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15 março 2007

Equipes de Basquetebol Feminino do Sporting / Atlético / e Benfica (pioneiras):Moçâmedes/actual Namibe




Independente de Porto Alexandre. Anos 1950


Sporting Clube de Moçâmedes

Atlético Clube de Moçâmedes




1ª foto: Equipe feminina do Independente de Porto Alexandre. De cima para baixo e da esq. para a dt. podemos ver:em cima: ?, Manuela Costa, Carlitos Oliveita (treinador), Bernardette, Ernestina CoimbraEm baixo: Rosa Gancho, Clélia Viveiros e as irmãs Odete e ...Goelas

2ª foto: Equipe feminina de Basquetebol do Sporting Club de Moçâmedes, em 1954,
onde pode ver-se em cima, da esq para a dt, para além de José Pedro Bauleth (Treinador): Maria Julia Maló de Abreu (Pitula), Fátima Martins , Claudia Guedes e Julia Castro. Em baixo: Leontina Edith Pinheiro (Pequenina), Noelma Coelho, Orlanda Martins (Pequenó) e Antonieta Osório.
3ª foto: Equipe feminina de Basquetebol do Atlético Clube de Moçâmedes no ano de 1954, onde pode ver-se em cima e da esq. para a dt: Júlia Jardim, Claudete Figueiredo, Esmeralda Freitas, Maria Gouveia, Celeste Ornelas e Tó Gomes (treinador). Em baixo, da esq. para a dt. : Leonilde de Sousa (Nide), Maria Augusta Gouveis e Susete de Freitas.
4ª foto: Equipe PIONEIRA de basquetebol feminino no distrito de Moçâmedes: o Sport Moçâmedes e Benfica (1944). Nesta altura, na modalidade de basquetebol feminino, apenas existia o Sport Moçâmedes e Benfica o que o levou este clube a criar duas equipes femininas que se disputavam entre sí, uma vestida com camisolas brancas, outra com camisolas vermelhas. Esta foto representa uma dessas equipes, a das camisolas vermelhas e dela fazem parte:Em cima: Luciana Maia, Hélia Paulo. Maria Gouveia, Esmeralda Figueiredo e Maria GuerraEm baixo: Augusta Gouveia, Olga Coquenão (Lola) e Ana Liberato
.





Após o surgimento das equipes femininas pioneiras de basquetebol do Sport Lisboa e Benfica em 1944, deu-se um interregno, e só muitos anos mais tarde, no princípio da década de 50, surgiram com força e determinação as novas equipes femininas de basquetebol do Atlético Clube de Moçâmedes, do Sporting Clube de Moçâmedes e do Independente Clube de Porto Alexandre. O Atlético viria a beneficiar com a entrada de Maria e Augusta Gouveia (irmãs Tito, que haviam integrado, em meados da década anterior, a equipe pioneira de basquetebol feminino, o Benfica). Nesta altura, o Benfica passou a contar com Clarabela Trindade, uma das basquetebolistas de referência daquela equipe. A última equipe de basquetebol feminino a sugir foi a do mais antigo clube da cidade, pioneiro na modalidade de futebol (1919) em todo o distrito, o Ginásio Clube da Torre do Tombo, por iniciativa do treinador Manuel Inácio dos Santos. Para a fomação desta equipe, contribuiu a saída das irmãs Francelina e Helena Gomes, do Atlético para o Ginásio e a integração na equipe, vindas de Sá da Bandeira de Helena Santos e a irmã (filhas de Manel Inácio dos Santos).
Gostaria ainda de deixar aqui expressos os nomes de basquetebolistas moçamedenses que não foram aqui mencionados e que deram o seu cotributo para a modalidade na cidade e no distrito:
SPORT MOÇÂMEDES E BENFICA: Minelvina Cruz, Lurdes Teixeira, Lurdes Tavares, Margarida Tavares, Esmeralda Figueiredo, Manuela Costa, Ana Rosa, Alice, Ana Conceição, Maria dos Prazeres, Amélia Castro, Ana Rosa, Ivone Benardino, Marísia Pestana, Maria dos Prazeres, Maria do Céu Jardim, Carla Almeida Frota... ( a completar)GINÁSIO CLUBE DA TORRE DO TOMBO: Ricardina Lisboa, Cidália Calão, Rosa Seixal, ( a completar)SPORTING CLUBE DE MOÇÂMEDES: Bernardete Diogo, Zete Coelho...( a completar)ATLÉTICO CLUBE DE MOÇÂMEDES: Susete Moura ( a completar)INDEPENDENTE CLUB DE PORTO ALEXANDRE: Placitina Viveiros, Luisa Sena, Margarida Gomes Mamedes, Ana Julia Silva , Maia José Gomes.... ( a completar)
Ver aqui
centenas de fotos sobre as diversas modalidades desportivas em Moçâmedes.

