas a remos que talvez utilizada em outros tempos, teria acabado os seus dias corroida e desgastada. 

Centenário de Porto Alexandre. Resumo da Reportagem em 8.1.195. Sessão Solene no Clube Recreativo Alexandrense, fundado em 1920, com as seguintes representações: Carlos Moutinho (chefe de produção do Rádio Club de Moçâmedes), Magalhães Monteiro (Diário de Luanda), colono Sebastião Sena,  Câmara Municipal de Moçâmedes
 (Raul Radich Junior, Virgilio de Carvalho, Abilio Gomes da Silva, e Rui Mendonça Torres). Como porta.bandeira Artur Trindade, Secretário da Câmara Moçâmedes. O discurso foi efectuado pelo Capitão Gastão de Sousa Dias.


 


Nesta foto, tirada no interior do Colégio Cónego Zagalo por volta dos anos 60, e representativa do Grupo de Senhoras da Acção Católica alexandrense, reconhece-se, de cima e da esq. para a dt.: Maria da Graça Neves Graça, Nide Ilha Sena, Josefina Tendinha, Lídia Delgado Peleira, Maria Feiteira Trocado, Margarida e Angelina Barreto. Em baixo: Lurdes Ilha Tendinha, Gladys Sampaio Nunes, Zica Cristão Marques e Beatriz Assunção. Os movimentos de acção católica no feminino, eram em geral constituídos por senhoras bem colocadas na sociedade, que se dispunham a fazer a sua acção social de apoio e ajuda aos mais carenciados, e de facto as senhoras que aqui vemos faziam parte desse grupo de famílias muito conhecidas e consideradas, que constituíam o eixo em volta do qual gravitava a vida social e económica da cidade de Porto Alexandre


Para mais informações sobre o movimento de Acção Católica iniciado em Portugal no período entre guerras, do século passado, tendo por objectivo uma intervenção junto das massas populares, em ordem à restauração dos valores do cristianismo: http://www.agencia.ecclesia.pt/noticia_all.asp?noticiaid=45659&seccaoid=3&tipoid=186Sobre famílas alexandrenses, para mais informação: http://geohistharia.blogspot.com/2006/02/relembrando-porto-alexandre-i.html






24 abril 2007

Porto Alexandre (actual Tombwa)










































































































1ª e 2ª fotos: Fotos tiradas no decurso de um «porto de honra» oferecido pelo Independente de Porto Alexandre às basquetebolistas do Atlético Clube de Moçâmedes. Na 2ª foto reconheço Julia Jardim,
do Atlético, (sentada à esq.), e Alvaro Faustino, de pé à esq. Na 2ª, reconheç, à dt., Ernestina Coimbra, e ao fundo, a meio, Álvaro Faustino e Armindo Alves.

3ª , 4ª e 5ª fotos: Encontro de basquetebol feminino realizado em Porto Alexandre, entre o Independente daquela cidade (shorts brancos) e o Sport Moçâmedes e Benfica (calções brancos).


4ª foto: Campo de jogos de terra batida do Independente de Porto Alexandre, no largo onde estacionavam os autocarros da carreira de Sousa e Irmão. Foto tirada no decurso de um treino de basquetebol feminino em que participavam as seguintes jogadoras: Bernardete Tavares, Ernestina Coimbra, irmãs Goelas, Rosa Gancho, ...

5ªfoto: Uma pausa para o descanso dos empregados da pescaria CIMAR.


6ªfoto : Este era geralmente o ambiente aos domingos à porta do Flamingo Bar, onde alguns alexandrenses tinham por hábito reunirem-se para um agradável bate-papo... Curioso é o cartaz que se encontra colado na montra do café, onde se lê nitidamente «Vem aí o Varzim», sugerindo uma próxima visita deste clube a Angola e a Porto Alexandre no ano 1966

7ª foto: O bonito Cine Alexandrense e o seu pequeno jardim.
Fotos retiradas de
http://www.sanzalangola.com/

Sobre a 6ª foto, encontrei esta quadra que se adapta no site da ADIMO/poetas moçamedenses, em AROMAS DA MINHA TERRA (5)

No desporto, o Independentezito
Famoso com Estrelas lá do sítio
Conquistaram taças Provinciais
E discutiram até títulos Nacionais


O autor tenta explicar:
(...) Fala do Clube da terra, o Independente Sport Clube, que foi várias vezes campeão de Angola e veio por duas vezes ao Continente Europeu disputar a Taça de Portugal. Uma delas com o União de Tomar e outra com o Benfica (na altura, o Eusébio ainda jogava). O jogador mais habilidoso e que fazia a diferença, de nome Estrela, inspirou-me para o conjunto.

