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13 maio 2009

18 novembro 2008

Desporto escolar em Moçâmedes (Namibe, Angola) no âmbito da Mocidade Portuguesa Feminina: entre fins 1969 e meados 1970



Cecílio Moreira (de gravata) rodeado por um grupo de alunos da Escola Prática de Pesca e Comércio 
de Moçâmedes, em finais dos anos 1940.  Reconheço, entre outros, Tito Gouveia (filho), em cima, à esq. Bento
?, Mário Rocha?, ?, e Amadeu Pereira?


A Mocidade Portuguesa e o Desporto em Moçâmedes

1. A Mocidade Portuguesa Masculina

Foi nos finais da década de 40 que tiveram inicio as aulas de Educação Física na Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes, no âmbito da Mocidade Portuguesa, tendo como professor Emídio Cecílio Moreira.

Cecílio Moreira era ainda um jovem de faces rosadas quando, na década de 40 chegou a Moçâmedes ido da Metrópole, integrado na Marinha portuguesa e vinculado à Capitania do Porto Moçâmedes, tendo em seguida enveredado pela carreira docente como professor de Ginástica  e de Trabalhos Manuais da Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes. 
Cecílio Moreira, na Metrópole, fora campeão nacional de box de peso médio, talvez este facto tivesse influenciado a  sua carreira profissional e ao mesmo tempo contribuido para a grande colaboração que prestou à cidade na expansão das actividades desportivas nos clubes locais. Foi o caso do Sport Moçâmedes e Benfica, que viria a criar as suas primeiras equipas de basquetebol nas classes masculina e feminina, na sequência de aulas de Ginástica por si ministradas aos atletas do clube.
 

 Uma equipa de voleibol da Escola Pratica de Pesca e Comércio de Moçâmedes
no início dos anos 1950. Em cima, e da esq. para a dt. Mário Luís Figueiredo, ? José Manuel Frota e Soares. Embaixo: Caetano, Fernando Morais e ?



Uma equipa representativa da MP nos campeonatos distritais, com elementos
recrutados das equipas daquela modalidade do Benfica e do Atlético de Moçâmedes

Mas as actividades da MPM,  primeiro na Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes, mais tarde da Escola Comercial e Industrial de Moçâmede, e ainda mais tarde na Escola Comercial e Industrial Infante D. Henrique, não se limitaram à Educação Física (os tradicionais exercícios ginásticos). Elas também se estenderam a outras modalidades desportivas, como futebol, voleibol, basquetebol, o hóquei em patins, ainda que estas não passassem de experiências de curta duração, dado o grande número de clubes existentes em Moçâmedes que as praticavam. Levados a sério, sim, nesta época, e em épocas anteriores, e quase até aos momentos finais da colonização portuguesa, foram os desportos náuticos que tiveram o seu início na década de 40 (finais), primeiro na classe de «Sharpie e mais tarde, na década de 50 e 60, na classe de «Snipes», e cujos velejadores-estudantes pertenciam ao «Centro Nautico» da Mocidade Portuguesa. O instrutor desta modalidade, como não podia deixar de ser, era o professor Emídio Cecílio Moreira.



  Vela «sharps», em 1950.
A velejar Mário Guedes e António Martins Nunes (Cowboy).

 
  Perspectiva da Praia das Miragens com «snypes» e velejadores da Mocidade portuguesa. 
Finais da década de 50.


A vela foi outra das modalidades desportivas, esta sim, grandemente beneficianda com o concurso da Mocidade Portuguesa.
A baía de Moçâmedes tinha óptimas condições para a prática da vela devido aos ventos não muito fortes que facilitavam os treinamentos dos jovens estudantes, e pelas «regatas» que alí por vezes ocorriam, por ocasião das Festas anuais da Cidade, a «4 de Agosto», e mais tarde durante «as Festas do Mar», «regatas» que eram entusiasticamente acompanhadas pela população que se concentrava na Praia das Miragens. Aliás foi para Moçâmedes que veio o título mais honroso alcançado em 1956, em Luanda, em «snipes» por Fausto Ferreira Gomes, coadjuvado por Leonel Matos Mendes, numa regata em que participaram excelentes velejadores dos principais Centros de Vela angolanos da Mocidade Portuguesa: Luanda. Lobito, Benguela e Moçâmedes. 

