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09 dezembro 2010

GENTE DE MOÇÂMEDES: Olga de la Sallete e Albano Costa Santos (Carriço)


Num reveillon algures nos anos 1960, em Moçâmedes, mais uma beleza feminina moçamedense,  Olga de la Sallete junto ao marido, Albano Costa Santos (Carriço), fazem um brinde à entrada do ANO NOVO. Foto gentilmente cedida por Olga de La Sallete. Fica aqui mais uma recordação de gente da nossa terra.

Ver Genealogia da familia COSTA SANTOS

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29 maio 2008

Jovens de Moçâmedes dourando ao sol da Praia das Miragens



A Praia das Miragens,  as pessoas, as arcadas e o Casino  numa manhã de domingo algures num verão nos anos 1960
 
Praia das Miragens... alguém resolveu um dia dar o nome a esta praia, inspirando-se para nas miragens características do Deserto do Namibe... Nada mais natural!  Esta praia, verdadeiro "ex-libris" da cidade, ficou para sempre ligada à vida de quantas crianças, adolescentes e adultos nasceram, cresceram e viveram em Moçâmedes. De fácil acesso (mesmo junto do centro), para os mais afastados moradores bastava andar uns quantos quarteirões, atravessar o vasto do jardim da Avenida da Praia do Bonfim (anterior Av^ª da República) e as antigas instalações dos bombeiros, perto do coreto, onde mais tarde foi construída a fonte luminosa, para entrar numa rua que terminava na praia, tendo do seu lado direito um aglomerado de casuarinas que, no tempo quente, ofereciam uma agradável sombra e do esquerdo o Clube Náutico (Casino), onde alguns "maduros" do pequeno burgo se dedicavam à "batota".

Outro trajecto era através da Estação dos Caminhos de Ferro de Moçâmedes, contornando um armazém onde se depositavam as mercadorias que chegavam e partiam de e para os mais variados destinos, atravessando uma espécie de portão para se alcançar outro lado, passando com todo o cuidado e atenção por sobre as linhas do caminho de ferro, ao lado de locomotivas, carruagens, etc, não fosse o diabo tecê-las e acontecer algum atropelamento.




Jovens de Moçâmedes dourando descontraidamente ao sol da Praia das Miragens. Da esq. para a dt, na 1ª foto  junto às arcadas: Vina Almeida, Teresa Ferreira, Tó Zé e João Thomás da Fonseca. Ao fundo podemos ver, para além das arcadas da praia, as cazuarinas e o Clube Nautico (vulgo Casino)
 


Nesta foto, os moçamedenses Vina, Lula e Vanda Ferreira. Ao fundo, a velha ponte.


Nesse tempo eram comuns os toldos coloridos individuais, bastante fechados onde se podia trocar facilmente de indumentária sem o perigo dos "mirones", para além, é claro, de outros, mais simples que se reduziam a um rectangulo de lona, geralmente de riscas azuis escuras e brancas, preso por grossos fios a duas traves de madeira enterradas na areia para as suportar. Mais tarde vieram as enormes e coloridas sombrinhas de abrir e fechar. 

Por baixo dos toldos reuniam-se adultos e crianças, meninas que jogavam ao "prego" com uma habilidade fora de comum, senhoras que faziam croché e, conversando umas com as outras, iam pondo a conversa em dia, gente que lia ou que simplesmente observava o ambiente à sua volta, não perdendo "pitada" do que se estava a passar, fosse em terra fosse no mar... A correr pela praia era comum nos anos 1950 verem-se rapazinhos segurando "papagaios" e "joeiras" dos mais variados tamanhos, feitos em casa com tiras de bordão e papel de seda das mais variadas cores, que exibiam um longo "rabo" composto de pequenas tiras de pano amarradas umas às outras. "Papagaios" e "joeiras" que subiam e desciam, davam voltas e piruetas lá em cima, no ar, tudo dependendo da habilidade do manipulador.

Escusado será dizer que era na areia, à torreira do sol, que a malta mais nova gostava de ficar... e o mais perto possível da água... Era de facto um local de grande sociabilidade a Praia das Miragens de Moçâmedes, ponto de encontro nas manhãs de sábado e domingo de grande parte da população que para alí ia descarregar as energias acumuladas no viver quotidiano, fosse nas actividades escolares, fosse no trabalho.

A Praia das Miragens, naturalmente frequentada na sua maioria por moçamedenses, recebia no verão a visita de muitos habitantes do Lubango e de outras terras do planalto, mais propriamente da vizinha Sá-da-Bandeira (Lubango) e Vila Arriaga (Bibala). Era a praia mais próxima que por vezes era também frequentada por toninhas, parentes dos golfinhos, animais marinhos extremamente sociais que faziam o encanto mas também o temor de quantos de mais longe ou de mais perto os observavam. 