Também encontrei aí numa outra quadra
(7), algo sobre o Flamingo Bar, o Bar que se pode ver na 5ª foto:

Nos “flamingos” dessa terra
Muito líquido se bebericou
O copo que a mão cerra
Nunca das voadoras se livrou

E a seguir a interpretação dada pelo autor:
«.....havia um Bar muito famoso chamado “Flamingo”. Por esta razão, considero no poema, que todas as casas de pasto existentes passam a chamar-se “os flamingos”. Para se beber qualquer líquido tinha que se tapar o copo com a mão para evitar as moscas e a sopa tinha que ser comida o mais rapidamente possível. »



23 abril 2007

Porto Alexandre (actual Tombwa): Traineiras e Pesca de Armação





                                               


 
Porto Alexandre - Pesca de cerco: traineira recolhendo a rede



Porto Alexandre - Descarga de peixe. 1962
  
Porto Alexandre: pesca de sacada  
                                                           Porto Alexandre: seca de peixe

                                                         
                             































Fotos de Instituto de Investigação Científica Tropical . IICT/Arquivo Histórico Ultramarino


«..........Na festa da Senhora da Conceição, padroeira da terra, as traineiras e canoas encostavam as proas à praia. O estrado de madeira construído na praia, frente aos barcos, era o púlpito onde o padre rezava a missa nesse dia. Dada a mansidão das águas dentro da baía (tal como em São Martinho do Porto), os barcos podiam, sem receio, encostar a proa na areia pois nunca corriam o risco de encalharem. Ao acabar a missa campal, os barcos engalanados (tal como em algumas povoações piscatórias de Portugal) faziam soar as suas sirenes e a população estalejava foguetes. Abel Marques
posted by Adimo @ 10/06/2006 09:49:00 PM
 


Para saber mais sobre a industria pesqueira no distrito de Moçâmedes: Revista Portuguesa de Veterinária

AROMAS DA MINHA TERRA (3)
1
Depois a ambição das Nações
Deu asas às colonizações
Desenvolveram estratégia Imperial
Jumbo branco ficou, pobre Portugal

2
Quer no Pinda quer na praia da baía
Antes do “camone” construir feitoria
Barretos das Ilhas foram primeiros
Sem lá estarem Algarvios ou Poveiros
Não sei porque raio de razão
Era do Alex o nome da Povoação

3
Madeirenses e Poveiros meus pais
Pescadores dessa terra como tantos
Agora são recordações banais
De vidas doridas, em poesia, encantos

4
Pelo sustento de todos, lutaram
No arrasto, cerco e linha labutaram
Trabalhadores humildes consumidos
Guerreiros de tormentas, enrijecidos

5
Botes enfrentaram o mar, valentes!
Charruando, mágicas redes consistentes
Navegando, velas e motores potentes
A faina foi fruto dessa gente morena
Tripulantes de alma danada, serena

6
Prós pesqueiros a frota se dirigia
Três Irmãos e Chapéu Armado.
Por vezes até o Santo estremecia
Na Ponta Albina, outro afamado

7
Canoa, vela triangular bolinando
Com sacada, sua arte pescando
Lá moravam antes da traina chegar
Na arqueologia teimosamente a brilhar

8
Traineiras, Bota-a-baixo, berrantes
Protectora Senhora dos Navegantes
Vogando, motores a ronronar
Sulcando o azul tapete, indo ao mar
Lá iam, voltavam carregadas
Cheias de sonhos, abençoadas

9
Ziguezagueando, barrigas a brilhar,
Miragens de lantejoulas ao luar
O mar ardia à vista ao borbulhar
Ao largo ou na costa a fainar
O arrais vibrava! Bota-ao-mar!

10
Redes extensas e compridas
No uso da traina partidas
Artes por todos concertadas
Hoje são industrializadas

11
Na enseada navios fundeados
Vindos quiçá de que país imundo
Guano nos porões atulhados
Rica mortandade ia pró mundo

12
Na Pesca do Império reza a história
Foi porto primeiro, não há memória
Sardinha e charro gordo fedorento
Afamou a terra de cheiro pestilento

13
A escala secava no estendal
Quadro que parecia um carnaval
Ficou na memória a tarimba
Tela que não vi mais ainda


14/Fevereiro/2006
Abel Marques
in Nossos Poetas
(Clicar aqui para lêr a interpretação do texto)