Aproveito para fazer referência ao livro «Memórias Desportivas do Distrito de Moçâmedes», livro ilustrado e muito bem documentado, que constitui um contributo valioso para a história do desporto em Moçâmedes, na época da colonização portuguesa. O autor: Mário António Gomes Guedes da Silva

Alunos e Professores da Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes/actual Namibe: ano 1972


Na 1ª foto a Escola Comercial e Industrial Infante D. Henrique inaugurada no ano de ....
Na 2ª foto, finalistas e professores da Escola no ano 1972.

retirada de www.sanzalangola.com

Entre outros, reconheço: Bonvalot, o 6º da dt. para a esq. (em cima), e à frente, Lito Abreu. Na 1ª fila, à esq.: a Dra Isabel Serrano, o Dr. Balsa, o Dr. Júlio Mac-Mahon de Vitória Pereira (de bata branca), professor de Físico-Quimicas e Mercadorias.
Mac-Mahon foi o professor mais carismático que passou pela Esola Comercial e Industrial de Moçâmedes e que marcou a vida de muitos estudantes. «Anjo e demónio», tanto era capaz de dar uma classicação de 19 valores como um «zero». Ficou célebre um exame da cadeira de «Mercadorias»:
O aluno Faroleiro foi «espremido até ao tutano» no referido exame e no final mandado sentar. A seguir o Mac-Mahon chamou a aluna Manuela e na primeira pergunta mandou-lhe descrever o «encadeamento das indústrias». Quando esta aluna começou a gaguejar, o Mac-Mahon virou-se de novo para o aluno Faroleiro, que já tinha obviamente terminado o seu exame, e mandou-lhe descrever também o mesmo «encadeamento das indústrias». Assustado, o Faroleiro disse: - ó sôtor, eu já
fiz o meu exame! Responde o Mac-Mahon: - está a contar... está a contar... Foi a debandada geral de todos os alunos que já tinham terminado os seus exames e que se encontravam na sala apenas a assistir aos restantes exames.
No entanto, Mac-Mahon era um professor capaz de «dar a camisa» a qualquer aluno que necessitasse de ajuda... Uma questão de ser e estar ....

Dele assim falam os que foram seus alunos:

«... Só havia um professor por quem esperávamos depois do 2º toque - o Mac Mahon - se fossemos embora ele virava bicho e não se ensaiava nada em distribuir umas galhetas pelos alunos. Também não marcava falta a quem chegasse tarde. Entrávamos na sala só não podíamos dizer nem Bom Dia nem Boa Tarde - estávamos proibidos para não interromper a aula. O Mac era um homem tão bruto como bom. Tinha um coração de pomba. Se via um aluno com os sapatos rotos tirava dinheiro do bolso e mandava-o comprar uns sapatos apresentáveis. Gozava com os contínuos quando eles iam lá ler os comunicados da MP porque exprimiam-se mal. Dizia , lá vem um Kaitô ler uma folha de papel. Quando faltávamos às aulas dele ia-nos buscar de Mini Moke à praia - e ai de quem ousasse em recusar a boleia forçada!!! ....»
«....
O "Mac" era um professor fantástico- um touro com coração de pardal - pagava-nos bilhetes para o cinema e vinha buscar-nos de Mini Moke à praia quando faltávamos às aulas...» By Kady Press in Mazungue


Eduardo Brazão-Filho (Mossungo).







Escritor e poeta, Eduardo Brazão-Filho (Mossungo), nasceu em Moçâmedes (actual Namibe), no dia 06 de Novembro de 1937. Mossungo pode ser compreendido no quadro de uma geração que ficou conhecida, como a «Geração da Utopia» (*),  a geração de Pepetela, e outros tantos que acreditaram no sonho de uma pátria independente e unida, onde todos juntos, independente de raças superariam dificuldades e construiriam uma sociedade mais justa e fraterna, liberta da fome, da exploração e da miséria. Esse sonho que Mossungo viu ruir a partir de 1982, com o fim das utopias e que se extinguiu completamente com a adopção de novos paradigmas neoliberais.

A partir do ano de 1982, Mossungo exilou-se da pátria que amava, da terra que o viu nascer e jamais viria a esquecer, tendo a ela regressado em 2002, 20 anos depois, para alí falecer um mês depois, a 16 de Fevereiro de 2002 .
 