A jangada (um estrado quadrado, de uns 3 x 3 m, que flutuava graças a tambores de ferro vazios, presos à sua parte inferior, que eram periodicamente substituídos) era o grande atractivo da rapaziada. Espécie de baliza para pequenas corridas de natação, local de exibicionismos para quantos jovens dali mergulhavam  para o mar. Mas também era na jangada, ou junto dela, sobretudo na parte traseira, a mais escondida e protegida dos olhares curiosos, que muitos namoricos acontecerem, que muitos encontros se  deram, que muitas carícias se trocaram, nesse tempo em que as raparigas eram persistentemente vigiadas e que o mais leve deslize punha em causa a sua reputação...

Finalmente resta referir o quanto esta praia e esta bela e singular cidade onde tive o previlégio de nascer, filha de pais já ali nascidos, de crescer, casar, ter filhos... e que nais parece uma estância balnear,  tem sido objecto de inspiração poética na pena de alguns admiradores:

Ai MOÇÂMEDES

Moçâmedes quer dizer infância plena 
Tempo de férias que não tem idade
Amigos de sorriso em pele morena
Alegria salgada na igualdade

Azul de mar ouro quente de areia
Toninhas assustando alegremente
Calema sai do mar à minha mente
Deserto a prender-me em sua teia

Deserto nunca só; tão habitado!
O vento morno conversa pela noite
Prolonga o tempo num gesto apaixonado

Sabor de manga nas bocas salgadas
Se bate lua no mar há quem se afoite
Ninguém no paraíso teme as vagas

(Jovita Carolina *Março2006)

05 fevereiro 2007

Jovens senhoras de Moçâmedes no início da década de 1952. Uma geração de transição...


Finais dos anos 1940, inícios dos anos 1950, elas estavam em todo o lado...   Lado a lado com os homens, elas coadjuvavam na organização das festas da cidade, elas organizavam festividades, elas colaboravam com o Rádio Clube da terra, estavam inseridas em grupos de acção social cristã, eram jovens modernas cheias de iniciativa e plenas de vivacidade. Alguns anos antes quem o poderia antever?

 Nesta foto um grupo de jovens senhoras colaboram com iniciativas levadas a cabo pelo Rádio Clube de Moçâmedes.   Dirigentes, locutores e colaboradores junto da sede do Rádio Clube de Moçâmedes quando esta ainda funcionava no prédio junto do antigo campo de futebol, ao fundo da Avenida da República (de cima para baixo e da esq. para a dt.) : 1. Raul Gomes, Dr Marques Mano, Raul Gomes Jr. /Lito Baía, Firmo Bonvalot, Estevão Coelho, Santos César , Martins, Alfredo Falcão, Santos Osório, Pedro Malaguerra, J. Oliveira (Maboque), Evaristo Fernandes, Norberto Gouveia (Patalim), Nito Santos, Álvaro Mendes, Armando Campos, José Luís Ressurreição, José Antunes Salvador e Carlos Cristão. 2. Leonor Bajouca, Manoca, Noelma de Sousa (Esteves), Júlia Gomes, Manuela Evangelista (Carvalho), Dr Romão Machado (Pres. do RCM) e esposa, Maria Manuela Bajouca, Julieta Bernardino, Lili Trabulo, Maria Emilia Ramos, Arminda Alves de Oliveira (pianista) e Rosa Bento (César), pianista. Foto Salvador.



Na foto: Colaboradores do RCM, no velho "campo de aviação", despedindo-se do Presidente Augusto  Cantos de Araújo. 1947 (ao centro): Mário Leitão, Raúl de Sousa Jr., José Costa Santos, Rui de Mendonça Torres, José Alves Roberto, Lúcia Reis, Eugénia Alves de Oliveira, Rosa Bento, Bernardete Cochat, Cantos de Araújo, Ana Liberato, Maria Manuela Costa, Maria Emilia Nascimento, Lurdes de Sousa Veli, Hirondina Mangericão, Lili Trabulo, Lúcia Gavino, Evaristo Fernandes, Guilherme Magalhães, Artur Caleres, Júlio Gomes de Almeida, e Adriano Parreira. Foto Salvador. 
 Jovens senhoras de Moçâmedes da JIC, grupo de acção cristã nesses tempos de abertura da Igreja aos leigos
  Finais dos anos 40, inícios de 50. Jovens senhoras de Moçâmedes da JIC. Cedida por Lurdes Ilha, de branco ao centro. Era a sua despedida de solteira.
 Jovens senhoras participantes do grupo católico "Sagrado Coração de Jesus" .Cedida por uma moçamedense amiga.