Quanto à modalidade de «REMO» esta coneçou por ser praticada em Moçâmedes, nos velhos tempos da «guiga» do Ginásio Clube da Torre do Tombo, e foi perdendo o entusiasmo dos jovens uma vez que existiam somente dois barcos, para além da «guiga», um do Independente de Porto Alexandre, mais leve, quase sempre vencedor, um «Yolle» do Centro Nautico da Mocidade Portuguesa.
O desporto era fundamental para a Mocidade Portuguesa devido à disciplina que esta actividade implica. A Mocidade Portuguesa, criada em 19 de Maio de 1936 era uma organização juvenil que procurava enraizar uma nova mentalidade ao serviço do Estado Novo que defendesse a trilogia «Deus, Pátria e Família». Para isso era necessário estimular o desenvolvimento integral da sua capacidade física da juventude, a formação do carácter e a devoção à Pátria, no sentimento da ordem, no gosto da disciplina e no culto do dever cumprido. A ela deveriam pertencer, obrigatoriamente, os jovens dos sete aos catorze anos. A MPM encontrava-se dividida por quatro escalões etários: os lusitos (dos 7 aos 10 anos), os infantes (dos 10 aos 14 anos), os vanguardistas (dos 14 aos 17 anos) e os cadetes (dos 17 aos 25 anos).É evidente que a Mocidade Portuguesa não era inocente. Eram estruturas que de inicio serviam o sistema educativo e divulgavam doutrinas e princípios cujos objectivos eram o de formar consciências de acordo com ideologia do regime, identificada com a tradição, a obediência, o respeito pela autoridade, o patriotismo e a aversão à modernidade estrangeira, etc., etc.
De início a Organização abrangia toda a juventude escolar ou não, contudo acabou por recrutar quase exclusivamente os alunos dos ensinos primários e secundário, e com o pós Guerra (1939-1945)  foi perdendo o caracter  para-militar que detinha desde o seu início  sendo extinta após o 25 de Abril de 1974.

Na década de 1950  ainda que a juventude continuasse a ser  de certo modo politica e ideológicamente  manipulada, era-o subrepticiamente, e não tinha disso a consciência. O que  contava para a juventude, na Mocidade Portuguesa, era a parte lúdica, e nada mais. Através da MPM tinham acesso a muitas coisas gratuitas que os jovens de agora para as terem tem que as pagar a bom preço, e nesse aspecto a Mocidade Portuguesa era camaradagem, alegria, desporto, a oportunidade de viajar, de disputar campeonatos provinciais desportivos etc., etc. Através da MP ganhavam amigos, passavam momentos agradáveis, nos acampamentos, nos passeios, no desporto, ou seja, em actividades que as posses da maioria não permitiriam penetrar. E não creio que os objectivos de inculcação ideológico-políticos da MP tenham tido algum sucesso entre os jovens da minha terra. Em termos factuais, o que sei é que eles souberam aproveitar aquilo que era bom na MP, ou seja os já citados aspectos lúdicos; e que houve alguns que nos anos 60 se tornaram mesmo activistas contra o regime de Salazar e do Estado Novo quando tiveram que partir para a Metrópole para prosseguirem os estudos para níveis superiores, uma vez que na altura Angola não possuía uma Universidade. Curiosamente, todos eles faziam parte de uma segunda geração de brancos nascidos em Angola, todos eles , portanto, rotulados à nascença como euro-africanos ou «brancos de 2ª». Curiosamente também muitos deles estiveram ligados à Casa dos Estudantes do Império, em Lisboa. Perduraram até à década de 60, normas que visavam distinguir os filhos de portugueses originários de Portugal (reinóis), dos brancos nascidos em Angola para lhes limitar os direitos civis, reflexo da desconfiança e suspeição em relação aos naturais das colónias. Estes não podiam, por exemplo, concorrer aos cursos das escolas de oficiais das forças armadas nacionais, desempenhar funções de chefia a nível superior na administração pública colonial, etc., etc. O próprio facto de não haver em Angola uma Universidade era significativo...  







Equipa de basquetebol feminino da Mocidade Portuguesa Feminina do Liceu 
de Moçâmedes
Anos 60.


 Equipas de Badmington.Mocidade Portuguesa Feminina do Liceu de Moçâmedes
 
Excursão à Metrópole da Mocidade Portuguesa Feminina. ECIIDH

  
A Mocidade Portuguesa Feminina foi Criada em Portugal, em 1937 com o objectivo de criar a nova mulher portuguesa: boa esposa, boa mãe, boa doméstica, boa cristã, boa cidadã, sempre pronta a contribuir para o bem comum, mas sempre longe da intervenção política deixada aos homens, ou seja, como veículos de transmissão dos valores e comportamentos ditados pelo regime de Salazar de acordo com os ditames da trilogia "Deus, Pátria e Familia". Assim descreve esta organização estudantil do Estado Novo a historiadora Irene Flunser Pimentel, que acrescenta, ser a MPF uma organização que dava indicações inclusivamente sobre o fato de banho oficial com decote pouco generoso e saia não muito curta, sobre a atitude a ter em casa com o marido, conselhos sobre livros fundamentais e outros proibidos aos olhos das jovens, e a aprendizagem das virtudes dos grandes heróis nacionais como D. Filipa, etc.

