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03 outubro 2008

Era assim a estrada antiga, através da Serra da Chela, de Moçâmedes para o Lubango: anos 50




 
 
 
Estas fotos mostram-nos bem como era a  estrada que ligava, através da Serra da Chela, as cidades de Moçâmedes e Sá-da-Bandeira, com o pormenor curioso de ter sido tirada por alguém que nesse dia (década de 50 do século passado) tivera ali um acidente com a sua carrinha, como se pode verificar. Trata-se de José Vicente Arvela, residente na cidade de Moçâmedes.

Sem dúvidas, se através da Leba, o trajecto é de suspender a respiração, o que seria nestes tempos em que as estradas apresentavam o aspecto que aqui vemos? O casal proprietário desta carrinha, como se pode ver clicando na 2ª foto para ampliar, naquele tempo em que não existiam telemóveis, nada mais pôde fazer senão ficar ali parado à espera de alguém de passagem que os pudesse socorrer, enquanto tentavam evitar, através de cordas amarradas a árvores e às rochas, que a mesma se despenhasse precipício abaixo.

Esta foto também permite imaginar  a odisseia dos primeiros grupos de povoadores portugueses, que, saídos do Funchal (Ilha da Madeira), no navio  India, em Outubro de 1884, desembarcaram em Moçâmedes após mês e meio de penosa viagem, para em seguida, e mais penosamente ainda,  fazerem a travessia do deserto e escalarem a Chela a pé,  em tipóias, ou em carros puxados por bois, animados apenas pela esperança de encontrar nas terras altas da Huíla  (planalto de Mossâmedes) um futuro melhor que a pátria-mãe lhes negava.

Até à inauguração da estrada através da Leba, no início da década de 70, a transposição da Chela era feita mais a norte, pela garganta da Chela, por uma estrada quase paralela ao Caminho de Ferro e que passava por dentro de Vila Arriaga. Tinha uma extensão de 221 quilómetros, a maior parte em terra-batida e praticamente sem obras de arte, o que significava ter de atravessar linhas de água que na época das chuvas se transformavam em rios caudalosos e lanços muito íngremes sujeitos a deslizamento de terras. Aquele percurso que na época seca demorava de carro de 3 a 4 horas, na estação das chuvas chegava a demorar um dia inteiro e às vezes mais…

Sem dúvidas, esta estrada que aqui vemos foi até ao início da década de 70 uma autêntica barreiras ao progresso da região de Moçâmedes (Namibe) que ficava bloqueada numa periferia, entalada entre o deserto e o mar, prejudicada na colocação nos mercados de produtos derivados da pesca, no incremento do turismo, nas relações comerciais, etc. etc. Após a conclusão da estrada através da Leba passou a verificar-se uma maior rentabilidade na colocação de peixe congelado em Sá-da-Bandeira (Lubango), uma vez que os carros saiam de Moçâmedes, às 7 manhã e às 9,3o o pescado já se encontrava à venda nas bancas das peixarias daquela cidade, passou a haver um muito menor desgaste ao nível dos camiões e carros ligeiros (pneus, suspensão, etc.) e um maior intercâmbio turístico entre as duas cidades, sobretudo na época balnear, e por ocasião das Festas do Mar, etc. etc.

Lamentavelmente, o potencialmente rico território de Angola só começou verdadeiramente a desenvolver-se após os trágicos acontecimentos perpretados pela UPA, nas fazendas do norte de Angola em 1961, quando Salazar, optando pela guerra, lançou o grito de alarme «Para Angola, rapidamente e em força...». Portanto em condições que não deixavam antever nada de bom no futuro para as populações brancas, na sua maioria gente pacifica que ali trabalhava e por amor à terra, ali enterrava o fruto do seu trabalho.

Foi a partir daí que a par de uma situação de guerra que durou 13 longos anos, e que poderia ter sido evitada, ao mesmo tempo que Portugal procurava consolidar a sua presença em Angola e cativar as populações indígenas, se assistiu a um autêntico «boom» na economia do território, com a abertura a capitais estrangeiros, o alargamento e integração do mercado interno, a valorização dos recursos naturais, o desenvolvimento da produção industrial e agrícola, a implementação de obras públicas e de fomento, a multiplicação de vias de comunicação, estradas, pontes, linhas férreas, etc. etc. Durante este período assistiu-se também a um esforço  enorme para levar a escola a todos os cantos de Angola, beneficiando, finalmente, neste campo, as populações indígenas. Mas era tarde demais!

