Este é um blog saudoso, NÃO SAUDOSISTA, e partiu da ideia de partilhar com todos aqueles que nasceram e viveram em MOÇAMEDES (Angola), hoje NAMIBE, e que se encontram dispersos pelo mundo, um conjunto de imagens e descrições, que os faça recuar no espaço e no tempo e os leve a reviver lugares, acontecimentos e gentes de um outro tempo vividos numa bela e singular cidade, nascida entre o deserto e o mar...
17 janeiro 2010
Moçamedenses posam para a posteridade em dia de casamento ...
Não tenho por norma colocar fotos de casamentos neste blog, mas que me perdoe a família Maria Inácio, uma das mais antigas e reconhecidas famílias de Moçâmedes, pois não resisti em colocar aqui esta foto do casamento do Armando Maria Inácio e da Eliza Pinto Miranda, retirada de Sanzalangola (fio de Lay Silva: que me perdoe também), porque não só se tratam de pessoas conhecidas, como de elementos de uma geração, hoje septuagenária, que em Moçâmedes marcou uma época: os anos 50. Refiro-me também ao grupo «Os Tragateiros» aqui bastante bem representado:
De cima para baixo e da esq. para a dt.:
1. Os noivos Eliza Pinto Miranda e Armando Maria Inácio, tendo à sua esq. Carlos Guerra (Calita), e por detrás duas senhoras cujos nomes não consigo recordar ( D. Eugénia (Néné) Oliveira, casada com Tolentino Alves de Oliveira?).
2. Raúl Guedes, Fernando Miranda, Andrade, ? e Carlos Diogo.
3. Alexandrino Silva, Abreu, Frederico Costa e Hélder de Matos Alves Roberto (mais conhecido por Hélder Cabordé).
Famílias de Moçâmedes
Foi mestre de traineira quando foi necessário fazer vingar a sua tese de que os aladores e a sondas magnéticas por ele montadas a bordo, implicavam a inerente redução da companha. Montou na Praia Amélia a 1ª fábrica automatizada de farinação de peixe e decantação de óleo importada da Alemanha. Foi condutor de camiões, levando e trazendo pessoal contratado dos planaltos da Huila e Huambo, por trilhos e picadas que só Deus sabe. Foi ainda co-proprietário de uma oficina, com tanto movimento como os devedores relapsos, a quem tinha vergonha de exigir o que lhe deviam. Pilotou avionetes pelo puro prazer de voa, ou pela sedução de superação das suas capacidades. Era teimoso no saber e no querer, quase sempre com razão.
Homem de sete oficios e pouco dinheiro, durante a sua longa vivência de meio século em África, foi também motorista e mestre de costa incluso em palhabotes m tenho feito serviço de cabotagem no «Continente» e «Angola», de Cabinda à foz do Cunene; subiu e desceu vezes sem conta o rio Zaire, ludibriando navios alemães que durante a Segunda Grande Guerra o tentaram aliciar para os perigosos caminhos da espionagem, que consistia em levar e trazer correio, prestando informações sobre o tráfego marítimo naquela costa de África.
Antonieta e Aníbal Bagarrão. Nesta foto à dt reconhecemos os casais Noémia Bagarrão e João Martins Pereira, Otilia Gagarrão e Armando Guedes da Silva
Na velhice, para além da artrite que lhe tolhia os movimentos, e da dietas que lhe corrigem os excessos do passado, manteve a mesma clarividência e o mesmo discernimento, o mesmo perfeccionismo e a mesma competência que sempre teve. Os neurónios nele recusam envelhecer, estão-se nas tintas para o reumatismo, níveis de colesterol , ácido úrico e cirrose hepática. Pode-se transmitir o conhecimento, mas não a sabedoria. Esta, infelizmente não se perpetua através de genes ou cromossomas. Dava-nos tanto jeito que assim fosse. Este prolongar da prosa justifica-se, por ser da inteira justiça realçar os seus méritos, homenageando simultaneamente o Homem, o Familiar e o Amigo que há 30 anos conheci e me habituei a admirar.Assim se referia Mário Lopes ao seu sogro:
Foto: 5 gerações, 4 das quais nascidas em Moçâmedes. Foto tirada já em Lisboa (pos 1975) Joana e o pequenito João Pedro, à esq., com D. Rosária (trisavó), D. Antonieta/Loló (bisavó), Antonieta/Dédé (avó), Joana, a mãe da Mariana.
Por gente escolhida a dedo
Para ir caçar um veado
Ao «Pico do Azevedo»
A carrinha percorreu
Todo o caminho num triz.
Junto à Pedra da Delfina,
E todos nos apeámos
Não esquecendo a carabina.