 
Naquele tempo os ideólogos do regime como veículo indispensável à prossecução do programa do Estado Novo. Aliás, no ano a seguir ao golpe do 28 de Maio de 1926 e à «ditadura militar», logo o Estado Novo se apressou a estabelecer através do regime jurídico algumas das obrigações em relação à mulher, tais como regime de separação de sexos nas escolas, a introdução da disciplina de Economia Doméstica incidindo nas tarefas de "coser, bordar, cozinhar, olhar pelo asseio da casa, talhar, cozer e conservar as peças de vestuário da sua família, considerar o valor da higiene, etc. E em 1931 se é reconhecido o direito de voto foi apenas àquelas que possuíam cursos superiores ou secundários, enquanto aos homens bastaria saber ler e escrever. Também o Código do Processo Civil de 1939 veio submeter ainda mais a mulher à tutela do marido, interditando-lhes o poder de afiançar, exercer comércio, viajar para fora do país, celebrar contratos e administrar bens sem a autorização escrita do marido.

Inserida neste contexto, a
Mocidade Portuguesa Feminina o objectivo prioritário de estimular nas jovens portuguesas a formação do carácter, o desenvolvimento da capacidade física, a cultura do espírito e a devoção ao serviço social no amor de Deus, da Pátria e da Família, tendo a biologia vinda em socorro da ideologia através da apresentação desse argumento infalível que é a capacidade da mulher gerar mais «filhos da Nação", de os educar assimilando para tal o programa instituído e dispensando toda e quaisquer pretensões de autonomia, fazendo lembrar o que passava noutros regimes ditatoriais europeus tais como a Alemanha de Hitler, a Itália de Mussolini, a Espanha de Franco.

Já na década de 1960, houve como que  um reoganizar da MP masculina e feminina. Existem fotos dos alunos do secundário de Moçâmedes e de Porto-Alexandre, tiradas na década de 60 e na década de 70,  que nos motram  como a MP see encontrava activa, mesmo mais activa que nunca, com especial empenho ao nível do desporto.

Quanto à Mocidade Portuguesa Feminina esta foi uma organização serôdia entre nós raparigas moçamedenses daquele tempo, veriicando-se como atrás foi dito uma grande actividade  nas décadas de 1060 e 1970.  Eu própria frequentei em Moçâmedes o secundário na segunda metade da década de 1950 e ao nível da Escola que frequentava, a Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes, nunca me dei conta da existência de qualquer actividade feminina levada a cabo por aquela organização. Nunca vesti nem vi colegas minhas envergarem fardas, não obstante  tive acesso a fotos de finais dos anos 1940 que mostravam desfiles da MP feminina, em saudação olímpica, desfilando pelas ruas da vizinha de Sá da Bandeira. 

E em relação a actividades desportivas escolares, na segunda metade da década de 1940  chegaram a ter a disciplina de Educação Física, prática que  quando muito perdurou pelo menos até 1950, pois já não existia esta disciplina quando frequentei a Escola Comercial de Moçâmedes que veio substituir a Escola de Pesca.

Concluo que entre nós a MPF, excepto talvez nas décadas de 1940 e inicios de 1950, a MP masculina que frequentava o secundário, não demonstra objectivos de inculcação ideológica de que Irene Flunser Pimentel nos fala quanto à MP metropolitana, e que até aos finais do Império,  se encontrava reduzida à actividades desportivas e lúdidas. Aliás, segundo a própria história da MP, a partir de meados da década de 50, na Metróple, já a organização havia começado a perder o seu anterior carácter de obrigatoriedade e de otganização para-militar. Não obstante, o Curso de Formação Feminina, Disciplina de Lavores no Ciclo Preparatório, foi uma realidade defebdida peka MPF, veiculava pois a ideologia  do Estado Novo em relação à mulher.