Foi nesse contexto de mudança que em meados da década de 60 tiveram inicio os estudos para a construção da estrada que ficou conhecida por estrada da Leba, essa obra colossal  de de quem concebeu o percurso da extraordinária estrada projectada no serpentear duma altitude colossal e que nos leva da cidade do Lubango através do deserto do Namibe, a Moçâmedes e ao mar, e cuja inauguração viria a acontecer já nas vésperas da independência de Angola, em 1974, sendo considerada uma das realizações mais emblemáticas de Angola.
Outro filme sobre os ataques da UPA/1961



 PLANANDO VOU...


QUANDO VOLTAR AO ALTO DA CHELA,BEM DE CIMA DO MAIS ALTO MIRADOURO,
VOU LANÇAR.ME, ASSIM, E VOU À VELA,POR AQUELE COLOSSAL SORVEDOURO

POR CIMA DA BIBALA, TODO ESTICADO,A PLANAR, SEMPRE EM FRENTE, PASSAREI O MUNHINO, A PEDRA GRANDE E EMBALADO,O AR QUENTE DO DESERTO SOBREVOAREI

JÁ DISTINGO LÁ EM BAIXO TERRAS DO GIRAUL, AQUELE PEQUENO OÁSIS SEMPRE ESVERDEADO,

DEPOIS O AZUL DO MAR, A PONTA DO PAU DO SUL, A FORTALEZA, A BAIA, E O PORTO DO SACO AO LADO

RODEEI A CIDADE, RUAS, LARGOS E TRAVESSAS, A CADA

HÁ GENTE, EM MULTIDÃO, NA PRAIA SE ACUMULANDO
OUTRO TANTO SEGUE PRÓ AEROPORTO, ÀS AVESSAS.

ESCOLHO, PARA AMARAR, A PRAIA DA MIRAGEM. NO SILÊNCIO, LÁ EM BAIXO, POSSO OUVIR O MARULHAR

E DESFAZER DAS ONDAS NO SEU CONSTANTE VAI-VEME, NUM POENTE DE FOGO, CAIO DE PARAQUEDA NO MAR...

NECO
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Colégio Nossa Senhora de Fátima de Moçâmedes
















Grupo de alunas, com os respectivos professores e familiares, do Colégio de Nossa Senhora de Fátima de Moçâmedes (Colégio das Madres), 1ªs. classes do Primário - 1966 /67??

Reconhece-se: Padre Dinis
, ?; ?; Priscila; Mena Bajouca; Filomena Simões; Isabel Gomes;. Neves; Anabela Pedrinho;Isabel Jorge/Belucha; ?; ?;Niki Jorge; Isaura;Nanda Ferreira; Joana Lisboa; Edna Branca ;Rosário Ilha ; Ani Figueiredo;
Mães ou familiares: Antonieta Bagarrão Lisboa (Dédé); Edite Gomes; Aida Ferreira; Gertrudes Gomes; Lurdes Ilha Madres: Moita ; Correia; ??
Foto gentilmente cedida por Pedro Ilha.



https://www.youtube.com/watch?v=zO9auW89AXM

01 outubro 2008

Finalistas da Escola Comercial Bartolomeu Dias em Porto Alexandre : ano lectivo 1973/1974
























































Finalistas da ECBD ano lectivo 1973/1974.
in MAZUNGUE
Clicar aqui para ver mais fotos e Relatório da Excursão a Luanda e outras paragens de Angola de finalistas dos Cursos Comercial e Formação Feminina do ano Lectivo 1973/1974, excursão essa feita num autocarro de carreira da EVA (Empresa de Viação de Angola) alugado pelos alunos.
Fical aqui alguns nomes e algumas das alunas destas fotos: Arlete Trocado (Leta Xanduca), Rosita, Nandita Cardoso, Zery Prazeres...
Quanto aos restantes alunos e alunas, espero a vossa colaboração em comentários, OK?

08 setembro 2008

Gente de Moçâmedes junto do belo edifício dos CTT


















Um trecho dos jardins da Avenida da Praia do Bonfim, com o Edifício dos CTT, e um pouco atrás e à dt., o edifício dos Caminhos de Ferro de Moçâmedes.