Deixo aqui este artigo de Cláudio Frota sobre este grande poeta moçamedense  que foi Eduardo Brazão-Filho (Mossungo):
"Mossungo/Moçâmedes/Namibe

Tive o privilégio de conhecer um grande poeta angolano chamado Eduardo Mossungo. A sua alma estava encarcerada nas memórias da terra que o viu nascer. Vivia amargurado num Portugal que não lhe trazia qualquer razão de viver e a sua vida decorria sem objectivos de futuro. Ansiava pelo dia que teria de pôr fim a esse desterro. E esse dia chegou. Estive com ele dias antes de partir. Disse-me que ía regressar a Mossungo, a sua Terra. Pouco tempo sobreviveu. O chão onde nasceu acolheu-o no seu seio num abraço eterno ao filho pródigo e amado. Foi um poema que nunca pôde escrever. Mas os seus amigos, aqueles que admiravam a sua luta, o seu amor, a paixão, nunca poderão esquecer o exemplar sentimento que nos legou.


Mossungo, Moçâmedes, Namibe, três fases no tempo. O mesmo mar piscoso e o mesmo deserto de microclima temperado. A pesca e a agro-pecuária em desenvolvimento galopante. Um casamento perfeito entre e Terra e o Mar. Dois povos pacíficos que se tornaram irmãos e que caminhavam lado a lado em direcção ao futuro que se visualizava promissor e feliz num progresso surgido no confronto de duas culturas que se apuraram no aproveitar útil de todas as suas capacidades em convivência pacífica. Por fim uma cidade que foi crescendo, filha desse Mar e desse Deserto, construída a pulso, onde abundavam as indústrias, as escolas que levavam o ensino a toda a população citadina e suburbana, o liceu, os clubes desportivos, os parques, o cais comercial e o de embarque de minério onde acostavam os maiores navios do mundo. E tudo isto fruto duma colonização que só pode ser exemplar pelo esforço, pela dedicação e pelo trabalho de todos e não pela devassa do burguês dissoluto como alguns querem fazer crer. Valeu o esforço, o sacrifício e o afecto do Homem na obra feita.


Este texto é uma homenagem a todos aqueles que lá viveram, construíram em Mossungo/Moçâmedes a sua Casa, desbravaram com charruas e enxadas o seu Chão, lançaram as suas linhas e redes no seu Mar generoso. Nos desalentos mais profundos foram buscar ânimo ao lema de Bernardino, o fundador: "vence, quem perseverar até ao fim", transformaram um pedaço de deserto em cidade e viram crescer a obra glorificada pelo trabalho árduo duma vida: a cidade de Moçâmedes. (Labor Omnia Vincit). 


A Eduardo Mossungo, pseudónimo de Eduardo Brazão Filho: ele era o afecto, o exilado desesperado pelo regresso, a expressão mais sentida do Amor que alguma vez alguém sentiu pela sua Terra: a cidade de Mossungo, que segundo ele, poderia ser a nova e a mais apropriada designação para a cidade de Moçâmedes, quando Angola deixasse de ser colónia portuguesa. No entanto, logo no primeiro governo da nova República independente (República Popular de Angola) apareceu alterado o nome para cidade do Namibe.

A Namibe (cidade) o desejo que o desenvolvimento torne àquele espaço para que não seja o Namibe (deserto) a fazê-lo com as suas areias.

(posted by Cláudio Frota in Memórias e Raizeswww.memoriaseraizes.blogspot.com
) 

Eduardo Brazão-Filho, encontrava-se inscrito na União o dos Escritores Angolanos e da sua obra em poesia e prosa, na maioria inédita, contam a «Cidade e Sanzala» publicada em Dezembro de 1972, na cidade do Sá da Bandeira/Lubango. Deixou para publicar os seguintes livros: «Amar Angolamente» (poema de exílio), «Pelos Horrores da Guerra» (poesia), «Batuque, Amor e ... Traição», «Mukandas» (em versos Poemas de Ontem, Hoje e Àmanhã), «Meu Sonho de País«, «Parnaso» (poesias e sonetos). Em prosa temos: «Tchango e Tchango Tchango», «Dona Mikota e os seus passarinhos de estimação» e «O Exilado ou Diário do Absurdo de Si Mesmo». Seguem alguns dos poemas de Eduardo Brazão-Filho:

Existe um blog recente na net, para quem estiver interessado em saber mais sobre
Eduardo Brazão-Filho: http://mossungo.blogspot.com/ do qual retirei alguns dos seus belos poemas para colocar aqui bem como a foto do saudoso poeta moçamedense:



Fraternidade

Meu irmão branco, meu irmão negro,
A cor da nossa pele
É o desencontro de continentes
Colocados no mesmo mundo

Aqui estamos
Erguendo o estandarte da fraternidade
Unindo o desencontro dos continentes
Num mundo melhor.