Quanto ao resto,
imposição de
decote pouco generoso, saia não muito curta, etc. etc., só posso dizer que as jovens da minha geração não deram por isso. Seguiamos a moda que chegava a nós atravé da Revista BURDA. Praticavamos a modalidade de basquetebol com curtos calções e treinavamos nos nossos clubes jogando contra equipas constituídas por rapazes sem quaisquer dessas inibições de que nos fala a referida historiadora. Aliás, a década de 1950 foi entre nós de grande actividade  desportiv promovida pelos vários clubes da cidade, altamente ouganizadosm que pouco espaço deixavam à MP. 






Como referi nas décadas de 1960 até 1975, a MPF teve realmente um grande incremento entre os jovens estudantes de Moçâmedes, de ambos os sexos, tendo  chegado a organizarem-se torneios provinciais em algumas modalidades como basquetebol, badmington, e outros, realizados fora de portas, excursões incluso à Metrópole da Mocidade Portuguesa Feminina, tal como as fotos  testemunham. 

De qualquer modo, a verdade é que os jovens gostavam da MPM e da MPF pela camaradagem, alegria, desporto, a oportunidade de viajar, de disputar campeonatos provinciais desportivos etc., etc. que naquela organização encontravam. Quanto ao resto as mudanças que, entretanto, se foram verificando no  seio da Familia, a instituição basilar da sociedade portuguesa, tal como fora concebida por Salazar e pelo Estado Novo exigiam, nestas décadas já não tanto uma educação que formasse jovens apegadas ao ideal doméstico e ao futuro papel de boas esposas e boas mães capazes de transmitirem aos filhos os princípios ideológicos e os valores morais do Estado Novo, mas também jovens preparadas para se confrontarem com as mudanças que estavam surgindo em toda a parte, saudáveis e fortes para os embates e capazes de manterem uma prole sem degeneração. As décadas de 1950 e 1960, foram aquelas em que se verificou entre nós, a saída em massa das mulheres para o mundo do trabalho remunerador.

03 outubro 2008

Colégio Nossa Senhora de Fátima de Moçâmedes
















Grupo de alunas, com os respectivos professores e familiares, do Colégio de Nossa Senhora de Fátima de Moçâmedes (Colégio das Madres), 1ªs. classes do Primário - 1966 /67??

Reconhece-se: Padre Dinis
, ?; ?; Priscila; Mena Bajouca; Filomena Simões; Isabel Gomes;. Neves; Anabela Pedrinho;Isabel Jorge/Belucha; ?; ?;Niki Jorge; Isaura;Nanda Ferreira; Joana Lisboa; Edna Branca ;Rosário Ilha ; Ani Figueiredo;
Mães ou familiares: Antonieta Bagarrão Lisboa (Dédé); Edite Gomes; Aida Ferreira; Gertrudes Gomes; Lurdes Ilha Madres: Moita ; Correia; ??
Foto gentilmente cedida por Pedro Ilha.



https://www.youtube.com/watch?v=zO9auW89AXM

01 outubro 2008

Finalistas da Escola Comercial Bartolomeu Dias em Porto Alexandre : ano lectivo 1973/1974
























































Finalistas da ECBD ano lectivo 1973/1974.
in MAZUNGUE
Clicar aqui para ver mais fotos e Relatório da Excursão a Luanda e outras paragens de Angola de finalistas dos Cursos Comercial e Formação Feminina do ano Lectivo 1973/1974, excursão essa feita num autocarro de carreira da EVA (Empresa de Viação de Angola) alugado pelos alunos.
Fical aqui alguns nomes e algumas das alunas destas fotos: Arlete Trocado (Leta Xanduca), Rosita, Nandita Cardoso, Zery Prazeres...
Quanto aos restantes alunos e alunas, espero a vossa colaboração em comentários, OK?

31 agosto 2008

Prova de Karting em Moçâmedes: 08 de Março de 1968, integrada nas Festas do Mar. Outras provas. Outas modalidades




Prova de Karting em Moçâmedes: 08 de Março de 1968

Prova de Karting em Moçâmedes: 08 de Março de 1968


Prova de Karting em Moçâmedes: 08 de Março de 1968






Provas de Karting realizadas em Moçâmedes em 08 de Março de 1968, junto ao Colégio das Madres e Parque Infantil, como se pode verificar facilmente pelas fotos.


1ª foto. Antes do início da prova : Mário João, Costa Abrantes, Pio Riscado, Quelhas, Vitor Rafael, Mestre Cardoso.

2ª e 3ª fotos: Panorâmica das provas.

4ª foto. Costa Abrantes (Jorginho) recebendo o prémio do 3º lugar da prova
.