Esta foto foi tirada em finais da década de 50, numa altura em que o pelouro da Câmara Municipal de Moçâmedes dedicava de facto uma especial atenção e carinho à manutenção dos jardins da cidade, como se pode ver, cobertos que se encontravam das mais belas e coloridas flores que dava gosto ver
.















Fernando de Freitas e Lena Freitas, junto das arcadas do belo edifício dos CTT de Moçâmedes.














Aqui estou eu com os meus 16 anos nos belos jardins da Avenida da Praia do Bonfim em Moçâmedes, a cidade onde nasci, o meu berço natal. À esq., o belo edifício dos CTT que eu vi construir, e ao fundo e dt., o velho campo de futebol de terra batida, onde os moçamedenses assistiram a tantos jogos e treinos de futebol, cujas fotos podem ser vistas clicando e pesquisando AQUI

A seguir, algumas passagens das memórias de alguém que viveu em Moçâmedes e que as colocou no Blog da Comunidade Judaica:

Moçâmedes, meu amor
Andre-Moshe Pereira

Esta chuva de ti/
deixa cair pedaços de tempo/
pedaços de infinito/ pedaços de nós mesmos//
é por isso que estamos/
sem casa nem memória?/ juntos no pensar/
como corpos ao Sol?

Juan Gelman, Dibaxu, XXV, p. 69

A seguir, partes de um texto que encontrei in Blog da Comunidade Judaica Portuguesa

...«Durante vinte e cinco anos estive calado e não falei de ti; estiveste dentro de mim escondida cidade linda, com os casuarineiros, a praia das conchas, a praia azul e o deserto infinito. E esse deserto que infinitamente redobra o poder de Hashem, bendito seja.

A mente tem disto. Vou tecendo comentários relativos a um tema só meu, mas ainda assim colectivo, dum grupo de vivências irreversível e de relativo interesse público, e esse interesse raramente tem a ver com a curiosidade como diz Niceto Blásquez mas apenas coma nostalgia. De repente invade-nos a infância através das imagens e das vozes. Do canto do patrício angolano Bonga. A história que o tempo levou do Zé Kilengue. É o homem do saco, o homem sem cabeça. Um bicho-homem que não dá para espantar. E do homem anódino que nos atirava pedras quando cruzávamos os dedos indicador e médio sobre a outra mão e sobre os mesmos dedos figurando a s grades da cadeia e lhos mostrávamos.

A praia dos arcos e a baía e os amigos perdidos para sempre. E escola 56 onde formei uma parte da minha educação já serôdia embora muito jovem, além das aulas particulares numa explicadora do diabo. Que me batia quando errava. E assim fui errando muito sem saber como acertar. Porque me batia quando errava e depois por não ter acertado à primeira. E a seguir se preparava para arrimar a palmatória aos erros sequenciais. Hoje, quando leio as Conjecturas e Refutações de Karl R. Popper vejo como a teoria do teste e erro pode em alguns casos ser quase fatal, apesar de científica e com a projecção que o tempo dá sobre estes acidentes.
(...)
Moçâmedes da minha burra, da minha bicicleta que até hoje abandonei como se me afastasse do único veículo que soubera conduzir como vejo os miúdos-homens hoje a conduzirem as suas máquinas de luxo quais Maseratti e Chrysler e Ferrari para chegarem onde eu chegava: porque tudo era perto nesse Paraíso da Welwitchia mirabilis. E do morro maluco a caminho de Sá da Bandeira – Lubango, que ora aparecia de um lado e logo pelas circunvoluções da inóspita estrada do outro lado e do nada surgiam ao longo da estrada as tribos mucubais em estado de quase nudez total, como o ambiente em volta onde desfilava um comboio do minério de Cassinga com centenas de composições. Parecia um mostrengo pré-histórico. E ao seu entorno uma vegetação savanal e umas rochas com forma antrópica, em delineamentos que ora pareciam cetáceos pedidos duma era antiquíssima do terciário ora se viam inscritos em algumas grutas os restos de ossatura de peixes quando o mar tudo envolvia no começo do Mundo como enuncia o Bereshit (Génesis) da nossa sagrada Torah! Um facto importante irrecusável que oferece a terra, são os despojos fósseis de animais e vegetais, dentro das diferentes camadas, até nas mais duras pedras. A existência de tais seres é anterior a formação das aludidas pedras. Entre os despojos de vegetais e animais, alguns mostram-se penetrados de matérias calcárias que os transformaram em pedras, alguns apresentam a dureza do mármore. São as petrificações propriamente ditas. São não raro, esqueletos completos.