O sol era abrasador
A «malta» já mal podia
Suportar tanto calor
Que ia dar a um desvão
E a «malta» entrou encalmada
E deitou-se à fresca no chão.
Para as bandas do poente
A «malta» toda saía
Da Pedra alegre e contente.
À procura das gazelas,
E logo ali mesmo bem perto,
Fomos encontrar com elas.
A arma que tinha na mão
E a gazela que pastava,
Tombou ferida no chão.
Para a gazela atingida
28 dezembro 2009
Reveillon no Clube Nautico: anos 60
Moçâmedes e as suas gentes eram assim...
Uma pequena cidade onde as pessoas se conheciam, quadras festivas que eram aproveitadas para o divertimento que vinha quebrar uma pouco a monotonia de um quotidiano onde imperava, não a preguiça nem o laxismo, mas a labuta do dia a dia.
Este, foi um Reveillon decorrido em meados da década de 60 no salão do Clube Nautico (Casino), o salão preferido das «elegantes» da época, que veio destronar o do Atlético Clube de Moçâmedes,de cariz mais popular, que fora na década de 50 o local onde decorreram animados bailes de carnaval, reveillons, bailes e matinées dançantes aos sábados e domingos, e onde se divertia a juventude moçamedense, e que acabaria por perder muito do seu antigo «brilho».
Em tempos mais atrás, era no salão do edifício do Aero Clube de Moçâmedes, na Rua da Praia do Bonfim, em frente à Avenida, o local onde decorriam animados bailes e matinées dançantes, como o integrado nas festividades do Centenário da cidade, em 1949, mas este edifício acabou demolido e no seu lugar construido um outro de vários andares, propriedade de José Alves, que veio estragar a harmonia do conjunto habitacional. Mas ainda mais atrás, tudo quanto era festa na cidade tinha lugar no velho Ginásio Clube da Torre do Tombo, o Clube pioneiro de Moçâmedes, onde foi durante muito tempo tradição, os «célebres» bailes da Pinhata.
Fotos gentilmente cedidas por Marizette Veiga
27 dezembro 2009
Conjunto Musical «Os Diabos do Ritmo»: década de 50

Aqui podemos ver, da esquerda para a direita: Marçal (saxofone), Lito Baía, (violão e acordeão); O professor de Canto Coral da Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes, Silva (em substituição do pianista do conjunto, Bio Aquino, na época a cumprir o serviço militar obrigatório); Jaime Nobre, mestre de música, construtor de instrumentos de corda ( da guitarra clássica ao violino e aos xilofones), Cerieiro, instrumentista de rítmos (Maracas, Pandeiros, Banjos, Bandolins, e Reco-recos), Frederico Costa , instrumentista de rítmos ( Maracas, Pandeiros, Banjos, Bandolins, e Reco-recos), Abertino Gomes (o extraordinário e irrequieto baterista- animador, que também tocava banjo e bandolim e até acordeão). No casal em 1º plano, reconheço Amaral (para quem não se recorda, à época era proprietário de uma loja na Rua dos Pescadores, junto da Tipografia de José Trindade, em sociedade com um irmão mais velho que jogou futebol no Sport Moçâmedes e Benfica)
O conjunto musical «Os Diabos do Ritmo» foi o grande animador das festas da minha juventude. Eram eles que animavam os bailes que aos sábados se prolongavam pela noite fora até ao raiar do dia, e as matinées dançantes que, com grande pena nossa, acabavam impreterivelmente às 20 horas. Dançava-se sem parar, ao som dos mais diversos ritmos, que iam desde movimentadas marchinhas brasileiras que estavam muito em voga, a pasodobles espanhóis, às remexidas rumbas, chá-chá-chá, congas e baiões, musica do Brasil e Caraíbas, não esquecendo os românticos tangos de Gardel, as deslizantes valsas, e os suaves slows, etc., géneros musicais daquele tempo, dos quais deixarei aqui alguns exemplos, bastando clicar para ouvir: La Cumparcita
A propósito, este excelente conjunto tinha por hábito fazer serenatas por volta da meia noite à porta das casas das raparigas, deslocando-se para tal em carrinhas e camionetas de caixa aberta, de casa para casa, umas vezes por iniciativa própria, outras, a pedido de namorados que acompanhavam o grupo e participavam no côro.
Quero recordar aqui aquele que foi o meu vizinho e amigo Albino Aquino (Bio), o talentoso pianista dos «Diabos do Ritmo», do qual tive a triste notícia que faleceu este ano. Para mim, será sempre aquele rapaz simpático, que ria com os olhos, e tocava com grande mestria. Fica aqui mais uma recordação de gente que marcou uma época na cidade de Moçâmedes, e envolveu gente boa que de um dia para o outro deixamos de ver e deixaram laços em nossos corações.