5ª foto: Os três primeiros classificados; 1º Francisco Figueiredo (Luanda), Pio Riscado, Costa Abrantes (Moçâmedes).
Créditos de texto e imagens:http://mazungue.com/



 
Moçâmedes. No Bairro Heróis de Mucaba
 
Moçâmedes.  No Bairro Herois de Mucaba
 
Moçâmedes. No Bairro Herois de Mucaba








Corrida de «Carros de Sabão», por alunos da Escola Industrial e Comercial Infante D. Henrique, de Moçâmedes: 1966






4ª e 5ª fotos: Momentos das provas de velocidade e de perícia efectuadas na descida da Fortaleza de Moçâmedes.

6ª foto:
Presentemente, um destes carros de sabão numa das salas da Escola Comercial e Industrial Infante D. Henrique, na cidade do Namibe.
   


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Sanzalando em Angola
Tem que não tem 16-01-2004 11:48 Forum: Liceu Américo Tomás


Na oficina da rua das Hortas, naquela que tem machimbombo que parte para Porto Alexandre, deslembrei mesmo o nome, tá no ponta da língua, assim como o mecânico a dar para o gordo e mulato da cor, arranjei os rolamentos que tanto queria para fazer o meu carrinho. Desci mais um pouco a rua para comprar pregos na Casa Santos. Ninguém lembra mesmo onde era esta casa? Tem nome que lembra todo o mundo - Passa Fome. Sim esse mesmo que punha 5 litros de gasolina naquele carro que parecia americano de tão grande antigo que era, e mais cinco num garrafão para voltar quando ia passear ao domingo com a família. Me disseram, nunca soube se era verdade mas também nunca tive que interesse em confirmar. Mas que assim lhe chamavam eu tenho certeza mesmo certa. Comprei meus pregos e vi que estava pronto para fazer o melhor carro de rolamentos do mundo. Desta vez mesmo que vou bater aqueles gajos na descida.
Olha, ainda vou no Pires Correia comprar comprar Chita para minha mãe fazer um vestido para a mana, que tem festa e tem concurso como todos os anos. Mas já sei que é comprar só por comprar que minha irmã vai dizer no dia que não entra. Tem que não tem é sempre assim.
Me lembrei que já que estou aqui em baixo vou mesmo perto do matador ver os amigos Beleza que parece que está com gripe.
Tem mesmo que não tem assunto para conversar. Cidade pequena não passa nada. As menina que a gente gosta num olha mesmo para a gente e aquelas que a gente não gosta também. Puto sofre na cidade onde nada tem que não tem. Me deixa só crescer e vais ver que tudo vai ser como que diferente mas muito igual. Já agora que estou na filosofia vou mesmo lá no Horto ver o crescer das flores que são boas de bonitas.
Em vez de fazer o meu carro de rolamentos vou fazer um 'Carro de Sabão' para bater os gajos da Escola Industrial que têm mania que são melhores que os do Liceu. Mas que sou puto num vão deixar eu correr. Os outros mesmo que façam. Fico pelas corridas da Rua dos Pescadores. Dá cabo dos sapatos pois os tacões é que são os travões, as o Estregildo que põe novos depois da mãe dar o ralhete quinté tou habituado.
Tem que não tem mas num passa nada, nem chuva passa aqui 
in Sanzalando

04 agosto 2008

Alunos da Escola Pratica de Pesca e Comércio do Distrito de Moçâmedes: 1948









Naquele tempo havia a ideia de que o ensino público deveria estar ligado às actividades inerentes ao local em que os alunos residissem, partindo-se do pressuposto que não haveria a mobilidade territorial entre as pessoas. Moçâmedes, como terra essencialmente dedicada às coisas do mar, não deveria ter um Liceu, mas sim uma Escola de cariz profissional que melhor serviria as aspirações das suas gentes. E assim surgiu a Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes. Convém contudo recuarmos um pouco, até 1918  o ano exacto em que surgiu a primeira e fugaz tentativa de criação de uma  Escola de cariz prático, considerada adequada às necessidades da população, a Escola Marítima de Moçâmedes que no ano seguinte viria a ser substituída por um outro tipo de Escola, a Escola Primária Superior Barão de Moçâmedes. Esta Escola, criada em 1919, mas posta a funcionar penas em 1925, embora ostentasse a designação depreciativa de Escola Primária Superior, possuia um currículo de cariz literário que a demarcava de um ensino meramente profissional e primário, e a colocava a par de um ensino secundário. Os moçamedenses da época queriam muito mais do que um saber prático, numa altura em que as elites elegiam a instituição liceal como o paradigma do ensino secundário.
 