As caínes e num mesmo palco as raparigas negras aborígenes e lindas com as suas trancinhas filigrânicas a ostentarem o louvor duma natureza matricial por revelar.

Por vezes recordo o rumor das ondas quando à noite parava junto à baía em dia de nevoeiro. Uma névoa fresca em dias sempre quentes. Como o suco das múcuas e as mãos estendidas ao céu dos imbondeiros gigantescos, ferozes na ânsia de se fazerem notar no interím duma força majestosa da natura naturata ao modo espinozano face ao firmamento sempre azul.

Moçâmedes, praia das miragens, saco do Giraul, Torre do Tombo, o elefantezinho ainda sem dentes meu amigo confidente das horas da angústia infantil, Caitô, o elefante do parque. O jardim infantil; o coração a batucar e o assobio malandro. O cutucar das cascas de nozes no oceano, na baía; as baronas nossas donas ainda por nascer; de repente sou assim um estranho de mim e a paixão insufla de sangue o meu peito e a emoção constrange-me as palavras. E os antílopes ao lado (na imaginação) e as palancas miríficas e as miragens das estradas de produção humana, inacabáveis. E essas flores impossíveis que luzem com cor púrpura a partir dos cactos suculentos dum deserto que é prolongamento do Kalahaari. Os planaltos a norte a partir do Namibe e na Huíla com a obra colossal da autoria do engenheiro Edgar Cardoso que concebeu o percurso da extraordinária estrada projectada no serpentear duma altitude colossal e que nos leva, através da imponente serra da Leba, da cidade do Lubango até ao deserto do Kalahaari, Moçâmedes e ao mar. Dentre a mistura de areia e água surgem centenas de espécies que florescem em conjunto com leões, elefantes, hienas, mabecos, búfalos, hipopótamos e crocodilos. Uma grande variedade de pequenos animais que podem também ser encontrados como o lobo-do-mar o ganso selvagem, o macaco de muitos tipos de antílopes, ali e além.
(...)

Em termos gerais como diz um economista da nossa praça: na realidade, existe em Portugal um conhecimento sobre África, ao menos no domínio das ciências agronómicas, que teria sido precioso para o desenvolvimento pós-colonial, se este tivesse sido possível em Angola, Moçambique ou Guiné Bissau, o que infelizmente não foi, até à data. (...) »
Texto completo in Blog da Comunidade Judaica Portuguesa

06 setembro 2008

Gente de Moçâmedes: 1956+
















Reconheço, da esq. para a dt.: Olívia, Celísia Calão, Eduarda Bauleth, Mariazinha Carequeja e Ilda? junto a uma espinheira no Deserto do Namibe.

03 setembro 2008

Alunos da Escola Portugal de visita ao Horto da cidade


















Foto tirada por ocasião de uma visita ao Horto de Moçâmedes, dos alunos da 3ª classe da Escola Portugal - Ano 1967

Da parte feminina reconheço a prof. Dilva Castelo Branco, Leopoldina Luís António; Elsa Maria Teles:Helena Maria Tadeu: Maria da Glória Baptista dos santos: Luísa(?) Filomena Maria Scala; Ana Maria Simões: Lalá (filha do Alberto da Baía das Pipas)?; Eduarda...; Professora Dilva Castelo BrancoDa parte masculina

Baptista dos Santos, Manuel Victória Pereira;Armando Loures da Silva; Joaquim Manuel da Cunha Major; (Nelo) Manuel Constantino Baptista; Luís Filipe Paiva Cabral; Nika Albuquerque ?;não, José Feliciano, filho do contínuo da escola, Sr. José Augusto (?) Victor Manuel Sá Figueiredo Rodrigues; João Viegas Ilha; Rodrigues (?); Maurício Gonçalves; Fernando Cordeiro Coimbra e Edgar Espirito Santo de pé.


Desta turma, vivem 4 em Angola - Manuel Victória Pereira - professor. a Leopoldina - médica , o Edgar E. Santo - agrónomo . o Feliciano, electricista auto e o Sá Rodrigues chegou alí também há poucos anos com empreendimentos.
Foto gentilmente cedida por Pedro Ilha.