 Jovens senhoras participantes do grupo católico "Sagrado Coração de Jesus".Cedida por uma moçamedense amiga.

 

Interessante foto dos primeiros tempos do RCM, que juntou  inúmeros colaboradores: Ana Liberato e Rui de Mendonça Torres. Foto Salvador

 


Aqui podemos ver Celeste Gouveia (a Néné Carracinha) e Herondina Mangericão, entusiasmadíssimas no seu trabalho. Foto Salvador
 
Colaboradores/as do Rádio Clube de Moçâmedes. Da esq. para a dt: Néné Alves de Oliveira ao acordeon, ?, Julia Gomes à guitarra (fadista) e Manuela Evangelista (viola). Inauguração da sede do RCM? Foto Salvado
 


Entre outros, da esq. para a dt: Luciano Sena, Evaristo Sena Fernandes, Sousa Santos, Soares e Silva, Domingos Barra, Embaixo: Rui Bauleth de Almeida, ?, Carlos Moutinho, Cecília Victor, Calila, ?, Antóno José Minas. Em cima, 1ª fila, Bica, Salvador, ?, Rui Torres, ?. Foto Salvador

 



Carlos Moutinho e Cecília Victos (ao centro) rodeado de outras figuras ligadas ao RCM, entre as quais  Lico de Sousa, Arlete Pereira, à dt e Rui Bauleth de Almeida atrás. Foto Salvador





Curioso nestas fotos é a forte componente de elementos femininos que entre finais da década de 1940 e o início dos anos 1950 prestavam voluntária e gratuitamente a sua colaboração ao Rádio Clube de Moçâmedes, incluso em "programas de variedades" que eram lançados para o ar. Eram jovens senhoras cheias de vivacidade, iniciativa e vontade de participar em eventos sociais, que colaboraram em organizações festivas, programas de rádio, em grupos cristãos de juventude (JIC- Juventude Independente Católica), etc., etc... Uma geração feminina diferente das anteriores, que já não se conformava apenas com o papel único da mulher durante séculos, inteiramente dedicada ao lar  à família,  à educação dos filhos, como foi o das nossas mães e das nossas avós. 
 
Por esta altura muito paulatinamente o mercado do trabalho estava se abrindo às mulheres, pois o acesso da mulher a esse mundo esteve desde sempre dependente da evolução lenta das actividades económicas do nosso pequeno burgo, que só ganharia mais vigôr a partir dos anos 1960, quando foi feito um grande esforço de recuperação económica em Angola, para o que muito contribuiu o surgimento da Banca privada. De início não foram muitas que ingressaram no mundo do trabalho remunerador. Ainda no início da década de 1950 o Banco de Angola rnão aceitava mulheres nos seus quadros de pessoal. De início eram as profissões que se consideravam mais adequadas a elas:  enfermeiras, professoras, uma ou outra funcionária pública, e pouco mais. Até finais da década de 1940 contavam-se pelos dedos as senhoras de Moçâmedes que exerciam uma função remunerada fora das paredes do lar.

Esta geração feminina representou um modelo de referência para as raparigas da minha geração, a geração que veio a seguir. Era criança mas recordo o papel por elas desempenhado por ocasião do Centenário da cidade de Moçâmedes em 1949. Foram elas que, juntando-se em grupos, confeccionaram flores de papel e outros enfeites destinados à decoração de barracas e de pavilhões que foram erguidos por todo o lado, no vasto jardim da Avenida da República.  Foram elas que, não se poupando a esforços  fizeram bolos em suas casas, prepararam chás e cafés, que levaram  para serem ali vendidos, ajudando, com a sua colaboração a dar mais brilho ao Centenário.  Elas participaram em actividades ligadas à venda de rifas de toda uma sorte de objectos,  organizaram quermesses, sorteios, estiveram por detrás de tômbolas, roletas, serviços de bar, etc.,  e tudo isso graciosamente




Na famosa casa "Santa Filomena" onde a veneranda senhora, a professora primária D Aline, ensinava o catecismo, eram muitas as jovens senhoras e senhoritas catequistas, como se pode ver por esta foto e pelas duas que seguem onde se encontram  na metade superior da foto, junto das educandas.
De baixo para cima: 1ª fila. ? M Pacheco I, Mª Inácio Tavares, Elga Weishmaster, Amélia Brás de Sousa, Manuela e Mimi Carvalho, M.PachecoII,  Mitsi Aboim e ?  2 ª fila. ?,?,?, Zézinha Grade, ?,?, Fernanda Braz de Sousa, Fernandina Peyroteu, ?, Antonieta Bagarrão (Dédé), ? e Zélia Calão. 3ª fila. Gabriela Figueira Fernandes, Calila, ?, Constantina, Carolina Mangericão, Maria Augusta Esteves, ?,?,?,?, e Susete Freitas. 4ª fila. ?;?;?; Lena Freitas, Fernanda Pólvora Dias,?, Fátima Cunha, Lizete Ferreira, Celeste Matos, ?,?,Gabriela Miranda,?, ?, Madalena Trindade; Melanie Sacramento, ?, e
 Odete Maló.  5ª fila. ????, Osvalda Sacramento, Júlia Jardim, ???? 
6 ªfila.?,?,Hélia Paulo, Lucia Gavino, ?, Lucia Reis,?,?,?. Data: 1949
 