No ano de 1927, a Escola Primária Superior Barão de Moçâmedes, que nascera administrada pela Câmara Municipal, passou a ficar sob a alçada  do Estado, e a partir de 1930, passou a adoptar períodos lectivos idênticos aos dos liceus. Porém ainda não em termos de currículo, não obstante os  sonhos da população de a elevar a ctegoria superior na escala da classificação.

Em 1936, a Escola Primária Superior Barão de Moçâmedes foi extinta e deu lugar à Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes. Mas ainda aqui houvera uma tentativa de dar a esta Escola a designação de Escola Industrial Marítima de Moçâmedes. A Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes, por sua vez foi substituída pela Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes, em 1952 , que por por evolução natural, iria dar lugar, em 1960, à actual Escola Industrial e Comercial Infante D. Henrique, em novas e modernas instalações. O Infante de Sagres, o Navegador, um apaixonado pelas ciências náuticas, foi o seu Patrono. Ainda aqui parece ter-se mantido vivo o preconceito inicial, como pode depreender pela relação expressiva entre os dois nomes. No dia 21 de Outubro de 1961 foi criado o Liceu Almirante Américo Tomás em Moçâmedes
..... 

 1ª foto:

Foto interessantíssima, gentilmente cedida por Antonieta Bagarrão Lisboa, através da qual podemos ver o conjunto de alunos e alunas que frequentava a Escola Prática de Pesca e Comércio do Distrito de Moçâmedes (1ª foto), do 1º ao 5º ano, no ano lectivo de 1949/50. Também podemos ver o corpo docente da altura. Clicar sobre a foto para ampliar.

Esta Escola acabaria por ser extinta em 1952, surgindo em seu lugar, nas mesmas instalações, no topo da Rua das Hortas, a Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes, que alí continuou por mais uma década, até ser também extinta para dar lugar, em novas e modernas instalações, à Escola Comercial e Industrial Infante D. Henrique, criada por decreto de 13 de Agosto de 1960 e cuja inauguração foi integrada nas comemorações centenárias da morte do Infante de Sagres.

De baixo para cima e da esq. para a dt., reconheço, entre outros:

1º plano: Albino Aquino (Bio), Carlos
Pinho Gomes, ?, Manuel Dias Monteiro (Neca), ?, Amilcar Almeida, José Patrício, Arnaldo Van der Keller (Nado), ?, Carlos Manuel Guedes Lisboa (Lolita), Nito Abreu, Bajouca Zezinho Guedes Duarte, Manuel Rodrigues Araújo, António José Carvalho Minas e Norberto Edgar Almeida.

2º plano:
Carlos Calão, Isaac Aço, Rogério Silva, Geraldo, ???, Fernando Morais (o 7º, de camisa escura), ?,?,?, Licas Freitas (de pé, ao centro), Dito Abano, Jaime Custódio, Zezo Freitas, Carequeja, ?, Soares, ???, Beto de Sousa,?? , Albertino Gomes e?

3º plano:
Antonieta Bagarrão (Dédé), Mimi Carvalho (5ª), Maximina Teixeira (8), ???

4º plano: Fátima Abrantes, ?, Nelinha Costa Santos, Salete Leitão, Fátima Duarte, Malanie Sacramento, Carolina Mangericão, ?, Lucia Brazão Reis, ???, Raquel Martins Nunes, Orbela Guedes
, ?Carlitos Alves, Mário Bagarrão, Fernanda Vieira,..

5º plano: Francelina Gomes, Ermelinda, ??; Augusto Martins, ??, Padre Galhano, Viriato (prof. Desenho), Dr. Borges (Director), Dr Rodrigues (Calhau -prof. Matemática);?: Prof. Carrilho (Dactilog/Caligraf./Estenograf.), Adelaide Ernesto, Mária, Luzete de Sousa, Edith Pinho Gomes, e mais à dt, Bernardette Diogo, Tereza Duarte, Fernandina Peyroteu. Rui Bauleth de Almeida

2ª foto:
Tirada no mesmo ano, ano lectivo de 1949/50, estes seriam os finalistas.
Entre eles e elas reconheço
, da esq. para a dt.
Atrás: Padre Belarmino Galhano, Dr. Rodrigues, Dr. Brigitte, ?, Prof. Carrilho
A meio: prof. Emídio Cecílio Moreira, Dr. Elias Trigo (Veterinário), Dr. Domingos da Ressurreição Borges, Leonor Bajouca, ?, Lúcia Brazão e ?
À frente: João Carlos Duarte (Jinho), Ferreira, ?, Costa, Carlitos Alves, ?.