Em cada uma das raças
O mesmo ideal de universalidade
Nos toca e nos anima
A desfazer preconceitos.

Numa taça de ouro ou numa taça de barro,
O nosso brinde selará o encontro
Dos nossos continentes
E a fusão das nossas raças

Meu irmão branco, meu irmão negro,
Perpetuamos o testamento
Deste ideal gigante
Por todas as gerações sem continentes.

Eduardo Brazão-Filho (Mossungo)
“Cidade e Sanzala”, 1972


Amar Angolanamente XX


Estou mas não sou da Europa
dos meus antepassados.
Sou África gigante;
Serei a pele do tambor gritante
que o imortal Neto descreveu outrora.

Não me encontro na cor
duma razão buscada;
minha Pátria é o solo onde nasci.
pelo meu Povo sofri
para a ver Libertada.

No punho erguido
sigo a flâmula progressista.
Eis minha razão buscada:
Sou um encontro no mundo - a pele do tambor esticada
do tantam imortal
repercutindo na harmonia dos tempos
em som triunfal
a dignidade de ter uma Pátria
sem igual !

Eduardo Brazão-Filho (Mossungo)
"Amar Angolanamente - Poemas de Exílio", inédito,


ÁFRICA MINHA CANTORA

Guitarra, que estás tocando ?
Não vês a cor do luar ?
Não vês a cor do Sertão ?

Não vês a erma magia
Romântica Tentação
Desta Angola que nos criou
E nos toca o coração ?

Repara a ganga infiltrando
Em selvagem natureza
O feiticeiro espeldor ;

Ouve o cantar das viuvinhas,
Dos chacais ouve os latidos ;
Vê o clarão das queimadas
E o romper das madrugadas
Em quadros belos... perdidos...

Guitarra, que estás tocando
Nesta noite de luar ?
Não vês para além das chamas
As mucaias a gingar ?
Olha as sombras africanas
Brincando sob o palmar...

Ouve o rugir do leão
Ouve o chorar duma hiena
E verás quão bem pequena
É tua voz no Sertão !

E quando vires o manto
Do grande Zaire entre as relvas...
Pára guitarra teu canto
E deixa cantar as Selvas

Eduardo Brazão-Filho (Mossungo) 1972




Filho branco de Angola, assumidamente progressista  e lutador pelo seu povo, em Mossungo sente-se África pulsar-lhe no sangue de uma forma tão sentida e tão intensa que até arrepia. E não só a África-terra, acima de tudo a das suas gentes. A sua poesia soa como um grito na defesa dos oprimidos,  das condições materiais e espirituais do seu povo, da sua nação, de todas as ânsias, sofrimentos, esperanças, realidades, revoltas. Trata-se de uma poesia de resistência, uma forma bela de manifestar o seu protesto, a de lutar cantando!
 
 

Alunos da Escola Comercial e Industrial Infante D. Henrique: Moçâmedes/actual Namibe 196?




























Alunas da Escola Comercial de Moçâmedes/actual Namibe: 1959

Nesta foto tirada no antigo edifício da antiga Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes (ex-Escola de Pesca e Comércio), podemos ver, de cima para baixo e da esq. para a dt, entre outras:
Em Cima: Ana Maria Montenegro, Conceição, Fátima, Clotilde, América, Isabel e Rosário
Em baixo: Lúcia e ?

14 março 2007

Posto Experimental do Caraculo - Moçâmedes (actual Namibe)







Panorâmica do Posto Experimental do Caraculo 1



Panorâmica do Posto Experimental do Caraculo 2

Preparando a fecundação artificial das ovelhas indigenas para 
cruzamento com carneiros de raça

   Uma cria


 Varias crias no Posto Experimental do Caraculo
 
 
  Dr Santos Pereira inspeccionando as crias, enquanto director da Estação Zootécnica da Humpata (Huila)
 
Registo dos borregos karakul
O Presidente da Republica portuguesa Américo Tomás, na companhia do Ministro do Ultramar, inaugura a exposição do Caraculo. À dt., o moçamedense, Raúl Radich Júnior,  Presidente da Associacao Comercial de Moçâmedes.




A região do Caraculo, situada a 70 km de Moçâmedes (Namibe), na estrada para Sá da Bandeira (Lubango) foi a região escolhida pelo Estado português no início da década de 50, para instalar este posto experimental para exploração em grande escala de ovelhas Karakul destinadas ao abate nos três primeiros dias de vida, tendo como objectivo o comércio de peles.