Oiçam e percebam bem o porquê
de nenhum de nós poder esquecer
aqueles lindos bailes abrilhantados
pelos «Diabos do Rítmo», tão afamados,
nem daquelas jovens, as mais belas, já se vê,
que, coradas ouviam, cheias de felicidade,
aquelas juras que tão bem sabíamos fazer,
Naqueles anos doirados da nossa mocidade…
Oiçam esses boleros e a voz de cada cantor,
como eles vibram, nesse rítmo afro-cubano.
Eram mesmo os melhores a cantar e a compor.
Versos de amor, só cantados em castelhano…
Mas, ao som daqueles «Diabos-Mestres» a tocar,
quem não cantava bem, tendo-os a acompanhar
o ritmo do endiabrado Albertino, do Bio e Lito Baia,
Nobre, Marçal, Cerieiro e Neco, cada um como sabia…
Esquecer um grupo, como outro não houve nenhum,
seria sem dúvida de estranhar, de nunca acontecer.
Festas, Fins de Ano, Carnavais, Serenatas na cidade,
Inesquecíveis Bailes, os melhores das nossas vidas.
Quem alguma vez nos deu, Conterrâneos, mais alegria?
Quem, senão eles, tocava e só parava ao raiar do dia,
depois de um desafio que demorava horas seguidas,
em festas que sempre recordaremos com saudade…
Alguém poderá estranhar, algum de vós se espanta,
que ouvindo os Boleros que agora vos venho mandar,
para que possam recordar aqueles «Diabos» a tocar,
Ficasse eu de olhos húmidos a relembrar as juras
que fiz naquelas noites d’encanto e de felicidade,
dos anos mais lindos da nossa gloriosa mocidade,
que na mente se guardaram, inteiras e tão seguras
e, de coração acelerado, criasse um nó na garganta?
NECO MANGERICÃO.
Gente de Moçâmedes : passagem de ano no Clube Nautico (Casino) nos anos 60

Foto tirada numa passagem de ano em terras do Namibe, esta, na década de 60, no Clube Nautico (Casino). Através dela tivemos o prazer de recordar mais alguns dos nossos conterrâneaos, a maioria vizinhos de bairro, amigos, e até familiares, com os quais partilhámos momentos de nossas vidas, passadas naquele berço que nos foi comum, a bela e saudosa cidade do Namibe. São eles, da esq. para a dt.: Joaquim Guedes Duarte (Quim, gestor da empresa ligada à industria piscatória, da familia João Duarte) e Odete Lisboa Lopes Braz Duarte, Carlos Manuel Guedes Lisboa, (Lolita) e Antonieta Almeida Bagarrão Lisboa (Dédé), Iteldina Carvalho Frota (Tédina) e José Manuel Frota (bancário e talentoso radialista em Moçâmedes). De pé. à dt., Taruca. Foto gentilmente cedida por Antonieta Bagarrão Lisboa .
Não posso deixar de fazer uma referência muito especial, e sem desprestígio para os demais, ao amigo de infância e adolescência que foi o Carlos Manuel Guedes Lisboa (de óculos escuros, à esq.), o jovial, empreendedor e simpático moçamedense, cuja carreira fulgurante começou imediatamente a seguir à conclusão dos seus estudos secundários na Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes. Carlos Lisboa ingressou no quadro do pessoal do Grémio dos Industriais de Pesca do Distrito de Moçâmedes, e alguns anos depois, quando da extinção do referido Grémio, foi nomeado Director Regional do Instituto da Indústria de Pesca de Angola. Pessoa dotada de elevada capacidade organizativa e trato afável, viria a liderar o processo da constituição da PROJEQUE (Sociedade Industrial do Canjeque, Lda.), da qual se tornou gestor. Paralelamente, dedicou-se também, de conta própria, à actividade comercial. A morte ceifou-lhe jovem. Viria a falecer, já em Lisboa, pouco tempo após a independência de Angola, em 1975, com apenas quarenta e poucos anos de idade.
Bailes no Clube Nautico (Casino) Finais dos anos 60, início de 70



1ª foto: Baile no Casino
2ª foto: Banda de música constituida por jovens moçamedenses
3ª foto: Baile dos finalistas no Clube Nautico (Casino). Reconheço à esq. de óculos, Daniel Gavino (penúltimo gerente do Banco de Angola, em Moçâmedes), à dt. Fragata, e ao centro da foto, de frente, Robalo. Se alguém reconhecer mais alguém, por favor, sirva-se dos comentários para nos dizer quem é, o que muito agradecmos.