Idêntico grupo de alunas e de catequistas do Colégio de Nossa Senhora de Fátima, junto da "Casa Santa Filomena". 1949. Fotos de Antonieta Bagarrão
Clicar sobre a foto que é enorme

Grupo de alunas, mães, senhoras da JIC e da Liga Católica Feminina, 

catequistas, e irmãs do Colégio de Nossa Senhora de Fátima, junto da nesma "Casa Santa Filomena" com D. Aline . Data: 1953. Cedida por Néné Trindade

Esta foto mostra-nos um grupo de jovens senhoras de Moçâmedes, em 04 de Agosto 1949, colaboradoras  das festividades do Centenário da cidade de Moçâmedes, junto de um dos vários pavilhões representativos da cultura dos povos, o pavilhão chinês, trajadas de acordo, com coloridos quimonos em seda importados do oriente, leques, flores e pauzinhos espetados no cabelo. Da esq. para a dt: Zuleica (cabeleireira), Julinha Pestana, Jovita Carvalho (Grade), Dina Ascenso e Maria Lizete Ferreira. Cedida por uma amiga de Moçàmedes



 


Esta foto, tirada junto do pavilhão-bar, representa um grupo de colaboradoras de vários pavilhões. Foram elas, da esq. para a dt: Julinha Pestana (China), Alice Castro (fantasia/fada), Orbela Guedes (Holanda), Manuela Bajouca (fantasia/fada), Fátima Cunha (Holanda), ?, Zuleika (China), Celeste/Carracinha (fantasia/aero-moça), Lizete Ferreira (China), Néné Oliveira (fantasia/aero-moça), Etelvina Ferreira (Holanda), Rute Gomes (fantasia/aero-moça), Maria Helena Ramos (Holanda), Teresa Ressurreição (fantasia/fada), Maria Parreira (fantasia/aero-moça), ?. Cedida por uma amiga de Moçàmede

No pavilhão do ar, da esq. para a dt: ?,  Ludovina Leitão, Maria Eugénia Alves de Oliveira, Celeste Gouveia (Carracinha), Ruth Gomes e Maria Parreira. Cedida por uma amiga de Moçàmedes

 
O carro alegórico representativo da «Tentativa Feliz», numa evocação da barca brasileira transportando um grupo de senhoras que colaboraram nas festividades do Centenário. Da esq. para a dt.: ?, Ludovina Leitão, ?, Salomé Inácio, ?, Noelma, Cilinha, Lúcia Gavino e Arminda Alves de Oliveira..Cedida por uma amiga de Moçàmedes



 

Teresa Ressureição, Alice Castro, Lucia Brazão e Salomé Inácio

Maria Teresa da Ressureição (à esq.) oferecia às gentes da cidade, o seu talento de poetisa. Ela ela quem escrevia as músicas das marchas da cidade, e não só, músicas que andavam na boca de toda a gente, muitas das quais ainda guardo na memória, como a Marcha do Centenário de Moçâmedes Ei-la:



Marcha do Centenário de Moçâmedes (1949)

I
Assim toda engalanada
Digo orgulhosa ao mar
Olha para mim
Como vou bela ao passar
II
Quero viver minha festa
Quero rir, quero folgar
O Mar imponente
Grita a toda a gente
Vai Moçâmedes a passar
III
Sou há um século nascida
Velhice inda não senti
Tive horas de glória
Enchi minha história
De rosas que então teci
IV
As minhas lindas Miragens
Todos vão admirar
Sorrindo ao céu
Sinto o mundo meu
Quando ouço assim cantar

REFRÃO
Num areal doirado
Pelo sol beijado
Há já cem anos nasceu
Moçâmedes gentil
Bela e juvenil
Pertinho do mar cresceu Hoje, embandeirada
Princesa encantada
Do Namibe o seu senhor
Sente mar confiante
Dizer radiante
Ai que linda vais amor.

(autoria : Teresa Ressurreição)





Fica aqui a minha vénia às senhoras desta geração, pois penso mesmo que elas foram muito mais activas e participativas socialmente que as que se seguiram, as da minha geração, cuja participação maior foi a efectuada através da modalidade de basquetebol feminino.

MariaNJardim
 
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