3ª foto: No regresso de uma aula prática desta Escola, decorrida na Praia Amélia , podemos ver da esq. para a dt., entre outros, Sereeiro, ?, o professor Cecilio Moreira, Cecília Victor, Maria Emilia Ramos, Edith Lisboa Frota,  Costa Santos (Carriço) e ?


4ª foto: o edifício onde funcionou a Escola Prática de Pesca e Comércio do de Moçâmedes, até ser extinta em 1960.

Dois anos depois,
em 17 de Março desse ano de 1952, esta Escola, que viera tomar o lugar da antiga Escola Primária Superior Barão de Mossãmedes, foi extinta, para dar lugar, em 1952, no mesmo edifício, sito na Rua das Hortas, à Escola Comercial de Moçâmedes. No dia 4 de Junho de 1952, foi determinado que entrasse em funcionamento o primeiro ano do ciclo preparatório elementar do ensino profissional, industrial e comercial.

Sobre o «ENSINO SECUNDÁRIO EM MOÇÂMEDES» consultar AQUI


23 julho 2008

Alunos da Escola Comercial e Industrial Infante D. Henrique: anos 60


1ª foto: Interessante foto, tirada nas traseiras da Escola Comercial e Industrial Infante D. Henrique, EICIDH, onde podemos os alunos e as alunas da referida Escola assistindo a um jogo de futebol. Eles, espalhados pelos terraços e campo de jogos da Escola, elas, espreitando a partir dos corredores do 1º e 2º andar da referida Escola ( à esq.).

2ª foto: Tirada no mesmo dia, esta foto mostra-nos mais de perto um grupo de estudantes da EICIDH, Escola Comercial e Industrial Infante D. Henriques a assitir ao jogo de futebol referido, enquanto um deles, Carlos Veríssimo, o mais vocacionado para estas coisas da rádio, faz o relato do acontecimento. Ao seu lado direito, de bigode, o Edgar Teixeira , radialista do Rádio Clube de Moçâmedes, o Márito Pereira (filho do Anatálio e neto do Mestre Alfredo) e o Beto Teles (filho do Teles da Farmácia).

Na foto, em pé, vê-se o professor Serrano, prof. de Ed. Fisica (de camisa escura), e mais recuado, também de pé, o sub-director da Escola, Dr. Campos (junto à coluna).

O jogo de futebol serviu para inaugurar o campo de futebol da Escola. Mobilizou os alunos e professores, e foi um acontecimento inesquecível, prova de que os alunos, quando mobilizados, são uma força do futuro. Este acontecimento só foi possivel, devido ao empenho pessoal do prof. Vitória Pereira, o "terrivel" MAC professor de Fisica e Quimica, professor exigente mas de uma sensibilidade fora do comum. Saíu do seu bolso o dinheiro para a compra das camisolas.

Fotos e descrições gentilmente cedidas por Carlos Veríssimo.

20 fevereiro 2008

Alunos e professores do Liceu de Moçâmedes junto do Palácio da Justiça








A escadaria do Palácio da Justiça de Moçâmedes (vulgo Tribunal) era o palco preferido de professores e alunos das escolas, quando pretendiam , em conjunto, tirar fotos que se constituíssem em recordações para a posteridade

































 





1ª foto: O imponente Palácio da Justiça (Tribunal) no topo da Avenida da Praia do Bonfim.

2ª foto: Alunos e professores do Liceu Almirante Américo Thomás, nas escadarias do edifício do Palácio da Justiça (clicar para ampliar). Clicar para ampliar. A foto não permite ver com clareza, porém distingo entre outros, o Dr Coutinho, o Reitor Dr. António de Sousa (ao centro), ladeado à esq. pelo prof. de matemática Dr Vasco Coutinho e esposa, prof. de inglês, e à dt. pelo prof. de desenho Esequiel Jorge. parece-me ver ainda as prof. Olimpia Moreira (português) Mitó (Inglês), Alda (Canto Coral), a prof. de História cujo nome não lembramos mas que era conhecida por Marisol no Japão devido aos laços no pescoço, para além de Maria Julia Maló de Abreu (Pitula) e o padre Mascarenhas (pro. de Moral) à dt.
Atrás, identifico Helena ( a mais loura), e mais atrás, com fita no cabelo parece ser Helena Ramos. Alguém poderá dar uma ajudinha?