Nas duas fotos acima, duas perspectivas do Horto Municipal. Era neste Horto que se cultivavam as árvores e plantas que eram mais tarde colocadas nas ruas e jardins da cidade de Moçâmedes, e onde se cultivavam flores que eram vendidas ao público. Fotos retiradas de Sanzalangola.
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TERRA AUTOBIOGRÁFICA (fragmento)

Não existe mais
a casa onde nasci
nem meu Pai
nem a mulembeira
da primeira sombra.
Não existe o pátio
o forno a lenha
nem os vasos e a casota do leão.
Nada existe
nem sequer ruínas
entulho de adobes e telhas
calcinadas.
Alguém varreu a fogo
a minha infância
e na fogueira arderam todos os ancestres.

Poema de Costa Andrade
(Terra gretada)

01 setembro 2008

Rallies e circuitos automóveis em Moçâmedes: Marilia Cavaco

























































































1ª foto:
Henrique Aharens Novais, o nosso campeoníssimo», nome de ouro do automobilismo angolano e português do século XX, entregando a taça a Marília Cavaco.

2
ª foto: Marília Cavaco e Celeste Gouveia (Carracinha), junto ao local onde iriam decorrer as provas. Por detrás o muro do Liceu de Moçâmedes. Ao lado de Marília, à dt., parece ser Alfredo Esteves. O Sr. da esq., não conheço.

3ª foto:
Marilia Cavaco ao volante do Toyota Sport 800, prepara-se para a corrida, tendo a seu lado Celeste Gouveia (Carracinha).
.
4ª foto: Marilia Cavaco em plena prova,
ao volante do seu Toyota Sport 800

5ª foto: Marilia Cavaco e Celeste Gouveia (Carracinha)

6ª foto:
Manuel Baptista, a dar os ultimos toques na afinação do motor do NSU Prinz Sport da Marília Cavaco.
O Manuel Baptista era um reputado mecânico e também piloto de Moçâmedes. A par com o seu irmão Abel Baptista assistiam também o Porsche 356 do Lucio dos Santos e todos os carros de desporto que o Novaes teve.

Embora em número restrito, em Moçâmede, algumas senhoras participavam nos ralis anuais das Festas do Mar. Recordo, para além de Marília Cavaco, os nomes de Dina Chalupa, Fernanda Cabeça, e Montserrat Garcês Palha, esta, concorrente por Sá-da-Bandeira. Contudo aquelas que mais me vêm à memória, talvez por terem conseguido maior projecção, foram Dina Chalupa, em finais da década de 50/início da década de 60, e Marília Cavaco já mais para a frente, e até 1975.



Créditos de imagem: Marilia Cavaco para
http://mazungue.com

 
Porque achei piada, resolvi colocar aqui, mais um dos engraçados textos do nosso conterrâneo , naquele tempo uma criança, hoje um estimado médico ao serviço da comunidade algarvia de Portimão.


Sanzalando em Angola
Sonho de corrida 17-01-2004 15:47 Forum: Liceu Américo Tomás

Hoje que tive um sonho. Tava tudo preparado para uma corrida de carros muito especial. Parece que havia mesmo uma apostas clandestinas nas esplanadas da Oásis, do Hotel Turismo e do Café Avenida. Esses gajos que têm bué de doideira na tola, pensam em tudo. Mas mesmo uma corrida muito especial. Nas várias oficinas da cidade, incluindo a do Abel e a Auto Reparadora havia mais que muita gente à espreita, para ver os bólides. Me disseram, que eu não lembro se sonhei, que até os grandes das grandes corridas tinham mandado espiões. Com toda aquela confusão fui no RCM ver mesmo o que se estava a passar. Me disseram 'és mesmo matumbo'. Pelos vistos eu era mesmo o ultimo que não sabia. Então vi a lista dos concorrentes e ai percebi todo aquela confusão na cidade.
Dra. 'Botija' - Renault Gordini
Dra. Pitrês - Fiat 600
Dra. Pipoca - Fiat 600
Guida Trindade - Fiat 600 carrinha com armação de madeira à volta
Madalena Carranca - Mini 1000 branco com fita xadrez a toda a volta
NN da Alfandega - Fiat 600
Me disseram no meu sonho que quem ia ganhar era a Dr. Pipoca porque ela já via a curva antes de lá chegar.
Mas os afazeres nas oficinas era bué de grande porque tinham de reforçar os motores pois quase todas pensavam que os carros só tinham duas mudanças, uma pra a frente e outra para trás. Foi aqui que acordei e num li em lado nenhum quem ganhou.