Esta escolha ficou a dever-se ao facto da região reunir condições similares à das estepes e semi-desertos do Turquistão Oriental, actual Uzbequistão, assim como das regiões do norte do Irão e do Afeganistão, onde a raça já existia há 1.000 anos, tendo, a partir dai se espalhado gradualmente para outras regiões da Ásia Central, Ásia Menor e sul da Ásia até à India e China.

Sobre a raça Karakul, foram as condições adversas sob as quais evoluiu, que deram a estes animais força longividade, resistência, resistência aos parasitas, etc., de tal modo que, se tiverem acesso a uma alta disponibilidade de forragens, são capazes de armazenar energia, principalmente através de sua cauda gorda, para sobreviverem a períodos de falta de alimentos, situação que outras raças não aguentariam. A raça Karakul suporta grandes variações de temperatura, do frio ao calor intenso e deve ser criada e mantida em locais secos, longe de pastagens alagadiças, em regiões com vegetação típica de deserto e com disponibilidade de água limitada, uma vez que armazenam muita gordura em suas caudas, como resultado de uma adaptação desenvolvida para a sobrevivência em ambiente inóspito, tendo chegado a percorrer 30km em busca de alimento e água.

O cordeiro Karakul é abatido nos três primeiros dias de vida para se obter uma pele de qualidade superior, a nobre pele conhecida por ASTRAKAN, muito apreciada e reservada especialmente à confecção de casacos de senhora. ASTRAKEN é nome de uma cidade do Mar Cáspio onde os franceses adquiriam as suas peles, pois à medida que os cordeiros crescem, as ondulações do velo vão se espaçando e a coloração vai se tornando acinzentada , havendo também perda da maciez. 

O Posto Experimental do Caraculo, era nos últimos tempos da colonização portuguesa uma exploração modelo saída do sonho do veterinário Dr Santos Pereira  (vidé foto acima), por proposta ao Governador Geral de Angola Agapito da Silva Carvalho, ao ter presenciado no decurso de uma visita a Namibia como naquelas terras deseéticas se procedia à criação do gado ovino de raça Karkul, tendo o gado ali criado passodo a fornecer aos mercados uma das peles mais brilhantes e leves de todo o mundo. Seria o próprio veterinário a seguir para o deserto, a escolher o local e a lançar as bases da exploração modelo , cuja produção de peles viria a ganhar um prémio internacional, tendo a região do Caraculo, no distrito de Moçâmedes (Angola), sido considerado uma das regiões que produzia as melhores peles do mundo, dada a sua leveza e brilho.
Tecnicamente apoiada e incrementada por este PEC oficial, sob a orientação do seu iniciador e director, conforme refere A.M.Cristão no seu livro «Memórias de Angra do Negro-Moçâmedes» , pg. 104, nos anos 70 existiam já 17 criadores particulares, mais de 60.000 cabeças e já se haviam realizado 5 leilões de peles (sendo o último em Londres, com 800 peles). Refere ainda A.M.Cristão que não foi tarefa fácil dada a carência de ovelhas locais, já que os criadores nativos que dispunham de algumas, não queriam se desfazer delas com vista a cruzamento. Como recurso foi trazida do Quénia a «Massai» tendo em vista uma produção no mais curto espaço de tempo. E assim se conseguiu que em 1975, o número se elevasse para as 60 000 cabeças , numero que muito iria contribuir para a economia do território, pela venda das suas tão cobiçadas peles, tidas como as mais perfeitas.
                                                              
Do Boletim Geral do Ultramar XL 471-472 de 1964 retirei a seguinte passagem que passo a transcrever: "Por determinacao do Governador Geral da Provincia, realizou-se nos dias 10 e 11 de Outubro de 1964, na cidade de Mocamedes o primeiro leilao de peles caraculo, em nunero de aproximadamente 4 mil, pertencentes ao Posto Experimental e a criadores particulares. Foram leiloadas cercade  14 toneladas de la de excepcional qualidade. De toda a provincia, da Africa do Sul e do Sudoeste Africano acorriam a Moçâmedes compradores, tendo o leilão constituido um êxito.

O caraculo de Angola, que este acto público deu  a devida projecção,  constitui já uma realidade insofismável com enormes possibilidades para povoamento e ocupação de varios milharesde hectares de territorio até agora praticamente sem valor efectivo.  Estão a fixar-se em Moçâmedes criadoresd e caraculo do Sudoeste Africano comprando demarcações no Deserto para se dedicarem a criação de carneiros. Já se encontram fixados na área do Posto do Caraculo diversos criadores provenientes daquele território, todos eles com efectiva capacidade financeira."

Outras informações: http://www.crisa.vet.br/raca_2001/karakul.htm