07 outubro 2007

Alunas do Colégio Nossa Senhora de Fátima de Moçâmedes













































1ª foto: Alunas do Colégio Nossa Senhora de Fátima, entre as quais reconheço, da esq. para a dt., junto à irmã Doroteia, da dt. para a esq.: Mélita Parreira da Cruz (a pequenita), de mão dada com a irmã Maria Emilia Parreira da Cruz, tendo a seu lado Madalena Rios. A 2ª da esq. para a dt., filha do Ribeiro (Pires Correia). 1958

2ª foto: Alunos/as do Colégio Nossa Senhora de Fátima, junto da irmã Doroteia, entre os quais reconheço:
Em cima, da esq. para a dt: Cecília (prima da Paula Chalupa, a 3ª), Mélita (5ª), Adiana (6ª), Teresa Rangel, ????, Paula Turra (11ª).
Em baixo, da esq. para a dt.: Paula Chalupa (2ª), Fortunata (3ª), ????????, Tininha (11ª)
Em baixo, à frente: Raquel Esteves, ??????? 1960

3ª Excursão em comboio das alunas do Colégio de Nossa Senhora de Fátim a Sá da Bandeira, por ocasião das festividades da Nossa Senhora do Monte. 1961
Fotos gentilmente cedidas por Mélita Parraira da Cruz

29 agosto 2007

Alunos e professores: Escola Com. e Ind. Bartolomeu Dias - Porto Alexandre
























































1ª foto: Entre outros Renato,?,?, Zanga Sancadas, Jerónimo, António Júlio Bastos, Psota, , ?, Leopoldo, ?, Guerra, Prof Manuel Lopes Henriques, Jota Jota, o Prof Chicharro, Prof Palmira? , José João...
1973-74.

2ª foto: Alunos da Escola Com. e Ind.
Bartolomeu Dias : ?, Yolanda, Prof.Eurico, Prazeres, Profª.Marrão, Julieta, Lurdes França, Leopoldo.

3ª foto: Finalistas da Escola Comercial e Ind. Bartolomeu Dias- Porto Alexandre. Em cima e da esq para a dtª: ???, Renato, Jota Jota, Prof Barreto, Teacher, Prof Eurico, ? , Jeronimo, Psota e Lemos.
Em baixo e da esqª p/dtª: Zanga Sancadas, João Toucinho, Kady, Jorge, António Julio e Leopoldo. Ano 1972/73

4ª foto: Alunos da Escola Com. e Ind. Bartolomeu Dias de Porto Alexandre.
Em baixo, da esq para a dt: Zanga Sancadas, (?), Vasquinho,(?), Renato, Leopoldo e Kady.
Em cima: ?,Marçal,?,João Toucinho, Mansinho, Pessanha (meio encoberto) e Mutchada: e ainda Domingos DannyKey, Belbuto, Mandinho , Mario Zé, Lemos,e o Reginaldo Bodião e ainda entre outros: Diamantino, Joãoznho, Beto Bodião....
Só uma nota para terminar. Alguns destes nomes poderão estar enganados. Não conheço toda a gente, e foram-me fornecidos por várias pessoas que conheço. Por favor, se detectarem algo errado, peço-vos que não critiquem, mas colaborem no local destinado aos comentários. MT OBG.


















5ª foto: Professores da Escola Com. e Ind. Bartolomeu Dias - Porto Alexandre.
De cima para baixo - Esperança Traguedo (ao centro), António Ferreira e Neves -Palmira (de óculos escuros), (?), (?),Pdre Pinto Lobo (falecido), João Manuel (Chicharro) e Albano -Céu Nogueira (esposa do prof.António), (?) - (3ºdegrau)- Natália, Adélia Clara (EU), Mª Batista Paulo -(2ºdegrau)-MªRosário (Zarita) Marrão, MªAlbertina Coelho Estácio, Eurico Henriques e Padre Jaime Fernandes -(1ºdegrau)-Anabela Lara, António Machado(o Director), Sameiro e Carlitos Alves (falecido)

VINHAM DO MAR CACIMBOS
( para o Neco )

vinham do mar cacimbos
refrescar tombuas sequiosas,
calemas, submersos vulcões
e helio-fornos
provar a fibra sibilina
de homens e mulheres
que agarram a vida
pelos cornos.
vinham pinguins escorraçados
de um país ao sul,
a preto-e-branco pintados,
ond’é ignara a soma
de todas as cores
que realiza o negro.
vinham navios, botes,
arrastões e palhabotes
encalhar nos fundões ao arear,
que o leteu namibe
conforma de grão a grão
para marcar que ali
só os filhos sabem navegar.

vinham coros boatados,
e as notícias de guerra,
e as guerras de notícia,

e do deserto a garroa colava
areia nos olhos ressudados.

admário costa lindo
7.06.2005