31 agosto 2008

Prova de Karting em Moçâmedes: 08 de Março de 1968, integrada nas Festas do Mar. Outras provas. Outas modalidades




Prova de Karting em Moçâmedes: 08 de Março de 1968

Prova de Karting em Moçâmedes: 08 de Março de 1968


Prova de Karting em Moçâmedes: 08 de Março de 1968






Provas de Karting realizadas em Moçâmedes em 08 de Março de 1968, junto ao Colégio das Madres e Parque Infantil, como se pode verificar facilmente pelas fotos.


1ª foto. Antes do início da prova : Mário João, Costa Abrantes, Pio Riscado, Quelhas, Vitor Rafael, Mestre Cardoso.

2ª e 3ª fotos: Panorâmica das provas.

4ª foto. Costa Abrantes (Jorginho) recebendo o prémio do 3º lugar da prova
.

5ª foto: Os três primeiros classificados; 1º Francisco Figueiredo (Luanda), Pio Riscado, Costa Abrantes (Moçâmedes).
Créditos de texto e imagens:http://mazungue.com/



 
Moçâmedes. No Bairro Heróis de Mucaba
 
Moçâmedes.  No Bairro Herois de Mucaba
 
Moçâmedes. No Bairro Herois de Mucaba








Gente de Moçâmedes















Fica aqui para quem conheça a recordação destas três senhoras de Moçâmedes (década de 50): Olívia Agostinho, Delfina Godinha Fernandes e Florinda Jardim.

Corrida de «Carros de Sabão», por alunos da Escola Industrial e Comercial Infante D. Henrique, de Moçâmedes: 1966






4ª e 5ª fotos: Momentos das provas de velocidade e de perícia efectuadas na descida da Fortaleza de Moçâmedes.

6ª foto:
Presentemente, um destes carros de sabão numa das salas da Escola Comercial e Industrial Infante D. Henrique, na cidade do Namibe.
   


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Sanzalando em Angola
Tem que não tem 16-01-2004 11:48 Forum: Liceu Américo Tomás


Na oficina da rua das Hortas, naquela que tem machimbombo que parte para Porto Alexandre, deslembrei mesmo o nome, tá no ponta da língua, assim como o mecânico a dar para o gordo e mulato da cor, arranjei os rolamentos que tanto queria para fazer o meu carrinho. Desci mais um pouco a rua para comprar pregos na Casa Santos. Ninguém lembra mesmo onde era esta casa? Tem nome que lembra todo o mundo - Passa Fome. Sim esse mesmo que punha 5 litros de gasolina naquele carro que parecia americano de tão grande antigo que era, e mais cinco num garrafão para voltar quando ia passear ao domingo com a família. Me disseram, nunca soube se era verdade mas também nunca tive que interesse em confirmar. Mas que assim lhe chamavam eu tenho certeza mesmo certa. Comprei meus pregos e vi que estava pronto para fazer o melhor carro de rolamentos do mundo. Desta vez mesmo que vou bater aqueles gajos na descida.
Olha, ainda vou no Pires Correia comprar comprar Chita para minha mãe fazer um vestido para a mana, que tem festa e tem concurso como todos os anos. Mas já sei que é comprar só por comprar que minha irmã vai dizer no dia que não entra. Tem que não tem é sempre assim.
Me lembrei que já que estou aqui em baixo vou mesmo perto do matador ver os amigos Beleza que parece que está com gripe.
Tem mesmo que não tem assunto para conversar. Cidade pequena não passa nada. As menina que a gente gosta num olha mesmo para a gente e aquelas que a gente não gosta também. Puto sofre na cidade onde nada tem que não tem. Me deixa só crescer e vais ver que tudo vai ser como que diferente mas muito igual. Já agora que estou na filosofia vou mesmo lá no Horto ver o crescer das flores que são boas de bonitas.
Em vez de fazer o meu carro de rolamentos vou fazer um 'Carro de Sabão' para bater os gajos da Escola Industrial que têm mania que são melhores que os do Liceu. Mas que sou puto num vão deixar eu correr. Os outros mesmo que façam. Fico pelas corridas da Rua dos Pescadores. Dá cabo dos sapatos pois os tacões é que são os travões, as o Estregildo que põe novos depois da mãe dar o ralhete quinté tou habituado.
Tem que não tem mas num passa nada, nem chuva passa aqui 
in Sanzalando